Renascido como o Gênio da Família Mais Rica

Capítulo 74

Renascido como o Gênio da Família Mais Rica

Michael não interpretou os olhares estranhos deles como falta de educação. Afinal, eles tinham acabado de passar por uma experiência traumática. Sua aldeia inteira foi destruída em questão de segundos e, se não estivessem atentos, poderiam ter perdido a vida também.

"Não temos muito a oferecer, mas por favor, entrem," disse Thrain, acolhendo-o em seu refúgio seguro.

Michael entrou na casa quase destruída dos anões e viu uma aldeia inteira deles amontoada naquele espaço bem pequeno.

Se não fosse sua baixa estatura, eles não conseguiriam caber em um lugar tão apertado. Afinal, seu número já chegava a quase três dígitos!

"Como anões, somos indebted a retribuir o dobro do que vocês fizeram por nós. No entanto, no momento, não podemos cumprir isso," disse Thrain, com aspecto de desculpa.

Mas Michael balançou a cabeça. "Não precisa se preocupar com isso por enquanto. Parece que vocês estão passando por dificuldades."

Todos estavam trocando mordidas em um único pedaço de pão. Era sua única comida.

"Nosso orgulho não nos permitiria aceitar algo assim, mas você tem toda razão. Nossa aldeia está completamente destruída e não temos para onde ir," disse Thrain, sentado na cadeira oposta a Michael.

"Por quê?" perguntou Michael. "Vocês não fazem parte do Reino dos Anões? Eles não ajudariam a reconstruir a aldeia?"

Thrain e os demais soltaram um gemido de desânimo. "Infelizmente, a ajuda deles só viria meses depois. Não duvidamos que o Rei dos Anões esteja atualmente alocando todos os recursos na reconstrução das muralhas antes de tentar reconstruir vilarejos nas periferias do reino."

"Não os culpamos. Como rei, ele precisa priorizar as muralhas acima de tudo. Mas isso nos deixa sem para onde ir."

Os anões pareciam extremamente abatidos ao pensar no que o futuro lhes reservava.

Teriam que se deslocar para um lugar que não fosse devastado por deslizamentos e fosse rico em recursos.

Porém, encontrar esse lugar seria uma tarefa extremamente difícil. Afinal, esse país era predominantemente um reino para humanos. Tudo já tinha sido tomado ou conquistado por eles, deixando os anões sem um lugar para viver, mesmo na região do rei.

E não podiam simplesmente tentar viver com os humanos. Como semi-humanos, os anões não eram considerados normais na sociedade. Isso era especialmente verdadeiro porque foi sua própria raça quem decidiu se isolar dos humanos em primeiro lugar.

Assim, Thrain e os outros anões teriam que procurar os confins do continente não conquistados pelos humanos ou arriscar uma fuga pelo mar.

"Agradecemos a ajuda, Michael. Mas se queremos chegar aos oceanos, é melhor começarmos agora."

"Se o destino permitir, espero que nos encontremos novamente em melhores circunstâncias, para podermos retribuir por terem salvado nossas vidas," Thrain levantou-se da cadeira e estendeu a mão a Michael.

Os demais anões também agradeceram a Michael antes de começarem a arrumar suas coisas para a viagem que os levaria para longe do Reino dos Anões.

Mas, antes mesmo de terminarem de arrumar as malas, Michael os encarou e fez uma pergunta simples:

"Se estiverem procurando um lugar para ficar, por que não ficam na nossa aldeia?"

Thrain e os outros anões olharam para Michael, mas, em vez de levá-lo a sério, pensaram que aquilo era apenas um gesto sem sentido vindo de uma criança de dez anos.

"Agradecemos, Michael. Mas não é tão simples assim. Não podemos viver em sociedade humana, pois nossos costumes e modo de vida são totalmente diferentes. Também somos criaturas de metal, o que significa que, eventualmente, quereremos reconstruir nossas forjas para a ferraria."

"Então, a não ser que sua casa esteja em um lugar bem distante da sociedade humana, vamos ter que recusar educadamente."

Michael sorriu.

"Na verdade…"

Ele começou a contar tudo sobre sua aldeia nas Terras Áridas, onde eles tinham água, comida e espaço de sobra para criar uma grande comunidade de Macacos Amarelos.

Thrain lançou um olhar estranho para Michael. Afinal, suas palavras pareciam completamente boas demais para serem verdade.

Primeiro, ele disse que os Macacos Amarelos habitavam sua comunidade, onde cada um tinha seu trabalho e sua missão na aldeia. Mas, pelo que sabiam, os Macacos Amarelos eram criaturas de raciocínio simples.

Segundo, afirmou que a aldeia ficava nas Terras Áridas. Como o nome sugeria, era um lugar sem água. Mas Michael garantiu que sua aldeia tinha abundantemente água e comida para sustentar todos.

Não que eles não confiassem em Michael, mas aquelas palavras eram, de fato, boas demais para serem verdade.

Era exatamente o que eles precisavam, como se o próprio céu estivesse banhando ouro para eles colherem à vontade.

"Por que não dar uma passada lá na nossa aldeia primeiro? Vocês vão mesmo seguir para o oceano, certo? Podem fazer um desvio e conferir a vila com seus próprios olhos," disse Michael, com os demais anões começando a acreditar em suas palavras.

"Você não tem motivo para mentir," Thrain refletiu sozinho. "E, como você disse, vamos nessa direção mesmo…"

Ele e os demais anões adultos se reuniram para conversar sobre a decisão.

Depois de alguns minutos, todos concordaram em seguir o que Michael propôs. Afinal, não perderiam nada se tentassem.

"Então, aceitamos sua oferta," respondeu Thrain.

"Ótimo! Já chamei ajuda, e eles devem chegar em breve a este local," disse Michael, olhando para a distante cidade de Kingsbridge.

"Ah! Michael, você tem uma carruagem que podemos usar?!" perguntou Thrain, ansioso.

Isso trouxe um sorriso radiante aos rostos dos anões. Com uma carruagem, não precisariam mais gastar energia andando longas distâncias.

"Espero que tenham trazido um cavalo bem forte. Nós, anões, somos bem robustos, haha," brincou Thrain.

Michael coçou a cabeça de forma constrangida e disse: "Bem... tem potência, com certeza."

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