
Capítulo 50
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Neo esboçou um sorriso.
— Ah? Então... que tal assim? A pessoa que... dormir primeiro... perderia...
Eles precisavam ficar acordados a qualquer custo.
Entrar em coma pelo estado em que estavam poderia matá-los.
— Ei, princesa, por que você não está... dizendo nada? —
Neo gastou sua energia para falar.
Ele continuava perguntando, provocando, garantindo que ela respondesse e não adormecesse.
Não havia uma razão profunda por trás de suas ações.
Após dias sobrevivendo juntos, ele não queria que ela morresse.
Neo sentia isso.
Estava perto do seu limite.
A morte estava ali na esquina.
Para ela e para ele.
De repente, ouviu um som de sino.
[Quest concluída]
[Maldicidade do Encantamento da Essência adquirida.]
[Exp de Imortal +50]
[Imortal de nível 5 dominado.]
[Iniciando aprimoramento…]
Neo gritou.
Ele apertou o peito e começou a sangrar pelos orifícios.
Faltava Energia Divina para subir de nível.
Seu corpo começou a se consumir para compensar isso.
Sentia como se mil agulhas estivessem sendo cravadas nele.
Neo fez o máximo para impedir sua progressão.
De repente, a dor cessou.
[Energia insuficiente.]
[Pausando temporariamente a evolução.]
Neo suspirou aliviado.
A dor tinha apagado toda a sonolência.
Porém, o enfraquecia.
Neo deu uma risada baixa.
Estava à beira da morte.
Mas...
A missão confirmou isso.
O torneio havia acabado.
Neo venceu...
Ele tinha conquistado!
Uma presença desconhecida apareceu dentro da caverna enquanto ele se encontrava em um estado de euforia.
— Hahaha, você estava rindo assim nessa situação? —
O homem, meio-homem e meio-cavalo, o pegou cuidadosamente.
— Acho que só mesmo ficando louco pra desafiar as Grandes Clãs de Deuses. —
Ele devolveu Obitus a Neo quase inconsciente e sorriu.
— Parabéns, garoto. —
— Você é o campeão do 526º torneio de classificação. Aproveite, hoje você entrou pra história. —
…
Sarnie Maze
Sob a Montanha Columbus
Elizabeth avançava pelo labirinto.
Seus saltos ecoavam contra as lajotas quebradas.
As paredes laterais estavam decoradas com murais.
Eles falavam do futuro, de uma era onde os deuses desapareciam, de um mundo rumo ao desastre.
Ela chegou diante de uma porta gigante.
Ao empurrá-la, ela rangia.
Ondas de Energia Divina densa a atingiam ao entrar na sala.
No centro, flutuava uma tridente feita de metal etéreo azul, acorrentada.
Ela exalava Energia Divina forte o suficiente para destruir demigods mais fracos assim que se aproximassem.
Elizabeth segurou a tridente.
As correntes se quebraram.
Um poder sobrenatural fluía pelo seu corpo através da arma.
Ele tumultuava.
A Energia Divina no ambiente se descontrolou.
Fissuras surgiram no chão e as colunas que sustentavam o teto tremeram.
— Pare! —
A Energia Divina se acalmou ao comando de Elizabeth.
Depois de pegar a arma, ela olhou para os murais no teto.
Mostravam a história dos quatro cavaleiros…
Com seu cavalo vermelho, a Morte, o primeiro cavaleiro.
Conquista, o segundo, sobre o cavalo branco.
Fome, o terceiro, no cavalo roxo.
Guerra, o quarto, no cavalo dourado.
…
O olhar de Elizabeth fixou-se no primeiro cavaleiro.
O Labirinto Sarnie, escondido sob o Monte Columbus, foi criado pelo ancestral de Elizabeth na Era dos Deuses.
Era um aviso para o futuro.
— A Morte... será ele?
Elizabeth apertou o tridente com mais força e cortou para cima.
O teto e os murais foram destruídos.
…
Infirmário
Academia de Demigods
O cheiro de álcool e antissépticos invadiu o nariz de Neo.
Ele abriu os olhos.
— Grap! Grap! —
O barulho assustou Henry, que estava ao seu lado.
— Não tente se mexer, idiota. —
Henry agarrou a testa de Neo e forçou-o a ficar parado.
Só soltou quando ele assentiu com a cabeça.
Henry voltou à sua cadeira, resmungando.
— Cinco ossos quebrados, vinte lacerações, inchaço em vários lugares, anemia, desnutrição e uma leve lesão cerebral traumática.
— É um milagre que você tenha sobrevivido uma semana assim.
— Que idiota, qual é a graça de ganhar o torneio se você foi o mais apanhado?
— Como assim— Grap! Grap! E a Morrigan?
A face de Henry ficou séria ao ouvir a pergunta de Neo.
Ele encarou Neo com raiva.
— É a primeira coisa que você pergunta ao acordar?
— Eu... desculpa?
— …
— Como você está, irmão?
— ….
— Ahahaha, não está feliz que eu ganhei?
…
Henry permaneceu em silêncio, olhando fixamente.
— Estou bem. Não se preocupe—
— Para de falar se não quer que eu quebre sua cara. —
Neo fechou a boca.
Henry resmungou, clicando a língua.
Seus dedos se moveram em direção ao bolso, mas ele se lembrou de onde estava e parou.
— Droga! Não posso nem fumar aqui. Que droga! —
Henry levantou-se.
Ele pegou duas pilhas de documentos da mesa e atirou na cama de Neo no infirmário.
— Essa é sua fala para a cerimônia de abertura de amanhã.
— A primeira é dada pela academia. Não use. É cheia de besteira.
— Leia a segunda que eu escrevi. —
Por coincidência, o discurso de Henry tinha uma página só, enquanto o da academia tinha cinco.
Neo não precisava ser gênio para entender o conteúdo do discurso de Henry.
— Entendi. —
Neo continuou.
— Mas e a Morrigan—
— Não diga o nome dela na minha frente.
— Eu não ligo por que seu idiota ajudou a vadia que tentou te matar.
— Só espero que você não esteja vivo por causa de uma burrice dessas. —
A raiva de Henry respondeu a Neo.
Ele não estaria tão nervoso se Morrigan tivesse morrido.
‘Então ela sobreviveu.’
Neo ficou aliviado.
A morte dela teria afetado negativamente o futuro.
— Droga! Não suporto te ver assim. Por que demora tanto pra te curar? —
Henry estava irritado por não poder usar seus curandeiros para tratar Neo.
Aparentemente, por Neo ter afinidade com o tipo Dark, não podia ser curado com Afinidade Divina.
Isso destruiria seu corpo.
Precisavam usar elixires e remédios para salvá-lo.
O fato de ele ter cauterizado a ferida no antebraço e deixado a de no estômago infeccionar por uma semana tornou mais difícil sua cura.
Se Henry não estivesse tão irritado por quase ver seu irmão morrer na transmissão, a incompetência da Academia de Demigods teria resolvido tudo.
— Estou bem, — falou Neo. — Calma.
— Você deveria agradecer por estar vivo, sua idiota. Se não, eu teria ressuscitado você e acabado com sua vida com as próprias mãos. —
Neo sorriu de forma amarga.
Por sorte, a transmissão mostrava apenas batalhas.
Se Henry tivesse visto Neo sofrendo uma semana, ele poderia ter invadido o torneio e causado o caos.
Sorrindo, Neo virou o olhar para as portas.
Ele conseguiu ver duas pessoas espiando na direção dele.