
Capítulo 162
Renascido como o Gênio da Família Mais Rica
Os Orcs tratavam o cacau, conhecido localmente como Kakao, como algo sagrado e profundamente conectado à Deusa da Terra.
Por isso, seu território era cercado por milhares de árvores de cacau, todas maduras e prontas para dar fruto o ano todo.
A tribo Orcana e a tribo Orcupina ambas veneravam essas árvores e as protegiam de qualquer perigo. Era tradição deles plantar dez sementes para replantar árvores mortas na região, garantindo que seu lugar sagrado permanecesse abençoado pela deusa.
Essa prática foi iniciada pelos seus ancestrais e continuada por cada Chefe ao longo da história.
Era por isso que esse lugar era tão importante para as Tribos de Orcs. Ao abandoná-lo, também deixariam o local abençoado pela deusa.
Mesmo que encontrassem terras férteis em outro lugar, levaria anos e mais anos para criar uma floresta de árvores de cacau prontas para dar fruto.
Nenhum deles estava disposto a sair. Mas, se isso ajudasse as árvores de cacau a longo prazo, ambas as tribos de Orcs estavam dispostas a partir. No entanto, cada Chefe achava que seu oponente não era capaz de proteger e cuidar das árvores de cacau adequadamente.
A tribo Orcana destacava-se pela força e poder, especialmente porque sua espécie era uma híbrida de Orcs e Lobos. No entanto, suas capacidades defensivas deixavam a desejar. Sua natureza agressiva era boa para atacar, mas eles eram praticamente inúteis na defesa das sagradas árvores de cacau de qualquer ameaça externa.
Por outro lado, a tribo Orcupina era excelente na defesa.
Como eram uma mistura de Orcs e Porcos-espinho, tinham espinhos e agulhas protetoras que permitiam que eles atirassem lanças em todas as direções, o suficiente para perfurar qualquer armadura de metal.
Eles eram ótimos na defesa, mas tinham pouca ou nenhuma capacidade de ataque. Sua estratégia principal era ficar em um só lugar e disparar contra qualquer um que se aproximasse.
Claro que isso tinha uma fraqueza própria. Sem habilidades ofensivas, seus inimigos poderiam atacar e recuar sem consequências alguma. Poderiam reabastecer suas forças enquanto os Orcupines ficavam presos no mesmo lugar, incapazes de descansar. Com o tempo, se desgastariam e permitiria que os inimigos passassem por eles com facilidade.
Os Orcs e Orcupines tinham seus pontos fortes e fracos. O problema era que nenhum deles tinha capacidade total de defender seu território sagrado, motivo pelo qual nenhum queria recuar.
— Por que ele não consegue entender — murmurou o Chefe Orcano para si. — A melhor defesa é um ataque avassalador. Ainda mais com a bênção da nossa Deusa.
O Chefe abriu uma das vagens de cacau com as mãos nuas. Ele verificou por dentro da casca dura e marrom e encontrou uma coleção de sementes brancas, suculentas.
Ele pegou uma das sementes e observou-a com curiosidade. Era difícil de acreditar que uma sementinha tão pequena carregasse tanta bênção da Deusa.
Depois, colocou-a entre os dentes e a esmagou, engolindo tudo de uma só vez.
— Amarga — comentou, com a face arreganhada de desagrado.
Mesmo tendo comido feijões de cacau inúmeras vezes, os Orcs ainda detestavam o sabor amargo na boca. Era um gosto que eles mais odiavam.
Se não fosse abençoado pela deusa, eles cuspiriam qualquer feijão de cacau que comessem.
Apesar de odiar o sabor, eles continuavam comendo mesmo assim.
Tratavam aquilo como um teste da Deusa. Se eles não conseguiam suportar o sabor de uma de suas criações mais preciosas na natureza, então não mereciam receber sua bênção.
O Chefe fechou os olhos, preparado para receber a bênção da Deusa.
De repente, uma aura vermelha visível começou a se manifestar ao redor de seu corpo, energizando-o com força e vigor puro.
Seus músculos inchavam, as veias saltavam à superfície. O pêlo do seu corpo eriçava-se, instintivamente sentindo o enorme impulso de força física que a semente de cacau lhe proporcionava.
Apenas uma semente permitia quase dobrar sua massa muscular, exibindo o dobro da força física de seu corpo normal.
Era a bênção da Deusa para eles!
Claro que, em si, não havia nada de especial nas sementes de cacau. Não eram diferentes de qualquer outra semente ou fruta do mundo natural.
No entanto, a composição química e de mana dentro das sementes de cacau criava uma reação nos Orcs que lhes permitia acessar a força e o poder que estavam ocultos dentro de seus próprios corpos.
Essa era a razão pela qual eles tratavam as árvores de cacau como seu território sagrado. Era o que lhes dava força para proteger suas terras de qualquer ameaça.
E se o sabor das sementes de cacau fosse menos amargo, eles sempre as estariam consumindo como lanche, mantendo-se em um estado permanente de força e poder.
Infelizmente, esses Orcs odiavam tanto seu sabor amargo que só comiam em emergências ou quando realmente precisavam.
O Chefe fechou os olhos e agradeceu pela bênção da Deusa. Agachou-se, com as coxas quase paralelas ao chão.
Ele bateu suas próprias coxas com as mãos ao mesmo tempo, criando um som rítmico que reverberou por toda a floresta de árvores de cacau.
— BU! TO! TO! — gritou o Chefe bem alto.
Começou a bater mais forte e mais forte, mostrando o quanto seu corpo se tornara resiliente graças à transformação provocada pelas sementes de cacau.
— BU! TO! TO! —
E de alguma forma, sua voz começou a ressoar com os sons produzidos pelo seu corpo. Cada esclapada era sustentada e reforçada pelo mana da Terra que emanava do corpo do Chefe, sendo transmitida ao redor como ondas sonoras.
Ao passar pelas árvores de cacau, seus galhos começaram a balançar como se fossem atingidos por uma rajada de vento.
O ritual do Chefe se intensificou, com o som provocando cada vez mais balanços nos galhos, até que, finalmente, as próprias árvores começaram a balançar de um lado a outro, como se estivessem dançando!