Renascido como o Gênio da Família Mais Rica

Capítulo 230

Renascido como o Gênio da Família Mais Rica

Os demi-humanos fizeram uma careta de dor. O preço exigido pela realeza era algo que eles nem conseguiam imaginar. A quantia pesada esmagou seus sonhos de manter suas condições atuais de vida. Sem dúvida, teriam que voltar a acampar na floresta para sobreviver — ou pior, seriam expulsos para as Terras Áridas.

“Assim são as dificuldades de viver numa cidade grande”, disse o proprietário da pousada. “Teremos que vender nossa terra, procurar um lugar bem mais tolerante com gente que vive na corda bamba.”

O homem tentou manter uma expressão de coragem, mas a voz rangia de verdadeira tristeza.

“Não precisa,” disse Michael. “Vou comprar o terreno eu mesmo.”

Com um simples aceno de cabeça, dois Orcs Sombrio surgiram. A realeza e seus soldados ficaram completamente desprevenidos, sem saber de onde tinham vindo aqueles dois Orcs. Parecia que eles simplesmente aparecem do nada, num piscar de olhos — o que era extremamente estranho, pois a estatura colossal deles deveria ter alertado os soldados bem treinados a dez metros de distância.

E, sem dizer uma palavra, um dos Orcs tirou de lugar nenhum uma grande bolsa de couro, mais ou menos metade do tamanho do próprio Michael, e a entregou ao rapaz ajoelhando-se.

Michael levantou a bolsa com magia e a jogou aos pés do rei, surpreendendo a todos com o estrondo pesado causado pelo impacto. Pela sonoridade, era algo realmente pesado.

E, quando o rei e seus guardas levantaram os olhos, Michael já tinha desaparecido nas ruas, sem sinal dos gigantescos Orcs em lugar algum. Eles sumiram tão rápido quanto chegaram, deixando todos a se perguntarem se afinal tinham sido apenas uma ilusão ou não.

“Isto aqui é meio milhão de moedas de ouro,” disse Michael, de forma casual. “O restante do dinheiro é seu se vocês processarem o contrato ainda hoje.”

Após um momento de incredulidade, o rei finalmente teve coragem, soltou o fio da bolsa. E, assim que fez isso, um brilho dourado refletiu em seu rosto, inundando sua visão com uma montanha de moedas de ouro puro.

Com mãos trêmulas, o rei pegou uma moeda e a examinou com cuidado extremo. Sua experiência realista permitia distinguir se ela era de ouro legítimo.

“Recém estampada,” comentou, observando as leves marcas de riscos na moeda. Então, seus olhos se dirigiram à inscrição pequena na parte inferior. Estava escrita K.R.

“Não é do reino das rainhas, o que quer dizer… do reino dos reis?”

Somente essa pista ajudou o rei a perceber a verdadeira origem de Michael. “Você não é daqui,” afirmou.

“Não, eu não sou.”

Era tudo o que o rei precisava ouvir. Seus olhos mostraram que ele havia entendido algo ao conversar com o garoto de cabelos dourados.

“Muito bem,” disse o rei. “Aceitarei esse pagamento e pessoalmente providenciarei a transferência desta terra para sua propriedade.”

Os soldados ficaram confusos com a mudança repentina no comportamento do rei.

“Senhor? Está tudo bem? E o comprador anterior?”

“Sim. Acho que até ele vai ter que aceitar quando perceber com quem estamos lidando,” respondeu o rei, interrompendo o soldado. “Só há um grupo aqui que tem esse tipo de dinheiro para gastar, e não é outro senão a Companhia Reborn.”

Os soldados olharam para Michael com descrença. “O grupo Reborn? Aquele que conquistou a tumba? Ouvi dizer que eles até enfrentaram os Cavaleiros!”

“Não só isso. Eles fizeram. O senhor Jon relatou aos superiores que, em um cenário de competição, ele confessou que talvez nem conseguissem vencê-los,” disse o rei, claramente mais informado por dentro.

“Como pode ter certeza de que ele faz parte deles? Ouvi dizer que eles são um grupo de seres parecidos com dragões.”

O rei olhou novamente para Michael, rodeado pelos agradecidos habitantes demi-humanos da pousada.

“Chame intuição. Você viu esses Orcs? Gente como esses não seguiria um humano, nem mesmo se ele tivesse todo o dinheiro do mundo. Esse garoto conquistou o respeito deles, ou então eles não o teriam seguido de cara.”

Os soldados lançaram mais uma olhada para Michael.

“Para onde vamos agora?” perguntaram ao rei.

“Para o castelo,” respondeu ele. “O duque quer saber o que aconteceu aqui. Ele tem insistido há tempos para conhecer o pessoal da Reborn. Está bastante preocupado desde que esses conglomerados começaram suas guerras.”


Enquanto isso, de volta à pousada, os demi-humanos olhavam uns para os outros com expressões de ceticismo, como se não pudessem acreditar que tinham sido salvos no último instante, quando tudo parecia perdido. Quem diria que um estranho magnânimo conseguiria retomar o controle da pousada.

“Jovem...”, aproximou-se o proprietário da pousada. “O que você pretende fazer com a pousada?”

“Não se preocupem. Nosso Senhor Michael certamente cuidará de todos vocês.”

Sheina e os outros Dragonborns chegaram na hora certa, surpreendendo os demais demi-humanos. Admiraram seus trajes caros, que pareciam de verdadeiros membros da realeza humana. Nunca tinham visto um demi-humano tão…feliz.

“Vocês se divertiram?” ele perguntou.

“Humph, tenho certeza que sim,” rebateu Yuna, fazendo bico. “Estávamos prestes a fechar negócio.”

Ela então olhou para os demi-humanos que compartilhavam abraços de alegria ao perceberem que não iriam perder suas casas.

“Mas… parece que foi por um bom motivo,” ela disse, com um sorriso, dando um empurrão brincalhão em Michael com o ombro.

Michael então olhou para o proprietário da pousada e estendeu as mãos. “Ainda não me apresentei. Meu nome é Michael.”

O proprietário, Plato, se apresentou junto com os demais demi-humanos presentes na construção.

“Herdei esta pousada do meu pai, que criou este lugar seguro para humanos e demi-humanos desafortunados. Estou apenas tentando continuar a tradição.”

Michael observou os demi-humanos na pousada. A maior parte vestia roupas rasgadas, com manchas de graxa persistentes, quase como trapos. E, por trás dessas vestimentas, só se via pele e ossos, claramente sustentados pelo mínimo necessário.

Era uma cena triste. Afinal, os demi-humanos de seu tipo prosperavam na Nação de Reborn. Os felinos eram reconhecidos por sua agilidade e velocidade, úteis nas artes cênicas e na ginástica. Os lagartos eram famosos por força e acrobacias.

Mas aqui, eles tinham dificuldades de encontrar trabalho para se manterem vivos.

“Pretendo reconstruir esta pousada de uma forma diferente, transformando-a na base de operações da nossa empresa nesta cidade. Dar-lhes-ei uma escolha: ficar e morar na nova construção, ou voltar a seus irmãos na região dos Reis, na nossa nação.”

Os demi-humanos olharam para ele, confusos.

Sheina aproveitou para se apresentar e aos demais rebornianos. Começou a contar histórias do paraíso no deserto, sobre como aquele lugar poderia se tornar um lar.

“Eu… quero ver isso!”

“Minha família ainda mora na região dos Reis. Talvez tenham se juntado à sua nação também.”

“Aquele lugar parece até melhor do que aqui. Por favor, deixem-nos morar lá!”

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