
Capítulo 798
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Perspectiva de Elizabeth
Elizabeth manteve sua arma baixa enquanto observava Marte.
A tensão entre eles tinha diminuído um pouco, e ela soltou uma respiração lenta.
"A gente realmente não precisa brigar um com o outro," ela disse.
Marte assentiu. "É. Somos do mesmo planeta. Não vejo motivo para ir tão longe."
Ele pausou, depois deu de ombros.
"Apesar de ainda querer lutar um pouco. Só não até a morte."
Elizabeth lançou um olhar para ele.
Ele apenas sorriu de resposta.
Antes que pudesse falar novamente, as sombras aos seus pés começaram a ondular.
Ela sentiu primeiro como uma leve pressão, como algo empurrando de baixo para cima.
Marte também percebeu.
"Você está fazendo isso?" ele perguntou.
"Não. Isso é outra coisa," ela respondeu.
As sombras se expandiram e se torceram. Uma figura surgiu lentamente das trevas.
Cabelos dourados. Olhos dourados.
Zeus.
Ele cambaleou para frente como se tivesse acabado de acordar de um sono profundo.
Seus olhos ficaram desfocados por um instante, depois se voltaram rapidamente para Elizabeth e Marte ao percebê-los.
Ele congelou.
Então, todo o seu corpo ficou tenso como uma besta acuada.
"Vocês são com o Neo Hargraves?" ele perguntou.
Sua voz era séria, e seu tom afiado o suficiente para que Elizabeth sentisse sua própria aura mudar em resposta.
Ela franziu o cenho.
Algo na maneira como ele disse o nome de Neo fez seu sangue ferver.
"Por que está perguntando isso?" Elizabeth perguntou.
Zeus estreitou os olhos. "Responda-me. Vocês são com ele?"
Elizabeth sentiu uma pressão baixa aumentando no peito.
Não era exatamente raiva.
Era um instinto reagindo ao perigo.
Ele odeia Neo. Ele vê Neo como inimigo.
E se Neo o selou… então seu ódio deve ser profundo.
Peças de informação se encaixaram em sua mente.
'Neo deve ter o selado em Espaço das Sombras.'
'E quando Neo morreu, o Espaço das Sombras colapsou, e o selo se quebrou.'
'O que significa que ele agora está livre.'
Seu aperto na arma se firmou ainda mais.
Antes que pudesse agir, Marte levantou a mão.
"Não há necessidade de lutar," ele disse.
Elizabeth se virou para ele. "Do que está falando?"
Marte apontou diretamente para Zeus.
"Aquele homem não pode fazer nada aqui."
A expressão de Zeus mudou.
Ele levantou a mão e ativou energia divina— ou tentou.
Nada aconteceu.
Ele tentou novamente.
E de novo.
Nada aconteceu.
Seu rosto se torceu em confusão.
Marte assentiu. "Sim. Eu tinha essa ideia."
Zeus o encarou. "O que você fez?"
"Não fiz nada. Os Deus Elementais e os Deus da Divindade não têm seu poder usual aqui. Este lugar não se importa com quem você era lá fora," disse Marte.
Ele cruzou os braços.
"Aqui, você é basicamente uma pessoa normal."
Zeus olhou para as mãos dele, depois para o chão.
Ativou feitiço após feitiço, mas nada respondeu.
Ele parecia… chocado.
Elizabeth abaixou a arma novamente, mas não relaxou completamente.
"Explique-se. Quem é você e o que está fazendo aqui?" disse Marte, com calma.
…
Pico das Sombras Além do Mundo, Seita Celestial
Uma chama se apagou.
Dentro do templo silencioso no topo da montanha, o homem que era Guardião das Chamas abriu os olhos.
Havia milhares de chamas por toda a câmara gigante, cada uma flutuando acima de um pequeno pedestal de pedra.
Cada chama representava uma vida.
Ele se levantou e caminhou em direção àquela que acabara de desaparecer.
Somente fumaça permanecia acima do pedestal.
"Mais um…" ele sussurrou.
Normalmente, na antiguidade, a morte de um discípulo teria causado ondas de choque na seita.
A vingança teria sido exigida.
A honra da seita estaria em risco.
Mas na era atual, o Qi do Céu e Terra quase desapareceu.
Cultivadores eram raros.
Recursos, ainda mais.
Se um discípulo morresse agora, os membros da seita muitas vezes sentiriam alívio, mais do que tristeza.
Um menos consumindo o pouco Qi disponível.
Mas desta vez, foi diferente.
O Guardião se abaixou e examinou o nome gravado no pedestal.
Sua mão tremia.
"Bai Zhen… um discípulo interno."
Não era um discípulo externo comum, cuja morte poderia ser ignorada.
Um discípulo interno representava talento significativo.
A morte dele não era algo que a seita pudesse deixar passar.
"Isso é ruim," ele sussurrou novamente.
Ele olhou em direção às galerias distantes onde residia o Mestre do Pico.
"Preciso relatar isso imediatamente."
Ele se virou e saiu apressado do templo, o coração acelerado.
Algo estava acontecendo no mundo novamente.
E ele temia que o Pico Além das Sombras do Mundo estivesse prestes a ser envolvido nisso.
…
Perspectiva de Neo
Não havia nada.
Nada mesmo.
Neo não sentia seu corpo.
Ele não sentia o tempo.
Ele não sentia existência.
Não tinha pensamentos. Nem consciência.
Ele flutuava em um lugar onde até a ideia de "flutuar" não fazia sentido.
Ele não estava vivo.
Ele não estava morto.
Ele simplesmente não era.
Nessa escuridão vazia, telas azuis apareciam uma após a outra.
[Neo Hargraves devorou Cultivador Bai Zhen.]
[Status será transferido. Nenhum corpo físico presente. Impossível transferir status.]
[Memórias serão transferidas. Nenhum corpo físico ou metafísico presente. Impossível transferir memórias.]
[Caminho será— Caminho será— Caminhobe— Caminhobe— Caminhobe— Caminhobe— Caminhobe— Caminhobe— Caminhobe— Caminhobe— Caminhobe— Caminhobe— Caminhobe— Caminhobe— Caminhobe— Caminhobe— Caminhobe— Caminhobe— Caminhobe— Caminhobe]
As telas apresentaram falhas, como uma máquina quebrando.
As letras se alongaram e se repetiram.
Vozes se sobrepuseram.
Sinais colidiram.
Mais telas apareceram de repente.
[Você conectou ao Dao do Além das Sombras—]
[Você conectou ao dao do além das sombras—Você conectou ao dao do além das sombras— Você conectou ao dao do além das sombras— Você conectou ao dao do além das sombrasVocê conectou ao dao do além das sombrasVocê conectou ao dao do além das sombrasVocê conectou ao dao do além das sombrasVocê conectou ao dao do além das sombras]
Todo espaço ao redor dele tremeu.
As telas piscavam violentamente, suas palavras colidindo até perderem o sentido.
Depois, tudo parou.
A própria nulidade tremeu.
Uma presença emergiu.
Algo impossível.
Algo que não pertencia a qualquer universo que Neo tivesse conhecido.
Uma [Entidade] apareceu.
Era impossível observar e descrever sua aparência.
Sua existência sozinha parecia uma violação da realidade.
A nulidade ao redor de Neo recuou.
Não era viva, mas parecia aterrorizada.
Ela se encolheu, como se estivesse fugindo da [Entidade].
Enquanto recuava, algo mais surgiu à vista.
Uma esfera.
Uma pequena, brilhante esfera cercada por correntes invisíveis de lei.
O Cosmo de Neo.
Sua identidade como Quebra-Céus.
Sua Dao.
A sua acumulação de vida.
Tudo que ele conquistou.
A [Entidade] olhou para o Cosmo.
O Cosmo tremeu.
Não fisicamente, mas em seu núcleo.
O medo se espalhou por ele, uma sensação tão forte que Neo teria desabado se tivesse um corpo.
O Cosmo queria morrer.
Entregar-se.
Pedir desculpas por existir.
Então, a [Entidade] abriu a boca.
"—————!"
O som era indescritível.
Não era um som, mas rasgou tudo ao redor.
A nulidade rachou ao meio.
O Cosmo se despedaçou como vidro fino.
De dentro dos fragmentos, surgiu outra coisa.
Outra [Entidade].
Tão esmagadora quanto a primeira.
Impossível de suportar também.
A nulidade enlouqueceu.
Se tivesse uma voz, teria gritado.
Mas as duas [Entidades] não se importaram.
Elas se encararam com uma força que fez o espaço vazio se contorcer.
Suas auras subiram.
A pressão se intensificou.
Parecia que uma luta iria acontecer a qualquer momento.
Então—
Toque.
Toque.
Alguém caminhou em direção a elas.
Os passos ecoaram pelo espaço vazio, com um som estranho de calma.
As duas [Entidades] se voltaram para o visitante.
"Ele é apenas o Primeiro Passo. E até a nova Dao que ganhou é só o Terceiro Passo. Por que vocês já estão brigando por ele?"
Cole saiu das trevas.
Seu tom era calmo, mas seus olhos eram afiados e frios.
Sua aura cresceu lentamente, como o rugido de um leão ressoando por um vale.
A pressão empurrou contra as duas [Entidades], forçando-as a recuar.
A primeira [Entidade] gritou.
A segunda [Entidade] rugiu de volta.
Suas auras se lançaram para frente e colidiram contra Cole como ondas de maré.
O segundo [Entidade]—a que emergiu do Cosmo despedaçado de Neo—mostrou os dentes.
Parecia furiosa.
Como se se sentisse ofendida por alguém ousar enfrentá-la.
Ela se inclinou para frente, pronta para lutar.
Porém, a primeira [Entidade] de repente recuou sua aura.
O segundo [Entidade] olhou para ela surpreso.
"———!"
"—————!!!!"
Elas trocaram uma série de sons que qualquer mente normal não conseguiria entender.
Após um momento, o segundo [Entidade] Rangeu os dentes, irritado.
Encarnou seu olhar em Cole como se estivesse memorizando sua existência.
Então, a primeira [Entidade] se fundiu com a segunda.
Seus formatos ondularam e lentamente se condensaram numa única presença.
O segundo [Entidade] lançou mais um olhar para Cole.
E então recuou.
À medida que se fundiam, algo mais se formou atrás deles.
O Cosmo de Neo, reparado.
Restaurado.
Flutuando como uma esfera silenciosa no vazio.
Telas azuis apareceram diante dele.
[Caminho conquistado.]
[Você obteve acesso ao Dao do Além das Sombras.]
A expressão de Cole mudou instantaneamente.
O ar de calma relaxada desapareceu de seu rosto.
Ele olhou fixamente para as telas, com mandíbula apertada.
Depois, avançou em direção ao Cosmo de Neo.
"Você realmente tem uma [Destino] que atrai problemas. Mesmo estando morto ou meio morto, as coisas sempre se complicam ao seu redor."
Mais telas apareceram ao redor do Cosmo de Neo.
[Você devorou um Cultivador, seu Caminho e seu Dao.]
[Você demonstrou sinceridade exemplar.]
[O Dao do Devorar lhe concedeu sua bênção.]
[Você obteve acesso ao Dao do Devorar.]
Quando essas telas piscarem, o rosto de Cole ficará ainda mais fechado.
Ao lado das duas [Entidades], outra presença surgiu.
Era sutil, mas inconfundível.
Não era um ser comum.
Cole ergueu a mão.
Ele respirou fundo e soltou um suspiro suave.
"Ah… tudo bem."
Ele fechou os olhos e permitiu que a maldição de Neo, colocada por Apollyon, fosse ativada.