
Capítulo 458
Renascido como o Gênio da Família Mais Rica
No segundo dia do torneio, Michael voltou para o quartel-general da Associação e foi até a arena.
Logo no caminho, porém, foi abordado por Cláudia, que lhe deu um aviso.
"Ei, uh... só pra te avisar antes de entrar. Hoje apareceu um monte de gente pra assistir ao torneio," ela disse.
"Quantas?"
"Capacidade máxima. O que você esperava, quando mostrou uma façanha dessas ontem?"
Michael já estava acostumado com a Nação do Renascido, onde todo mundo sabia de seus talentos. Precisou se lembrar de que sua própria existência já era considerada uma aberração, um gênio de nível sem precedentes. Ainda bem que eles não conhecem seu Talento Supremo, ou isso teria saído do controle de vez.
Mesmo assim, ele não se importava de ter muitos espectadores. Era hora de as pessoas conhecerem seu talento mágico.
"Desde hoje de manhã, a galera já tava impaciente. Todo mundo quer ver o menino que consegue dominar os quatro elementos!" ela gritou.
"Oito," ele corrigiu.
"Hã? Como assim?"
"Nada. Enfim, tenho uma luta agora, né?"
Cláudia pareceu ouvir algo inacreditável de novo, mas decidiu não insistir.
"Sim. Você tá no horário. Daqui a pouquinho é sua vez de lutar."
Michael e Cláudia caminharam até a arena, encontrando um lugar no topo das escadas. Assim, conseguiram entrar discretamente, sem chamar atenção dos espectadores.
Por sorte, estavam bastante ocupados com a luta que ocorria abaixo.
Um dos duelistas era alguém que Michael tinha visto ontem. Era o espadachim extremamente habilidoso, considerado um dos favoritos no torneio.
"Ele é de uma loja chamada Spartan Leather. É uma empresa relativamente bem ranqueada no Distrito Upperwood, com força tanto física quanto comercial pra competir com os melhores.
Constantemente fica na posição 35 de 54 no Festival, que é o limite permitido pelo torneio de baixa classe."
E, assim como antes, o homem espártano (um apelido ganho pelos espectadores) usava sua força física combinada com suas habilidades com a espada para dominar o oponente.
Porém, surpreendentemente, o adversário conseguiu desviar dos golpes do homem espártano com mínimas investidas de sua faca. Parecia que seu oponente nem se esforçava pra lutar.
"E quem é o adversário dele?" Michael perguntou.
Cláudia precisou consultar seus pergaminhos pra confirmar. "São de uma loja relativamente desconhecida, chamada Serpent’s Wash."
Pra ser sincera, ela não conhece muito essa loja, porque eles se estabeleceram recentemente. Segundo as informações, eles oferecem serviços de lavanderia no distrito Upperwood.
"Então, são como a gente? Também passaram na vistoria de licença?"
Cláudia voltou a checar seus pergaminhos. "Parece que sim. Passaram na vistoria há umas semanas, na verdade. E sequer passaram da marca de 7000 vendas."
Michael ficou surpreso, pois a Associação costuma conceder apenas cinco licenças por ano. Era uma coincidência muito louca duas licenças saírem em poucas semanas.
Mas, se eles conseguiram vender 7000 unidades em sete dias, certamente tinham boas técnicas de negócio pra atingir essa marca.
Ainda assim, isso não significava necessariamente que fossem mais fortes que o homem espártano.
De fato, essa era a opinião geral entre os espectadores.
"O adversário dele tá fugindo. Mas é só questão de tempo até o homem espártano decifrar as habilidades burlescas dele com a faca."
"Concordo... mas não parece que o homem espártano tá meio exausto agora?"
"...é verdade. Ele devia ter levado uns golpes até agora. Mas todos os ataques dele são desviados por esse cara."
Todos ficaram surpresos de ver esse tal de Serpentino bancando de frente com o favorito, o homem espártano. Contudo, com a luta avançando, ficou claro que o Serpentino não tava só se defendendo. Ele tava dominando.
Suas habilidades com a faca desviavam com precisão cada golpe de espada do espártano. Para uma arma tão pequena lutar contra uma espada, devia haver uma grande diferença nas magias de Arte Física deles!
O fato de o espártano aparentar cansaço e ficar atento, enquanto o Serpentino exibia só uma expressão relaxada, dizia tudo que Michael precisava saber.
O Serpentino ia vencer.
E, como previsto, o homem espártano puxou a espada prematuramente, por causa do cansaço, abrindo uma brecha na costela, que foi aproveitada por uma faca.
O Serpentino avançou, desfocando seu corpo enquanto se aproximava.
Os dois ficaram bem próximos, em contato, sem que os espectadores percebesse o que tinha acontecido.
Por fim, o som do metal batendo no chão ecoou na arena. O espártano soltou a espada e recuou lentamente, afastando-se do adversário.
Ele segurava o lado do abdômen, que agora sangrava descontroladamente por causa do ferimento de faca.
"Eu… me rendo..."
Toda a arena ficou em silêncio. Eles não podiam acreditar que o favorito tinha sido derrotado daquele jeito, e de forma tão convincente.
"Sim! Ganhei," disse o Serpentino. Outros na arena saltaram do local para parabenizá-lo. Provavelmente, eram do mesmo time.
"Droga, esse torneio é tão fácil!"
"Hahaha, guarda pra quando eu chegar na Rua Principal."
"Você acabou de derrotar o melhor lutador do torneio. A gente já ganhou isso sem esforço!"
Todos riram, brincaram e comemoraram a vitória. Mas as palavras arrogantes e a postura presunçosa deles receberam olhares de reprovação dos espectadores lá de cima.
Enquanto isso, o homem espártano recusou qualquer tratamento dos funcionários da Associação e se aproximou do adversário.
"Boa luta. Você me venceu na moral," ele disse, estendendo a mão.
O Serpentino parou de celebrar por um instante, olhou para ele e, por fim, se aproximou com um sorriso afável, apertando a mão do espártano.
Mas, de surpresa, o homem puxou o espártano mais perto e sussurrou:
"Boa luta? Você nunca conseguiria me vencer nem que tentasse um milhão de anos. Isso nem é o meu aquecimento. Nunca tente novamente, perdedor."
Os espectadores não conseguiram ouvir a conversa, então ficaram sem entender por que o espártano tinha aquela expressão de raiva e humilhação no rosto.
No final, o Serpentino e seus amigos deixaram a arena gritando suas celebrações prematuras, sem se importar com o silêncio provocado pela sua arrogância.
Isto deixou um sabor amargo na boca de todos que torciam pela vitória do espártano.
"Aqueles caras são uns idiotas," disse Cláudia a Michael. Ela foi uma das poucas que ouviu o que o Serpentino sussurrou e não gostou nada. Sabia que devia permanecer neutra, mas, por dentro, torcia pelo fracasso deles nas próximas rodadas do torneio.
"Michael—"
Quando virou para olhar, percebeu que ele já tinha desaparecido. Ela olhou ao redor e, enfim, encontrou Michael no fundo da arena, esperando quietamente seu adversário aparecer.
Um minuto depois, seu oponente apareceu e a luta começou.
Mas, em menos de um minuto, a luta já tinha sido decidida.
Michael venceu. E foi tão rápido que ficou esperando mais tempo que na última luta!