
Capítulo 144
Renascido como o Gênio da Família Mais Rica
Michael olhou fixamente para Yuna, sem palavras. Ver sua idol de K-pop favorita reencarnada na mesma realidade que ele quase o fez perder todas as funções.
Enquanto isso, Yuna terminou sua apresentação e fez uma reverência ao público. Sua experiência como cantora ficou evidente neste momento, permitindo que ela saísse do palco com graça, sem que ninguém percebesse que ela estava nervosa.
Ao descer do palco, ela olhou para Michael e fez um gesto para que ele a seguisse.
Michael flutuou até ela e o acompanhou pelos bastidores, onde finalmente poderiam conversar a sós.
Ela rapidamente se virou, inclinando-se para frente com as mãos atrás das costas.
"Você é do meu antigo mundo?" Yuna perguntou a ele em inglês.
[Ela está te fazendo uma pergunta, Michael.]
Só quando o ChatJK3 exclamou em sua cabeça é que ele conseguiu sair do estupor.
"Eh… sim. Desculpe, estou um pouco confuso. Você é a Yuna Kim?" ele perguntou, ainda tentando conciliar a imagem da ídola de K-pop com a garota que ela era agora.
Yuna balançou a cabeça. "Não, agora sou Montgomery. A Yuna Kim que você mencionou morreu."
Michael a olhou e só então percebeu algo. Se ela reencarnou neste mundo assim como ele, então isso só poderia significar que ela morreu no mundo anterior.
E ele sabia muito bem que era melhor não perguntar as circunstâncias de sua morte.
Porém, havia algo que ele achava estranho.
Mesmo tendo reencarnado, o rosto dela ainda parecia o mesmo de antes, só mais jovem. Se ela fosse mais velha, então ele teria pensado que ela tinha se transportado para este mundo sem morrer.
Por outro lado, ele ganhou um corpo novo e um rosto completamente diferente do antigo.
Será que isso é por causa da minha morte ser acidental? Michael perguntou ao ChatJK3, mas seu assistente de IA pessoal não tinha resposta.
"Adorei como você fez este lugar," Yuna disse, olhando para os edifícios modernos ao redor. "Eu também gostaria de ter feito energia elétrica, mas não sei nada sobre isso."
Michael tinha a mesma ignorância. Ele não entendia nada de como funcionavam um carro ou uma descarga de banheiro. Tudo graças ao ChatJK3.
"Tive ajuda," ele respondeu a ela.
Yuna parou de caminhar e olhou para trás, para ele. "Provavelmente um presente da deusa, né? Eu também tenho um, mas é mais voltado para… combate. Às vezes, parece até uma trapaça demais, sabe."
"Sim, entendo exatamente o que você sente," Michael disse sorrindo. Era revigorante conversar com alguém que sabia exatamente o que ele estava passando.
Por mais que amasse seus pais, Lylia e Bart, ele não tinha coragem de contar que tinha reencarnado de outro mundo. Tinha medo que eles pensassem que ele não era mais filho deles, apenas um alienígena tomando seu lugar.
"Você também reencarnou como bebê?" ele perguntou.
"Foi TÃO chato!" ela reclamou. "Cheguei a quase contar para meus pais que eu conseguia falar, só pra me divertir com a reação deles."
Michael sorriu. Ele também tinha pensado nisso. "Eu me distraí reunindo mana."
Yuna se aproximou dele e, brincando, empurrou suavemente com o dedo. "Você é um trapaceiro. Meu talento é nas artes físicas, então não podia fazer nada quando era bebê. Ugh. Queria que a deusa tivesse me dado um talento igual ao seu."
Michael sorriu e acenou com orgulho. "Isso mesmo. A deusa me deve bastante, por isso fez minha vida bem mais fácil. Consegui fazer um chuveiro funcionando quando tinha cinco anos."
Yuna cruzou os braços e fez bico. "Tô morrendo de inveja!"
"Ah, e eu também fiz um pouco de sabonete…"
Michael e Yuna começaram a conversar sobre suas experiências nesta vida, as dificuldades e as alegrias.
Apesar de virem de origens completamente diferentes—um nerd comum que passava o dia todo no quarto, e a outra sendo uma ídola de K-pop extrovertida, adorada por milhões—Michael não se sentia constrangido ao falar com ela.
Acho que essa é a razão de ela ser querida por todos. É muito fácil de conversar, pensou Michael consigo mesmo.
"Você precisa fazer sorvete!" Yuna quase implorou para Michael. "Por favor. Você tem que fazer. É sua responsabilidade, sendo o único capaz de fazê-lo."
"Eu estou planejando," ele disse, tentando acalmá-la com delicadeza.
"Ei, nada de zombar de mim. Ficou vivendo em um mundo medieval por tempo demais, e você vive aqui na sua nação com bastante conforto," ela falou, encarando-o de forma desafiadora.
"Por isso mesmo estou planejando expandir minha empresa para a região das Rainhas," explicou. "Quero começar a vender torneiras, cimento e talvez até energia elétrica lá."
Os olhos de Yuna se arregalaram. "Sim! Você devia mesmo fazer isso. Sabe de uma coisa? Eu até vou ajudar de graça. Nossa família é bem conhecida por nossas conexões, sabia?"
"Sério?" ele perguntou, levantando as sobrancelhas.
"Não fiquei parada nesses últimos dez anos. Estive me aprofundando na arena política de todo o continente, conhecendo todos os principais atores nos territórios."
"Acho que posso te ajudar. Claro, por um preço. Talvez uma caixa de sorvete seja suficiente," Yuna disse com ganância, os olhos já cheios de cones de sorvete de cookie e creme.
Michael pensou por um instante. "Isso vai me ajudar bastante. Estamos quase terminando os preparativos para a estrada que vai para a região das Rainhas."
Foi nesse momento que Yuna percebeu algo sobre Michael.
"Sabe, você disse que é sua habilidade trapaceira que faz tudo por você. Mas, acho que isso não tem nada a ver com o fato de você ter conseguido se aliar ao Reino dos Anões," ela disse sinceramente.
"Tudo que aprendi sobre os anões é que eles não se importam com coisas materiais. Dragões lhes ofereceram cofres de ouro. Elfos lhes ofereceram magia. Humanos tentaram dar tudo isso também."
"Nenhum deles teve sucesso. Mas você conseguiu. Como?"
Michael deu de ombros. "Para ser honesto, eu não fiz nada de especial."
Mas Yuna sabia que isso não era verdade. Só o fato de demi-humanos serem tão aceitos em toda a sociedade do Reino já mostrava que Michael tinha cultivado algo que os anões gostaram tanto que estavam dispostos a abrir suas portas.
Por mais que ele dissesse que era apenas um cara comum, Yuna pensava de forma diferente.