
Capítulo 290
Renascido como o Gênio da Família Mais Rica
Enquanto isso, na cidade central do Grupo do Enxerto, Hestu e Bulren acabaram de receber a notícia de que seus lucros haviam aumentado significativamente em um único dia.
"Viu?" bragou Hestu, apontando para os papéis na mesa de Bulren. "Está funcionando. As pessoas estão usando os produtos da Flarecorp."
Apesar de ter quase o dobro de ganhos em comparação ao normal, Bulren não conseguiu celebrar. Olhou pela janela e viu os arredores da cidade central sendo isolados do mundo exterior por uma parede de fogo semi-invisível, que impedia qualquer pessoa de sair para fora.
Havia soldados da Flarecorp posicionados ao redor da esfera flamejante, impedindo que as pessoas se ferissem ao tentarem escapar do território.
Começou a surgir uma dúvida em seu coração. Isso com certeza não seria a primeira vez que algo assim poderia acontecer. Se a Flarecorp de fato chegasse ao Grupo do Enxerto, era mais do que provável que esse isolamento forçado passasse de temporário a permanente.
Ele não sabia se conseguiria viver com isso. Mas, claro, não podia dizer nada disso em voz alta para Hestu. O homem comandava os magos de seis estrelas responsáveis por manter essa barreira. Eles poderiam facilmente focar sua atenção nele se ele expressasse suas preocupações.
"Agora que garantimos que a empresa Reborn não consegue expandir seus negócios aqui, vamos lentamente retomar os outros assentamentos que eles controlam", disse Hestu. "Estou ansioso por isso."
Depois de terminar sua conversa com Bulren, Hestu saiu da mansão e voltou para sua carruagem.
Sem que ele ou qualquer dos guarda-costas ao seu redor percebesse, havia uma sombra peculiar que parecia estar grudada aos seus pés.
…bu to to…
…rah ta ta…
"QUEM É ISSO?!" gritou Hestu, surpreendendo seus guarda-costas.
"Senhor, ninguém disse nada."
"Eu ouvi claramente," insistiu Hestu. "Alguém está brincando comigo. Guardas, façam seu trabalho e inspecionem os arredores, procurando qualquer malfeito que esteja fazendo pegadinha."
Os guardas da Flarecorp se olharam, constrangidos, e começaram a olhar ao redor pelas ruas vazias da cidade central.
Com a Lei Marcial em vigor, não havia ninguém na rua perambulando. Todos estavam confinados às suas casas, criando um silêncio assustador que dominava todo o território. Isso só aumentava a aparência de loucura de Hestu, já que os guardas não ouvia nenhum som ao redor.
No entanto, eles continuaram fazendo sua inspeção, procurando por intrusos.
Não viram nada.
"O caminho está livre, senhor. Não há ninguém aqui."
Foi então que Hestu ouviu outra voz clara ecoando de todas as direções.
…falando com você…
"Aí está de novo! Parece uma criança, um adolescente!"
Os guardas olharam para Hestu com preocupação. Começaram a pensar que ele estava louco.
"Eu não estou louco!" jurou Hestu. "Deve estar me amaldiçoando! Deve ser o trabalho de um mago ou feiticeiro que quer me prejudicar!"
Não demorou muito para que os magos de seis estrelas da Flarecorp se reunissem na residência temporária de Hestu. Pareciam irritados. Já estavam exaustos de manter a barreira flamejante ativa o dia todo, e tudo o que queriam agora era dormir. Ainda assim, Hestu os convocou mesmo assim.
"Expulsem essa maldição maléfica. Eu continuo ouvindo coisas… vozes… elas falam comigo!"
Os magos de seis estrelas imediatamente usaram [Inspecionar Magia], [Identificador de Maldição] e até [Encontrar Doença] para verificar o bem-estar de Hestu.
Diversas luzes cercaram Hestu, cada uma girando ao seu redor e inspecionando diferentes aspectos de sua presença.
O corpo de Hestu começou a se iluminar à medida que essas luzes entravam nele. E ao fazerem isso, os magos puderam ver uma visão de raio-X de seu corpo, com ossos, veias e até os núcleos de mana visíveis por fora.
Se houvesse alguma anomalia, as luzes imediatamente destacariam o problema para os magos. Mas, após alguns minutos, as luzes se apagaram, indicando que a magia não encontrou nenhuma anormalidade no corpo dele.
Seus níveis de mana estavam normais, seu corpo físico em ótima condição, e não havia qualquer feitiço ou magia lançada por alguém diferente.
Parece que as 'vozes' que ele ouvia eram todas na cabeça — produto de sua imaginação.
"Não pode ser!" gritou Hestu.
"Sugerimos que você retorne imediatamente à cidade de Batchrock e peça sua substituição," disse o mago da Flarecorp. "Você não parece apto para essa missão."
Assim que essa sugestão foi feita, Hestu apontou agressivamente para todos na sala. "Nada disso! Meu senhor, meu rei, não ouvirá falar disso de forma alguma. Eu trarei a vitória à Flarecorp e mostrarei que esse problema não prejudica minhas habilidades, garanto isso!"
Logo, Hestu ficou completamente sozinho em seu quarto.
Os sons sutis de tambores e cordas continuavam a martelar em sua cabeça, impedindo-o de dormir bem.
No dia seguinte, Hestu tentou agir o mais normalmente possível. Mas, frequentemente, via figuras sombrias e formas na extremidade de sua visão, que desapareciam assim que tentava olhar para elas.
Isso não era motivo suficiente para preocupação – ainda não. Mas, no dia seguinte, Hestu se viu perdido em um labirinto dentro de sua própria casa de hóspedes.
A mini mansão de 4 quartos virou um quilômetro de extensão. Tentou sair, mas acabou voltando para seu próprio quarto. As janelas externas estavam completamente fechadas a chave, bloqueando qualquer luz solar, ficando apenas a luz artificial de um lampião de óleo intermitente iluminando seus arredores.
"Ajuda! Me tirem daqui," gritou, mas suas palavras ecoaram de volta com força total.
Cada porta que atravessava parecia levá-lo cada vez mais fundo na loucura. O tempo parecia se distorcer. Sua consciência ficava enevoada. Ele vagava nesse labirinto infinito de cabeça baixa, abrindo uma porta após a outra sem fim.
Ele não sabia quanto tempo tinha ficado preso ali, mas, após o que parecia uma eternidade, finalmente encontrou a saída.
"...ajuda...," disse, exausto, ao guarda do lado de fora de sua casa. "Fiquei preso… meses… anos? Não sei…"
O guarda olhou para ele com expressão estranha. "Senhor? São apenas algumas horas."
Mais uma vez, os magos foram chamados para verificar o bem-estar de Hestu. Mas, além de parecer um pouco exausto, o homem estava em perfeita condição. Sua mente, porém, era um caos total.
"Eu estive preso lá, eu digo!"
"Não há vestígios de magia na casa," afirmou o mago.
Não conseguir que acreditassem nele deixou Hestu extremamente paranoico em relação ao entorno. Ele nem conseguia tomar banho com medo de ficar preso naquela loucura novamente, o que só o deixava mais desleixado e sujo com o passar dos dias.
Após uma semana, seu estado de saúde piorou a tal ponto que ele passou a não sair mais de casa. Ficava no canto do cômodo, abraçando os joelhos e roendo as unhas. Seus olhos estavam completamente fundos.
Foi nesse momento que, de repente, Hestu viu trevas escapando das paredes, cobrindo toda a área.
Sobrenaturalmente, sombras voavam de um lado a outro, infectando tudo ao seu redor com escuridão.
No fim, tudo que ele pôde ver foi um vazio negro sem fim.
Ele flutuava nesse espaço, cauteloso, até que uma figura gigante entrou em cena.
Era um slime colossal de cor violeta.