Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 769

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Mesmo a Aliança nunca tivera realmente confiado nele.

Para eles, ele era apenas uma ferramenta útil. Um traidor que poderia trair novamente, se fosse conveniente.

"Você foi miserável, mesmo quando achava que tinha vencido."

Neo não sentia raiva.

Apenas uma sincera pena por quão baixo um ser poderia cair.

Mas então, o mundo ao seu redor mudou.

Neo de repente percebeu que algo mudara profundamente dentro de sua existência.

O Olho do Observador da Existência — o mesmo que Xel'thar havia roubado — estava se fundindo a ele.

Uma onda de energia pulsou por seu corpo.

Sua cabeça ficou pesada, sua visão distorcida.

Então, alarmes começaram a soar em sua mente.

Parecia que ele estava sendo conectado a algo enorme. Algo muito além da compreensão.

Um fio, estendendo-se rumo a um desconhecido vasto, o ligava diretamente a um gigante adormecido.

E essa presença…

Era antiga, ferida e repousando.

Mas, à medida que Neo se conectava, ela se agitou.

Uma voz profunda ecoou dentro de sua mente. Era pesada, distante e cheia de autoridade que poderia esmagar estrelas.

"Quem está aí?"

Neo congelou.

A pressão daquela voz quase que quebrou seus pensamentos.

Depois, a voz ficou mais clara.

"Um… Quebra-Céus? É você, Ultris?"

Luzes douradas começaram a se materializar ao redor de Neo.

Os alarmes na mente de Neo explodiram.

Seus instintos gritaram para que ele parasse imediatamente e cortasse a conexão.

Aquele brilho dourado. Aquela pressão familiar.

Neo se lembrou dela.

Era a mesma presença dourada que vira quando conheceu o Caçador do Tempo, Void.

A antiga entidade que se aprisionara em ciclos sem fim para lutar contra esse inimigo em particular.

Era a mesma.

Aquela que o Caçador do Tempo vinha combatendo desde tempos imemoriais.

"Registros Celestiais", gritou Neo, segurando a cabeça, "corte a conexão!"

Não houve resposta.

A existência do outro lado começava a despertar, lentamente abrindo os olhos após eras de sono.

O corpo de Neo tremeu.

Uma raiva intensa surgiu de dentro dele.

Ele percebeu rapidamente que não era sua própria raiva.

Os sentimentos vinham de seu sangue.

Ele podia sentir seu coração pulsando dolorosamente enquanto seu sangue reagia por conta própria.

Seu sangue antigo lembrou de algo. Uma batalha que ocorrera entre seu povo e essa entidade.

A marca da Ouroboros nas suas costas de repente queimou.

O símbolo da antiga serpente torceu-se violentamente, reagindo à mesma presença.

A escuridão saiu de Neo em ondas densas.

A energia se torcia e se enroscava como sombras vivas, castigando o chão.

"Corte a conexão, Neo!"

A voz da cacofonia gritou em sua mente.

Seu tom era agudo, desesperado, quase em pânico.

Era um aviso para que ele cortasse a conexão antes que a Existência daquele que Não Deve Ser Nomeado despertasse.

"Solte o olho! Corte agora, antes que acorde!"

Neo tentou. De verdade tentou.

Concentrou sua vontade, tentando se separar do Olho do Observador da Existência.

Mas a conexão não se quebrou.

Em vez disso, telas brilhantes apareceram diante de seus olhos, piscando rapidamente.

[Erro! Incapaz de cortar a conexão!]

[O vínculo está sendo mantido do outro lado!]

Neo rangeu os dentes e tentou arrancar o olho de sua alma, mas o elo era forçadamente preservado do lado de lá.

"Você… ficou mais fraco, Ultris", disse novamente a voz.

A entidade ainda estava em sono profundo, falando como se estivesse sonhando.

Mas o som de suas palavras fez o espaço ao redor de Neo se distorcer.

Ele cambaleou.

Sua respiração saiu em hampas pesadas.

O Olho do Observador da Existência brilhou violentamente.

A luz dourada subiu pelo seu braço, queimando suas veias.

Os arredores de Neo começaram a tremer.

O espaço ao seu redor se torcia, e cada camada de existência parecia ondular de dor.

A entidade estava localizando ele através do Olho.

A energia dourada explodiu ao redor de Neo.

E, no mesmo instante, a semente das Trevas dentro dele — que estava silenciosa há tanto tempo — começou a tremer.

Ela pulsou uma vez.

Depois de novo.

E, antes que Neo pudesse reagir, ela explodiu com energia.

A escuridão inundou seu corpo como uma enxurrada, chocando-se contra a luz dourada.

A visão de Neo se turvou.

Sua cabeça girou.

Não conseguia distinguir onde a escuridão terminava e onde sua própria energia começava.

A luz dourada pulsou antes de ser engolida pela escuridão que se espalhava.

Ela percorreu suas veias, seus ossos, até seus pensamentos.

Parecia viva.

Ele arfou, tentando sufocar, mas ela só ficava mais forte.

Seu corpo tremeu como se algo dentro dele estivesse se despedaçando.

Então, ele percebeu o que era.

"Moraine…" ele sussurrou, com a voz fraca.

Era ela quem controlava.

Mas como?

Como ela pôde manipular a Semente Elemental das Trevas que repousava dentro do seu Núcleo?

Somente ele deveria ser capaz de controlá-la.

Ainda assim, de algum modo, ela havia penetrado nele, distorcido sua essência e potencializado tudo a um nível autodestrutivo.

A Semente Elemental ficou intensa, alimentando-se de si mesma.

Neo sentiu sua própria Existência sendo consumida aos poucos.

Uma frieza vazia se espalhou pelo peito dele, enquanto parte de sua essência desaparecia.

Ele tentou resistir, mas sua força desaparecia rapidamente.

A escuridão devorava cada vez mais, até começar a se consumir, colapsando para dentro como uma estrela moribunda.

Neo rangeu os dentes e reuniu suas últimas forças, invocando o pouco de poder que restava.

Mas a Semente das Trevas havia desaparecido.

Ela tinha sido completamente consumida, deixando apenas uma dor oca onde havia estado.

Sua respiração ficou difícil. Cada fonha queimava.

A luz dourada que saia dele piscou uma vez, depois desapareceu como fumaça.

A parte de sua Existência onde o Olho do Observador da Existência estava conectado foi consumida pela Semente das Trevas que se fortaleceu.

Caiu de joelhos, segurando o peito.

"O que foi—"

As palavras morreram na garganta ao ser rasgada por uma dor aguda nas costas.

Os olhos de Neo se arregalaram.

Olhou para baixo e viu a ponta de uma espada atravessando seu peito, refletindo de leve a luz brilhante no final do brilho diminuindo.

Kevin estava de pé atrás dele, segurando com firmeza a lâmina.

A voz de Neo saiu pesada. "Kevin…?"

Kevin não respondeu.

Expressão fria e concentrada.

Ele torceu a espada Severant e a puxou de uma só vez.

Neo cambaleou para frente, tossindo.

Seus joelhos tocaram o chão.

Kevin deu um passo à frente, segurando Severant com força.

A lâmina vibrava com energia, reagindo à fraqueza de Neo.

"Você estava distraído", disse Kevin em tom calmo.

Neo tentou se levantar, mas seu corpo não respondeu.

Sua Existência estava fraca demais depois que Moraine devorou uma grande parte dele para salvá-lo daquele ser conectado ao Olho do Observador da Existência.

Kevin levantou novamente a espada.

A lâmina brilhou, cortando o ar com um leve ondular que distorceu o espaço ao redor.

A lâmina desceu.

O corpo de Neo se quebrou em incontáveis fragmentos de Existência, dispersos pelo ar como vidro quebrado.

A autoridade de Severant o cortou em fragmentos demais para contar.

Cada fragmento pisca fracamente, brilhando um pouco antes de sumir na sombra.

Kevin não hesitou.

Movendo a mão, desenhou runas no ar com o sangue ainda pingando da lâmina de Severant.

Os símbolos acenderam, formando pequenas esferas que brilhavam com luz deformada.

Ele apontou a espada para os fragmentos.

"Bifurcação Temporal".

Um a um, os fragmentos da existência de Neo eram puxados para dentro das esferas brilhantes.

Cada fragmento gritou silenciosamente antes de desaparecer, preso dentro do seu próprio campo de tempo isolado.

Não estava colocando Neo dentro de um selo temporal, mas sim colocando cada Existência que ele cortara de Neo em um universo tipo linha do tempo separado em uma dimensão alternativa.

“…!”

Kevin sentiu uma resistência.

Ficou surpreso por Neo ainda conseguir lutar, mesmo naquele estado.

Mas Kevin estava preparado.

Ele sacou outra espada. Uma de demônio.

A espada brilhou, criando inúmeras cópias de si mesma, e cada cópia perfurou uma linha do tempo de universo paralelo que Kevin havia criado.

A espada selou o universo paralelo, cortando sua linha do tempo do universo principal.

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