
Capítulo 338
Renascido como o Gênio da Família Mais Rica
“E aí? Dá pra gente ir ver essa montanha-russa agora?” perguntou Vivi, animada, voando ao redor do rosto de Michael.
As outras Fadas, também ansiosas por essa atração, copiaram Vivi e começaram a encher o saco de Michael.
“Não é tão simples assim de criar, sabia? Temos que levar várias coisas em consideração antes mesmo de começar a planejar a construção. Primeiro, precisamos cuidar do local. Uma montanha-russa precisa de fundamentos bem firmes pra não desabar com o próprio peso. Tenho que levar em conta a velocidade máxima…
As palavras de Michael entravam por um ouvido das Fadas e saíam pelo outro. Elas não tinham interesse algum nos detalhes técnicos ou nos conceitos de Engenharia da Terra dele.
“Chega de papo. Onde você vai construir isso?” perguntou Vivi.
“Idealmente, quero que seja na Nação Reborn.”
Na verdade, esse era um dos dilemas que Michael vinha enfrentando ultimamente. Afinal, ele queria que a montanha-russa fosse construída nas extensas terras dos Terras Áridas, para poder ampliá-la mais no futuro. Mas, esse projeto era principalmente para as Fadas. E, para aproveitar o medo gerado por essa atração, elas precisariam se deslocar até a Nação Reborn para colher emoções.
Fadas não podiam simplesmente abandonar sua floresta assim, especialmente se tivessem sua própria dimensão pocket aqui.
“Ooooh! Boa ideia. Também quero ver a Nação Reborn!” Disse Vivi, inocentemente.
“Eu também!”
“Quero ver suas histórias na vida real, senhor Reborn!”
Michael não esperava essa resposta delas. Achava que iriam discutir para construir a montanha-russa na floresta.
“Mas e esse lugar aqui?” perguntou ele.
“Pssht,” resmungou Vivi, fazendo pouco caso às preocupações dele. “Não é como se fosse sair daqui. A gente só vai visitar por alguns séculos, nada demais.”
Ele olhou para as outras Fadas e elas pareciam ter a mesma disposição de Vivi.
Quase se esqueceu de que alguns semi-humanos viviam bem mais do que humanos, alguns até chegando a mil anos de vida.
“Vamos lá, galera! Vamos visitar a Reborn!” incentivou Vivi, enquanto as outras Fadas, empolgadas, saíam voando da vila sem hesitar.
“Espere, espere, espere. Tão fácil assim?!”
Elas nem se preocuparam em arrumar suas roupas ou algo assim. Parecia que estavam indo dar uma volta por alguns minutos, mas, na verdade, a Nação Reborn ficava a milhares de quilômetros daqui...
“Vamos nessa!” disse Vivi, puxando a manga de Michael. Ele foi o único que ficou na vila, pois as demais Fadas já estavam bem longe, saindo voando pela floresta.
“Mais o Virian vai ficar bravo por você ter ido embora sem avisar?”
Mais da metade da população de Fadas de repente abandonou a vila. Ele não queria que Virian pensasse que ele as havia sequestrado ou algo do tipo.
E, se seu palpite estava certo e ela fosse a Rainha das Pixies, então ele, especialmente, não queria ficar na má fase dela.
“Preocupado com a mãe? Não precisa, ela está ocupada olhando pergaminhos de folhas antigas por um tempo. Não sai de casa há quase um mês.”
Para Michael, isso foi um choque cultural completo. As vidas das Fadas eram tão longas que elas encaravam jornadas de meses como se fosse uma caminhada rápida no parque. Até mesmo suas sessões de leitura podiam durar um mês inteiro!
“Acho que dá pra deixar passar...”
“Claro que dá!” garantiu Vivi. “Agora, vamos para sua Nação!”
…
…
…
Michael guiou as Fadas para fora da floresta.
Assim que saíram da dimensão pocket, as Fadas se materializaram na realidade como pontos brilhantes de luz flutuando no ar.
Vivi explicou que, fora da mata, elas perdiam a habilidade de ficar invisíveis, mas ainda podiam se transformar em uma bola de luz para se camuflar frente à luz do sol.
Isso causou uma situação estranha para Michael, que caminhava ao lado de mais de cem pontos de luz brilhantes, zunindo como vagalumes. Felizmente, eles logo se dissiparam, entrando no ar e se confundindo com o sol — como orcs que se escondem nas sombras.
Ele voltou ao projeto da Estrada de Ouro e informou que poderiam continuar sem problemas.
“Você tem certeza, chefe?” perguntou o engenheiro local, o HobMankey Amarelo. “E se essas Fadas voltarem a nos importunar?”
De repente, um ponto de luz brilhante caiu do céu e revelou sua verdadeira forma aos Rebornians.
“Isso não vai acontecer de novo!” disse Vivi, com as mãos na cintura.
“Uau!”
“Chefe?! Quem ela é?”
“Ela é uma Fada?!”
Os Rebornians ficaram surpresos ao ver uma Fada de perto. Eles só as viam em livros ou pergaminhos.
“Sim! Sou eu,” respondeu Vivi, com orgulho. “Michael prometeu a nós que não vamos mais incomodá-los, nem pensar — uh-um, tá bom?”
“Ah… entendi. Faz sentido.”
“Como era de se esperar do nosso chefe!”
“Então, vamos começar o projeto da Estrada de Ouro imediatamente,” decretou o engenheiro local.
Desta vez, os Rebornians não ficaram surpresos. Na verdade, já esperavam por isso. Michael sempre tinha a tendência de resolver problemas considerados impossíveis por outros.
“Ei! Você é o responsável por isso aqui, né? Pode nos mostrar como manuseia esses automóveis?” perguntou Vivi, voando várias vezes na cara do engenheiro HobMankey.
Por fim, um dos motoristas cedeu e entrou no automóvel, mostrando para Vivi e as Fadas como dirigir.
O pobre motorista lagarto quase bateu em uma árvore quando quase cem luzes brancas brilhantes entraram no carro dele, cegando-o enquanto dirigia.
“Ops! Hehe, era só curiosidade. Como essas máquinas de metal funcionam? Não serão seres vivos? Consomem combustível, se movem e até expelém fumaça como fezes!”
Essa não foi a primeira discussão que ouviu sobre isso. Para muitos, suas palavras faziam sentido, o que ajudou a consolidar a fé na religião da Donzela de Ferro.
“Precisamos aprender a dirigir se quisermos chegar na região dos Reis,” argumentou Vivi.
De surpresa, as Fadas já tinham descoberto uma maneira de dirigir. Dez Fadas ficavam nos pedais e outras dez nos volantes. Michael duvidava que aquilo fosse funcionar, mas preferiu não descobrir na prática.
“Não precisa disso,” disse a eles. “Podemos simplesmente teleportar direto para as Terras Ásperas.”
Sombra de Michael se espalhou ao redor dele, abrangendo um raio de cinco metros.
Com um movimento simples, Vivi e as demais Fadas se viraram dentro de uma enorme cúpula de escuridão pura, mais negra que o céu noturno de sua dimensão pocket.
Poucos instantes depois, as sombras voltaram a se retraçar até os pés de Michael, revelando um ambiente completamente diferente para Vivi e as Fadas.
A densa e verdejante floresta do Leste foi substituída por enormes edifícios metálicos ao redor.
Na frente deles, uma estrada por onde veículos trafegavam para os lados.
Homens e semi-humanos, em trajes formais e casuais, caminhavam pelas ruas, aguardando o sinal no semáforo ficar verde para atravessar.
Para as Fadas, esse mundo parecia extraterrestre.