Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 767

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Ponto de vista de Vivienne

Vivienne sentava silenciosamente à beira do pavilhão.

Seus dedos repousavam na xícara de porcelana, que já estava fria há muito tempo.

O céu acima dela estava calmo, mas seus olhos não estavam.

Eles brilhavam levemente, refletindo flashes distantes de uma tempestade que não estava em lugar algum desta galáxia.

Ela podia vê-la.

Uma vasta onda de energia e escuridão se espalhava ao longe, engolindo tudo o que tocava.

"Você realmente vai?" ela perguntou suavemente, sua voz rompendo o silêncio. "Essa coisa é perigosa demais. Devíamos deixar esse universo e não lutar contra isso."

O brilho em seus olhos diminuiu enquanto ela se virava em direção a Kevin.

Kevin não falou nada inicialmente. Ele

apenas olhou para cima, observando o horizonte onde a onda brilhava fracamente ao longe.

Depois, ele assintiu.

"Não vá," ela disse novamente, com o tom mais incisivo desta vez. "Você vai morrer."

"Eu não vou. Essas são as coisas para as quais tenho me preparado. Tenho limpado Missões há bilhões de anos para batalhas como esta."

Vivienne olhou para sua xícara, com a mão se fechando com mais força.

Ela sabia que essas Missões vinham do próprio Cosmos.

Kevin não era como Neo.

Neo tinha se tornado um Destruidor do Céu, quebrado regras e caído em desgraça.

Mas Kevin… Kevin ainda possuía a benção do Cosmos.

Ele era um Deus Divino do Reino, além de um Apóstolo.

Cada Missão que completava o tornava mais forte.

"Kevin," ela sussurrou, "por favor."

"Isso é importante para mim."

Seus olhos estavam firmes.

Ele se levantou e começou a caminhar, o leve zumbido de sua aura balançando o ar ao redor dele.

Ele se dirigia para a Sede da Aliança, onde Neo — o Destruidor do Céu — tinha aparecido.

"Kevin!" a voz de Vivienne quebrou. "Você também é importante para mim!"

Ele parou no meio do caminho.

"Não preciso mais recuperar meus poderes. Por favor, pare. Eu não posso te perder," ela disse, com os olhos tremendo.

Kevin virou um pouco a cabeça, com o rosto indecifrável.

A verdade era que ele não tinha lealdade real à Aliança.

Ele nunca se importou com suas guerras ou política.

A única razão dele defendê-los era por causa de sua Missão em andamento.

[Missão: Proteger a Aliança]

[Recompensa: Fragmento da Autoridade do Tempo]

Aquela recompensa significava tudo.

Ela poderia restaurar uma parte da Autoridade perdida de Vivienne.

Ele vinha protegendo a Aliança o tempo todo, não por eles, mas por ela.

Ele não precisava ajudá-los a ficarem mais fortes.

Ele não precisava ajudá-los a vencer.

A Missão não exigia isso.

Após um silêncio prolongado, Kevin finalmente olhou para ela uma última vez.

"Voltarei em breve," ele disse.

Depois, ele deixou o planeta, desaparecendo na vastidão entre as estrelas.

Vivienne ficou encarando o céu vazio por um longo tempo, sua xícara tremendo na mão.

Ela ainda conseguia ver a onda, distante, mas crescendo a cada segundo.

Ponto de vista do Deus das Máquinas

Dentro de uma fortaleza mecânica imensa, uma figura feita de ossos prateados e engrenagens se escondia em um laboratório repleto de peças brilhantes.

O Deus das Máquinas movia-se rapidamente, puxando dispositivos e pergaminhos de todos os cantos.

Suas mãos metálicas clicavam rapidamente enquanto enfiava itens nos bolsos dimensionais.

"Unidade-07," ele ordenou. "O protótipo do Golem Garantidor do Céu foi devolvido?"

Uma voz suave, sem emoção, respondeu de uma esfera de cristal flutuante. "Sim, Mestre. Foi devolvido por aquele que atende pelo nome de 'Eu'."

"Aquele maldito 'Eu.' Não confio nele nem um pouco. Faça uma análise completa no golem. Procure vírus, quebras estruturais ou códigos ocultos."

"Sim, Mestre. Realizando diagnósticos."

Ele riu de repente, um som metálico e áspero. "Só emprestei esse protótipo porque ele me pagou com algo valioso. Os planos das Verdadeiras Armas da Alma. Hahaha! Com eles, posso finalmente fazer isso. Posso criar um verdadeiro Destruidor do Céu mecânico!"

Centelhas brilham ao redor do laboratório enquanto a inteligência artificial projeta os planos no ar.

Desenhos intrincados de máquinas vivas, fundidas com núcleos divinos, flutuavam acima do Deus das Máquinas.

"Finalmente," ele sussurrou. "Depois de todo esse tempo…"

A voz da IA o interrompeu. "Mestre, há uma anomalia. Uma enorme onda de energia sombria está se espalhando pelo Domínio Dourado. A Aliança está solicitando reforços contra ela. O que devemos fazer?"

O Deus das Máquinas olhou para a imagem.

Era a mesma onda escura que Vivienne tinha visto.

Seus orifícios oculares vazios brilhavam intensamente.

"'Eu' já nos avisou que isso aconteceria. Ele disse que se resolveria sozinho," lembrou a IA.

"Bah," ele resmungou. "Não confio nesse homem. Ele esconde demais por trás de seus sorrisos. E aquele Destruidor do Céu…"

Sua voz abaixou de tom.

"Aquele lunático é demais. Não entendo como conseguiu chegar a esse nível sem sequer saber controlar corretamente a Energia Mundial. Não vou ficar por aqui para ver o que acontece quando ele conseguir."

O tom da IA mudou um pouco. "Então, para onde vamos, Mestre? Para os Horizontes Espatifados?"

O Deus das Máquinas hesitou.

Então, uma risada lenta e sinistra escapou do seu peito metálico.

"Hehehehehehe… Não. Vamos além. Para as Terras Verdadeiras Abençoadas! O lugar abençoado pelo Ser Celestial! Veremos se até mesmo um Destruidor do Céu consegue alcançar tão longe."

A fortaleza começou a vibrar à medida que inúmeras máquinas ativavam-se em uníssono.

Em poucos minutos, ela desapareceu através de uma rachadura dimensional, deixando apenas um eco de risada desaparecendo no ar.

Ponto de vista da Sede da Aliança

Algumas horas antes.

A Sede da Aliança vivia em completo caos.

Rhaegor-Kul, o Líder Supremo da Aliança, bateu com força na mesa de controle.

"Encontrem-nos! Encontrem Velion e Kaelus agora!"

Decenas de subcomandantes espalharam-se pelo salão.

Relatórios chegavam um após o outro, mas nenhum era bom.

Os dois dragões — Velion e Kaelus — haviam desaparecido sem deixar rastro.

Em circunstâncias normais, Rhaegor-Kul não se importaria.

Mas Velion tinha sido quem selou o Destruidor do Céu.

Se algo tivesse acontecido com ele, o selo poderia se romper.

E se o Destruidor do Céu fosse libertado…

De repente, uma onda de energia se espalhou pelo espaço.

Todos na sala de comando congelaram.

Esse fenômeno…

Só acontecia quando um Novo Deus do Estágio 6 surgia.

Normalmente, os Deuses escondiam sua ascensão, ocultando sua localização para evitar ataques.

Porém, essa presença não estava se escondendo.

Ela estava se anunciando.

"Isto não pode estar certo… Isso parece mais forte que até um Estágio 6 no auge," afirmou os olhos de Rhaegor-Kul, endurecidos.

Ele se virou para seus oficiais.

"Encontrem a origem. Agora!"

Um jovem oficial gaguejou, "Senhor, encontramos algo. Uma transmissão do setor onde Velion e Kaelus desapareceram."

A sala ficou em silêncio enquanto a tela holográfica ganhava vida.

Todos ficaram olhando fixamente.

Lá, no centro da transmissão, estava um homem cercado por trevas e energia tempestuosa. Sua presença só fazia a câmera tremer.

A boca de Rhaegor-Kul ficou seca.

"O Destruidor do Céu…" alguém sussurrou.

Nameless Death encarou diretamente as câmeras que transmitiam sua imagem por toda a rede divina da Aliança.

"Aliança," sua voz ecoou, calma mas carregada de poder. "Comecem a contar seu tempo."

Então, a transmissão foi interrompida.

Durante alguns segundos, ninguém se mexeu.

Todos perceberam que o pior cenário havia acontecido.

O Destruidor do Céu foi libertado e atingiu o Estágio 6.

"Contatem as frotas!"

"Ativem os escudos planetários!"

"Evacuem os setores de alto valor!"

Vozes se sobrepuseram em pânico enquanto os níveis de energia disparavam pelo Domínio Dourado.

Relatórios de planetas ficando às escuras, legiões inteiras desaparecendo sem deixar rastros, chegavam continuamente.

Ninguém sabia ao certo o que estava acontecendo.

Toda a sede da aliança entrou em um tumulto de pânico.

Quando finalmente chegaram as notícias do que estava acontecendo, suas costas estavam encharcadas de suor.

"Ele está colocando tudo no seu Cosmos," disse um oficial, incrédulo.

Outros afirmaram que ele não só colocou os Deuses da Aliança em seu Cosmos, como estava simplesmente devorando-os, apagando suas existências completamente.

Ninguém podia confirmar o que era verdade, pois nada que entrava na onda de energia e escuridão jamais retornava.

Rhaegor-Kul rangeu os dentes, sua aura se intensificando. "Onde está 'Eu'? Ele sabia que isso iria acontecer?"

Ninguém respondeu.

O silêncio na sala de comando era pesado.

Rhaegor-Kul suspeitava há muito tempo que 'Eu' — o misterioso negociador que lidava tanto com Deuses quanto com dragões — vinha os usando.

Mas agora, essa suspeita parecia uma certeza.

Ele cerrou os punhos, a voz tremendo de raiva. "Fomos enganados."

Do lado de fora da sede, as estrelas começaram a escurecer.

A onda vinha vindo.

E o Destruidor do Céu — agora um Deus do Estágio 6 — já estava na porta deles.

As muralhas douradas da capital da Aliança tremeram enquanto alarmes ecoaram pelo espaço.

Rhaegor-Kul olhou para o horizonte escuro pelo vidro, sentindo a energia do mundo se contorcer violentamente.

"Preparem-se para o impacto," ele murmurou.

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