
Capítulo 42
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Neo pulou do segundo andar.
Ele não precisava usar o Abraço do Oceano para alturas assim.
Um Centopéia Sombria foi esmagada sob seus pés.
Antes que pudesse se recuperar, outros Encantamentos Sombrio atacaram-no.
Descenderam arcos de relâmpagos que acertaram e afastaram os monstros.
Neo entrou no meio do grupo de criaturas.
Felix e Arthur desceram atrás dele.
"Qual é o plano desta vez!?" Arthur gritou acima do barulho dos monstros.
"Procurem pelo Invocador das Sombras!"
Neo desferiu um golpe de sua espada para esmagar a Mantis Sombria.
Logo atrás dele, Arthur e Felix se dividiram para procurar.
Neo não usou o Abraço do Oceano nem o Toque Necrosante.
Ele precisava economizar Energia Divina e enfrentaria uma situação pior ao entrar no Submundo.
Era a sua chance de treinar.
Ele agarrou a cabeça de um Monstro Sombrio e a quebrou contra o chão.
Enquanto lutava, Arthur gritou.
"Não consigo achar o Invocador! O que fazemos!?"
Neo balançou sua espada em um arco amplo para criar espaço para si mesmo.
Os monstros recuaram.
'São muitos. Não posso usar minha Afinidade da Morte para localizar o Invocador Sombrio.'
Sua afinidade o alertava sobre perigos e permitia detectar a sede de sangue.
No entanto, era inútil na situação atual.
"Consegue fazer alguma coisa com os monstros!?" Neo questionou.
Não obteve resposta.
Circulado por monstros Sombrio de todos os lados, Neo não conseguia ver a situação de Arthur ou Felix.
Duvidava que esses dois também pudessem se encontrar.
"Eu consigo!" Arthur gritou depois de um tempo. "Mas é perigoso! Felix e você também vão se ferir!"
"Eu dou conta! E o Felix!?"
"Não se preocupe comigo! Façam isso!"
A resposta de Felix trouxe uma carranca no rosto de Neo.
Mas ele não se aprofundou nisso.
"Ok! Cubra-me por um minuto!"
Arthur fez um símbolo com a mão e rapidamente pronunciou um feitiço.
Faíscas de relâmpagos escaparam de seu corpo.
Enquanto ficava indefeso, os monstros tentaram atacá-lo, mas foram parados por Neo, que correu para ganhar tempo para Arthur.
O ar ficou tense.
Os pelos de Neo na nuca se eriçaram.
Ele sabia que Arthur usava um ataque poderoso.
Os monstros sombrios entenderam o mesmo.
Ficaram selvagens e atacaram sem se importar com sua própria segurança.
Neo usou o Abraço do Oceano.
Colocou seu corpo em risco para proteger Arthur.
Logo, Arthur falou,
"Já chega. Sai de perto de mim."
Seu corpo foi envolto por relâmpagos dourados.
Brilhava tanto que Neo precisou se encolher.
"Estouro de trovão," murmurou Arthur.
Os relâmpagos cobrindo seu corpo ficaram fora de controle.
Raivosos, gigantescas correntes de relâmpagos dispararam sem ordem ou ritmo.
A orquestra de trovões continuou por alguns segundos.
Quando parou, só ficou o chão carbonizado e um cheiro de queimado.
Arthur caiu de joelhos.
Suas roupas estavam encharcadas de suor, e ele arfava pesadamente.
"Eu não aguento… respir… respir… lutar mais um pouco… respirar…"
Os monstros sombrios foram destruídos.
No entanto, Neo pôde ver sombras se contorcendo no chão.
Eles estavam se recuperando.
Ele precisava ser rápido.
Neo focou seus sentidos.
Escaneou o ambiente.
Sede de sangue…!
Seus olhos foram até a árvore no final da área, fora do alcance do último ataque de Arthur.
A sombra da árvore de repente se moveu.
Parecia uma sombra comum.
Mas…
Neo podia enxergar a intensa sede de sangue emanando dela mesmo com os olhos fechados.
Um sorriso apareceu em seu rosto.
De repente, a sombra começou a correr. Sabia que tinha sido descoberta.
"É ele… Vai…" Arthur incentivou Neo.
Neo pegou uma pedra do chão, avaliou o peso e a arremessou.
A sombra tentou desviar, mas tropeçou e caiu após um passo em falso.
Antes que pudesse se levantar, Neo já estava ao seu lado.
Ele agarrou o pescoço da sombra.
"Vamos ver a cara do nosso amigo."
Usou um Toque Necrosante enfraquecido.
Não o suficiente para matar, mas para fazê-lo sentir a pior dor da vida dele.
A sombra soltou o feitiço com um grito.
Sua aparência real revelou-se um menino com bochechas afundadas, cabelo preto e olhos negros.
O menino sorriu.
"H-hahaha. Você perdeu!"
…!
Neo percebeu que algo estava errado e olhou para trás.
Arthur caminhava em sua direção, mas…
Felix tinha desaparecido.
"Isso mesmo! Nós tomamos seu amigo como refém!" O menino riu. "Não tente lutar comigo se valorizar a vida dele!"
Neo franziu a testa.
'Não era Felix quem disse que poderia bloquear o ataque do Arthur. Deveria ter entendido isso antes.'
O rosto de Arthur virou uma carranca ao descobrir o que estava acontecendo.
"Procure na área. Os amigos dele ou quem sabe Felix estejam por perto. Vou tentar obter informações dele."
Arthur assentiu com a cabeça para as palavras de Neo.
Seus músculos estavam doloridos, e mal conseguia ficar de pé direito.
Mas não tinha tempo para reclamar.
A morte acontecia todo ano durante o torneio.
Se atrasassem, talvez nunca mais vissem Felix.
Arthur saiu.
Quando viu a expressão desesperada no rosto de Arthur, o menino riu.
Ele olhou nos olhos de Neo.
"Não adianta! Já entregamos seu amigo para—"
"Clã Zeus?"
Neo falou calmamente.
Nathan, o menino, franziu a testa com sua postura de tranquilidade.
"Você acha que estou brincando? Seu amigo vai morrer se você não escutar o que tenho a dizer!"
"Sério? Não estou nem aí."
Felix era fraco, mas não era inútil.
A única coisa em que ele era bom era sobreviver.
Até mesmo baratas podiam aprender com ele.
"Ele foi sequestrado e é responsabilidade dele escapar," disse Neo.
Era uma coisa boa que ele tivesse enviado Arthur embora para uma tarefa inútil.
Ele provavelmente não teria gostado das palavras de Neo.
"-Você está mentindo."
"Quer uma prova?"
Neo intensificou o Toque Necrosante.
O menino rangeu e mordeu os lábios para tentar segurar os gritos que ameaçavam explodir.
"Não me importa se você ou aquele cara morrem."
"O-o que você quer!? Por que está fazendo isso comigo!?"
Ele começou a gritar como se Neo tivesse lhe feito algo de errado.
Neo ficou confuso.
Ele não era quem tinha vindo para matar eles?
Por que havia o culpando quando ele mesmo tinha recebido o mesmo tratamento?
No entanto, a questão era perda de tempo.
Havia uma outra razão pela qual Neo queria conversar com Nathan sozinho.