
Capítulo 88
Renascido como o Gênio da Família Mais Rica
Apesar dos apelos de seus conselheiros para que mudasse de ideia, o Rei Anão seguiu adiante com seus planos de se "infiltrar" na aldeia.
Por motivos de segurança, disfarçou-se através de magia para parecer um anão comum.
Sua estatura mais elevada foi lentamente diminuindo, suas sobrancelhas ardentes ficaram mais brandas, e a traçada complexa de sua barba que cobria metade do rosto se desembaraçou, tornando-se uma cascata fluida até seus joelhos.
Todo traço de seu sangue real anão desapareceu, transformando-o em um anão comum e honesto.
Quem olhasse para o Rei Anão sentiria como se ele fosse apenas mais um.
Por exemplo, o Rei Anão aproximou-se de uma única cabana de madeira no meio da floresta e bateu à porta de Thrain.
"Há alguém—" o Rei Anão rugiu, mas rapidamente percebeu que sua voz era demasiado intimidante, então precisou mudar o tom. "Tem alguém aqui?"
Thrain saiu da cabana e recebeu o novo anão com um sorriso. "Olá, veio procurar o paraíso nas Terras Áridas? Qual é o seu nome?"
O Rei Anão tossiu e pensou rapidamente na primeira coisa que veio à cabeça. "Meu nome é Biru, e sim, busco o lugar onde há muita cerveja!"
Thrain riu consigo mesmo. Biru talvez fosse o centésimo anão que corria até sua cabana só nesta semana. A difusão da cerveja pelo reino fez os anões perceberem a aldeia de Michael muito mais rápido do que ele mesmo podia acompanhar.
"Você tem sorte," disse Thrain, dando uma palmada nas costas do Rei Anão com um BOIANG. "O carro vai chegar agora."
A poucos minutos, um forte BEEP BEEP ressoou pela floresta, sinalizando a chegada do automóvel do outro lado do muro.
Thrain acompanhou Biru até a parede, permitindo que o Rei Anão fixasse seus olhos na imponente muralha de concreto branco que se ergia acima das árvores.
"Incrível…" comentou Biru.
Thrain explicou-lhe sobre este novo material chamado "concreto" e como foi utilizado para construir essas paredes resistentes em apenas alguns dias.
"Aliás, você é de alguma vila nos arredores do reino? Se for, pode nos informar, assim podemos construir uma nova parede no lugar do assentamento destruído," perguntou Thrain, mas Biru respondeu que não havia necessidade.
Por fim, avistaram o automóvel, surpreendendo o Rei Anão.
Era uma estrutura de metal quadrada, sem cavalo, mas capaz de correr tão rápido quanto um.
"Então, é isso que chamam de automóvel…"
E, de forma estranha, quem dirigia esse veículo estranho era um anão!
"Thrain, mais um recruta?" perguntou o anão ao abrir a porta.
"Sim! Obrigado por busca-lo!" Thrain guiou Biru até o automóvel e voltou ao seu posto, esperando a próxima leva de anões que precisassem de ajuda.
O automóvel começou a avançar, e o Rei Anão não conseguiu deixar de olhar para o anão que o conduzia.
Ficou impressionado ao perceber que um anão estava tão integrado na cultura da aldeia que era ele quem dirigia aquele veículo. Os anões odiavam ficar longe de suas forjas por muito tempo, e mesmo assim, este voluntariamente fazia isso.
"Essa é a única maneira de contribuir para a aldeia," explicou o anão.
O Rei Anão ouviu que ninguém era forçado a trabalhar na vila, embora todos trabalhassem com mais afinco do que nunca. Isso não fazia sentido para ele.
Ele ficou ainda mais curioso para entender como a aldeia funcionava e fazia os anões agirem assim.
…
…
…
Depois de alguns dias, Biru, o Rei Anão, finalmente chegou ao "paraíso" nas Terras Áridas.
Ele só pôde ficar admirado diante dessa civilização estranha. Macacos e Anões caminhavam pelas ruas com sorrisos no rosto, como se fossem felizes o tempo todo.
"Você deve ser o novo anão! Bem-vindo à nossa vila!" disse um anão, vestindo roupas vermelhas exóticas.
"Sim, meu nome é Biru…" respondeu o Rei Anão, estendendo a mão para apertar a do outro anão.
Porém, ao invés disso, sentiu um BOUANDE na altura dos ombros, enquanto o anão envolvia seus braços ao redor dele. "Não se preocupe, vou garantir que você se adapte rápido à vila."
Se estivesse no reino dos anões, esse anão provavelmente teria perdido a mão por tocar o Rei.
Porém, estranhamente, Biru não ficou ofendido. Essa foi a primeira vez que alguém se aproximou dele sem reservas, tratando-o como um anão comum.
"Primeiro, vamos ao campo de beisebol!" disse o anão.
"Beisebol? O que é essa palavra tão estranha?"
"É o nosso esporte!" respondeu o anão, puxando a camisa para mostrar as palavras "Mineradores Anões" bordadas na frente. "Nosso time finalmente chegou às finais!"
Sem alternativa, Biru foi puxado pelos combatentes pelas ruas com força.
O Rei Anão observou enquanto outros anões e macacos os saudavam ao passar, dizendo um simples "Olá" ou uma brincalhona ameaça: "Vamos ganhar de você na noite de hoje!"
Crianças anões e macacos brincavam nas ruas, despreocupadas.
Passaram pela praça, onde o cheiro de carne bem temperada impregnava o ar. Havia barracas ao redor, vendendo comida exótica que todos pareciam adorar.
Por fim, o anão levou Biru até o campo de beisebol, onde muitos anões estavam se aquecendo para o jogo.
No caminho, o Rei Anão foi informado de tudo sobre o beisebol, incluindo as rivalidades entre os times da vila.
E ficou claro para Biru que isso era uma grande questão para eles. Ele não entendia por que os anões levavam tão a sério um jogo tão pequeno, quando poderiam estar fazendo outras coisas com o tempo deles.
"Ei, pessoal! Temos um novo anão entre nós. Vamos dar as boas-vindas, ok?"
Os anões, todos de uniformes de beisebol e equipamentos de proteção que Michael havia feito para eles, olharam para Biru e o receberam com entusiasmo. Logo começaram a ensiná-lo sobre o esporte, como bater na bola ou arremessar.
Mas Biru ainda não conseguia entender por que todos gostavam tanto de beisebol.
"Por que vocês estão tão sérios? Beisebol parece fácil," disse Biru.
Os anões congelaram e olharam para Biru. Para eles, aquilo era uma frase que não podia ser dita levianamente sem ter a habilidade para sustentar.
Seus olhos brilhavam com uma estranha empolgação, como se tivessem algo especial planejado para o pequeno novato.
Biru parecia ter esquecido que não era rei, mas um forasteiro nesta vila. Tinha muito a aprender, e os anões estavam prontos para ensiná-lo, quer ele quisesse ou não.