
Capítulo 311
Renascido como o Gênio da Família Mais Rica
Ao caminhar pelas ruas de Angora, Michael via cada vez mais carros circulando pelas vias. Não eram apenas táxis Reborn, também havia mais veículos particulares — carros que as pessoas compravam para si mesmas.
Mas, como seu povo dizia, a necessidade de automóveis estava em um ponto altíssimo. Michael achava que isso se devia ao Caminho Dourado e sua conexão, mas talvez a religião que se espalhava rapidamente da Donzela de Ferro também tivesse alguma influência nisso.
Enquanto aprimorava sua audição com o feitiço [Ouvidos da Gafanha], conseguia ouvir até uma agulha cair a cem metros de distância.
"Exatamente, senhoras e senhores. Uma divindade de metal apareceu naquele dia, salvando o Povo do Cluster Enxertado das garras da maligna Flarecorp!"
Um homem com o rosto pintado igual ao da mulher metálica, usando apenas um cubo de metal com buracos para os braços e pernas, fazia pregações para um grupo de cidadãos que passava pela praça.
"Uau…"
"Incrível…"
Nem todos escutavam suas palavras, mas havia gente suficiente prestando atenção para formar uma multidão.
"E os automóveis que vocês veem pelas ruas são obra Dele, são Seus filhos! É assim que funcionam sem cavalos e sem magia: eles são seres vivos de verdade! Olhem o ronco deles toda vez que começam a andar. Observem os olhos que brilham como o sol! Vocês não enxergam que eles são Sua criação?!"
Michael balançou a cabeça, decepcionado, ao ouvir aquilo. Infelizmente, muitas pessoas acreditavam nas palavras do homem e agora tratavam os automóveis como se fossem animais sagrados ou algo assim.
Por causa disso, desejavam comprar um carro — não para dirigir, mas para venerar.
Agora, Michael não podia realmente impedir isso de acontecer. Afinal, acreditava em um mundo livre, onde qualquer um poderia seguir sua própria religião. E, para ser justo, também acreditava que a mulher metálica que vira naquele dia era algum tipo de entidade divina.
Contudo, eles provavelmente eram a causa da alta demanda por automóveis em Angora e no Cluster Enxertado.
Ele compreendia por que as pessoas compravam esses carros caros em Angora. Afinal, é uma capital. As pessoas eram mais ricas aqui.
Por outro lado, no Cluster Enxertado, muitas comunidades ainda construíam suas casas com madeira e capim. E mesmo assim, essa região tinha mais pedidos de carros do que a própria capital!
Regiões mais pobres como essa normalmente precisariam de uns dois anos para avançar o suficiente e desejar carros.
Mesmo quando Michael introduziu os automóveis na região dos Reis muito antes, só agora os territórios ficaram ricos o suficiente para poder adquiri-los. Com a ajuda de caminhões, táxis e vias de concreto, levou quase dois anos para a economia acelerar ao ponto de toda a região dos Reis ficar mais próspera.
Michael achava que seria a mesma na região das Rainhas. Infelizmente, a Donzela de Ferro acelerou esse processo e isso gerou uma escassez de automóveis.
Mas Michael não tinha muito do que reclamar. Afinal, quanto maior a demanda, mais dinheiro entrava na empresa.
O problema era que eles não conseguiam atender a essa demanda.
Simplesmente não conseguiam acompanhar o ritmo.
Apesar de terem muita grana — tanto que Michael nem sabia onde investir — ele simplesmente não encontrava uma forma de obter mais recursos para sua expansão acelerada.
Automóveis estavam sendo vendidos antes mesmo de serem fabricados! A lista de espera para conseguir um carro só aumentava, e as pessoas aguardavam meses até receberem suas entregas na porta de casa.
E, segundo alguns relatórios apresentados pelos Genin ou Sombras Baixas que patrulhavam as ruas de Angora diariamente, havia revenda de carros acontecendo de dia e de noite, por valores muito mais altos.
Michael, porém, não tinha grande problema com isso. Essa era a forma normal do mercado reagir quando há escassez de produtos.
Ele só ficava preocupado que o automóvel estivesse ficando cada vez mais inacessível às pessoas por causa dos preços elevados.
Se quisesse resolver essa questão, teria que parar a expansão do Caminho Dourado e redirecionar recursos para a produção de automóveis. Mas Michael achava que essa não era a melhor estratégia.
Ele precisava expandir para novos territórios para encontrar mais recursos.
Isso estava deixando ele um pouco estressado, pensou consigo mesmo.
Toda essa reflexão interna deu uma fome. Como já estava por ali mesmo, decidiu procurar um restaurante local em Angora para comer bem.
Caminhava sozinho pelas ruas. Ficou feliz por muitas pessoas não conhecerem seu rosto, senão ele não teria a tranquilidade de passear calmamente pelas ruas.
Logo, avistou alguns Engenheiros Rebornianos fazendo reconhecimento e estimativas para a futura reconstrução de Angora.
Eles haviam acabado de terminar o trabalho, saindo do prédio que estavam medindo, e desceram ao lado oposto da rua, onde ficava uma pequena lojinha de comida.
Esse pequeno 'restaurante' tinha uma aparência bem simples, como se fosse apenas a varanda de uma casa reformada para atender uns 10 clientes no máximo.
Não só isso, o lugar estava bastante deteriorado, com tinta lascada nas paredes, pisos de madeira rangendo e cadeiras e mesas quase destruídas.
Os únicos clientes ali dentro eram os Engenheiros Rebornianos e um homem idoso tomando água de um copo.
"Chefe! Você chegou!" — os engenheiros gritaram ao finalmente notarem sua presença.
Convidaram Michael para participar das mesas deles, e ele se juntou a eles. Primeiro trocaram algumas palavras sobre trabalho, mas, eventualmente, Michael perguntou:
"Por que você está comendo aqui?"
"Você precisa experimentar esse frango, chefe!", disse empolgado o HobMankey. "É muito bom! Me lembra o frango frito que comíamos na Nação Reborn!"
Michael levantou uma sobrancelha. Frango frito?
Logo, um homem musculoso, de meia-idade, e seu filho saíram da cozinha trazendo dois pratos com um frango inteiro bem quente e vaporizando.
Os engenheiros agradeceram ao chef antes de se servirem. Cada um pegou uma peça.
"Uau! Que delícia!"
"Me faz lembrar de casa demais!"
"Chefe, experimenta também!"
Movido pela curiosidade e pela fome, Michael pegou a coxa de frango, sentindo a crocância do couro ao puxá-la. Além disso, a carne branca do frango soltava um suco delicioso, tornando tudo ainda mais apetitoso.
Deu uma mordida.
…crunch…
Seus olhos se arregalaram de surpresa.
O crocante era mais intenso do que qualquer coisa que ele já tinha comido neste mundo ou no anterior. A cobertura da pele dava uma sensação quente e apimentada, mas muito agradável na língua. E a carne branca equilibrava tudo na mordida, completando o sabor de uma só vez.
Michael não conseguiu resistir e deu mais uma mordida, e outra.
Era o pedaço de frango mais saboroso que já tinha experimentado.