Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 760

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Quartel-General da Aliança

O Quartel-General da Aliança estava repleto de comemoração.

O ar brilhava com luz divina, risos e o som de canecas tilintando.

A vitória finalmente tinha sido conquistada.

Os Sóis Esquecidos — a espinha dorsal de seus inimigos — tinham caído.

Seus generais foram mortos, e até mesmo seu Líder Supremo foi apagado da existência.

Em toda a imensa sala de mármore, Deuses e Dragões Antigos brindavam ao fim da guerra.

Suas armaduras brilhavam douradas e ensanguentadas.

Suas formas divinas apenas se apagavam levemente, devido ao cansaço da batalha.

Banners representando centenas de reinos pendiam do teto, balançando como se o próprio ar estivesse celebrando seu triunfo.

No centro da festividade, longas mesas transbordavam de néctar e ambrosia.

Porém, por trás do barulho de alegria, uma compreensão mútua fria e silenciosa permanecia.

A festa de vitória não era uma reunião de amigos.

Era uma reunião de governantes, cada um calculando seu próximo passo.

Muitos Deuses caíram quando o Supremo Sombra desceu.

Sua morte foi trágica, sim.

Mas ninguém aqui lamentou.

Na Aliança, uma morte simplesmente significava oportunidade.

Com menos Deuses, a divisão das terras conquistadas renderia fatias maiores para quem ainda estava vivo.

Eles sorriam e brindavam mais alto do que antes, fingindo não perceber as linhas invisíveis que já estavam sendo traçadas no mapa do novo mundo.

O Líder Supremo da Aliança sentava-se no trono central, vestindo roupas preto e dourado.

Sua presença comandava silêncio sem precisar dizer uma palavra.

Quando se levantou, até mesmo os Dragões Antigos lhe deram espaço.

Sua visão foi para o canto mais distante da sala, onde uma tênue distorção no ar indicava a presença de alguém.

Lá estava um homem, ou pelo menos algo que se assemelhava a um homem.

Sua figura inteira coberta de fumaça ondulante.

Faces se voltaram para ele, mas logo perderam o interesse.

Era como se ele existisse fora de seu alcance, invisível e insignificante, exceto para aqueles que tentavam olhar diretamente.

O Líder Supremo caminhou em direção a ele, seus passos ecoando suavemente pelo mármore.

"Então", começou o Líder Supremo, parando a alguns passos de distância, "você afirma que não soube da descida do Supremo Sombra?"

O homem coberto de fumaça deu uma risada suave.

"Hahaha… Um mero ser como eu? Prever a vontade de um Supremão? Você me dá muito crédito."

A expressão do Líder Supremo não mudou.

Ele o encarou, longa e profundamente, como se tentasse ver além do véu de fumaça.

O tom do homem era leve, mas algo em sua calmaria não soava bem.

"Você ainda não me contou por quê", disse o Líder Supremo. "Por que nos ajudou? Poderia ter ficado de fora desta guerra. Você tinha alguma rancor contra a família do Soberano, como os Dragões Antigos?"

A figura inclinou a cabeça, como se estivesse divertido.

"Hmm? Você quer dizer contra o Quebra-Céus?"

Sua forma de fumaça pulsou levemente.

"Não, ele não é um inimigo. Ele foi um inimigo no passado, sim. Mas agora, eu o chamaria de meu benfeitor."

Isso causou algumas carrancas nos Deuses próximos, que tinham se reunido para ouvir.

A palavra benfeitor soava errada, quase blasfema.

O Quebra-Céus fora seu inimigo, o mais forte dos Sóis Esquecidos.

As sobrancelhas do Líder Supremo se franziram. "Benfeitor? Ele insultou a Aliança ao invadir nossas portas e cuspir em nós. Você lutou ao nosso lado, e ainda assim fala assim."

"Falo a verdade", disse o homem em voz baixa. "Você não entenderia."

O Líder Supremo abriu a boca para insistir, mas o homem levantou uma mão.

"Então, estarei me despedindo. A guerra acabou, e minha parte nela terminou."

A fumaça começou a desaparecer de sua forma, espalhando-se em finos filamentos que flutuavam para cima como névoa.

O Líder Supremo chamou: "Antes de ir, me diga uma coisa."

O homem pausou, quase sumindo.

"A Era das Trevas ainda persiste. Mesmo após a derrota dos Sóis Esquecidos, o rio do tempo continua fora do nosso alcance. Sabe por quê?"

A figura de fumaça ficou em silêncio por um momento.

Então, uma risada suave escapou dele.

"Não sei. Mas vocês não deveriam se preocupar demais. Talvez o próprio rio do Tempo esteja inquieto porque um novo Supremão está prestes a surgir."

As palavras ficaram no ar, pesadas e incertas.

Ele continuou: "Com a decadência atual do nosso universo, é natural que o nascimento de alguém verdadeiramente poderoso gere turbulência. Grandes ondas, como vocês podem chamar."

As sobrancelhas do Líder Supremo se tensaram ainda mais.

Ele não gostava de enigmas, e esse homem falava sempre em enigmas.

Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, a fumaça desapareceu completamente.

A figura, conhecida apenas como Eu, havia desaparecido.

O Líder Supremo permaneceu ali, em silêncio.

Depois, Murmurou baixinho: "Fique de olho nele."

Uma ondulação se espalhou a partir de sua sombra.

"Conforme desejar, Imperador", respondeu uma voz.

A sombra se alongou, deslizando em direção à borda da sala, mas antes de partir, uma enorme garra desceu com força.

Todo o chão tremeu.

Um pé de dragão, revestido de escamas obsidianas, triturou a sombra instantaneamente.

A sala ficou em silêncio.

"Kram", disse uma voz grave e retumbante, com risos misturados de fumaça e calor, "o que faremos se eles tentarem ferir nosso benfeitor 'Eu'?"

Kram, o segundo dos Dragões Antigos, sorriu maliciosamente. "Devemos matá-los! Hahahaha!"

Os risos deles tremeram a sala, profundos e ensurdecedores.

Vários Deuses observavam a cena.

O Líder Supremo balançou a cabeça irritado.

"Selvagens", resmungou baixinho.

Ele poderia destruí-los se quisesse.

Um comando, um gesto, e ambos os dragões seriam destruídos sem remissão.

Mas ele não se moveu.

Esses dois não eram os únicos dragões ali.

Os demais observavam quietos, suas formas imensas descansando em cima de pilares dourados.

Suas escamas brilhavam como metal polido, seus olhos carregados de orgulho ancestral.

O olhar do Líder Supremo se endureceu.

A Era dos Dragões está prestes a começar, pensou severamente.

Mesmo assim, ele não tolerava desrespeito aberto.

Sua figura se difumou, e, no instante seguinte, Kram foi esmagado no chão.

O impacto rachou o mármore e enviou ondas de choque por toda a sala.

Os Deuses ficaram boquiabertos.

Os outros dragões rugiram de fúria, seus corpos se expandindo, enchendo o salão de calor e energia.

Mas o Líder Supremo não vacilou.

Sua presença aumentou, pressionando-os como o peso de uma estrela em colapso.

Seus olhos encontraram o dragão prateado próximo ao centro: Velion, o mais velho dos Dragões Antigos presentes, e de facto seu líder de fato.

"Mantenha seus irmãos sob controle", disse o Líder Supremo, sua voz calma, porém carregada de ameaça. "Da próxima vez que esquecerem seu lugar, não serei misericordioso. A única razão de eu me conter é porque você é quem está selando o Quebra-Céus."

Os dragões se agitaram, seus olhos fulminando com raiva quase contida.

Mas Velion apenas sorriu.

"Entendo. Vou garantir que meus irmãos aprendam um pouco de educação na próxima," disse suavemente.

Seu tom era cortês, mas a ponta de sua fala era afiada como uma lâmina.

O Líder Supremo bufou.

Virou-se, seu manto fluindo atrás dele.

Ao caminhar em direção à saída, os rugidos baixos dos dragões ecoaram pelo salão.

Os dragões não eram de deixar outros pisoteá-los.

Como o Líder Supremo da Aliança os tinha ofendido primeiro, era justo que eles ficassem atentos a ele.

"Rei tolo. Parece que não leu a história com atenção. Desrespeitar-nos não é diferente de convocar uma calamidade", murmurou Kaelus.

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