
Capítulo 747
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
A Orbe de Destruição de Laplace atingiu a muralha criada por Amelia, explodindo com um estrondo ensurdecedor.
Vapor e névoa preencheram o mundo completo de Amelia.
A explosão desapareceu lentamente.
Quando a névoa se dissipou, Laplace estava de pé, com uma expressão irritada no rosto.
Arthur havia retornado ao lado de Percival, segurando o corpo de Felix.
"Foi… surpreendente," disse Laplace baixinho.
Seus olhos não estavam em Amelia nem em Arthur.
Estavam em Percival.
"Você manipulou o Destino dele e o protegeu do Destino da Morte," falou Laplace, agora com um tom curioso. "Uma habilidade tão poderosa… Isso me lembra aquele idiota do 'Eu'."
Ele estreitou os olhos, estudando a existência de Percival com mais atenção.
"Espere. Agora que olho melhor—"
"Já chega, Laplace," a voz de Kaelus, um dos Dragões Ancestrais, ecoou de cima.
Laplace parou e olhou para cima.
Ele clicou a língua, irritado.
"Você não é nada divertido, Kaelus."
"Estamos aqui para não nos divertir."
Laplace suspirou, esticando o pescoço como se toda essa situação o entediasse.
"Tudo bem, tudo bem. Você sempre estraga a parte divertida."
Amelia e os outros permaneceram em silêncio, observando a troca.
O nariz de Percival sangrava bastante, e seus olhos tinham ficado completamente brancos.
Ele parecia cego, mas não era só isso.
Seu corpo tremia descontroladamente.
Ele vomitava sangue.
Amelia se agachou ao lado dele, tentando curá-lo enquanto tentava também reanimar Felix, mas suas habilidades não estavam funcionando.
Por mais que tentasse, as feridas de Percival não cicatrizavam.
Arthur já estava recuperado, embora sua respiração fosse pesada.
Suor escorria pelas têmporas enquanto ele se esforçava para ficar de pé.
"Cuide dos dois," disse Arthur, com a voz fraca, mas firme. "E se afastem. Eu vou usar minha Singularidade."
Os olhos de Amelia se arregalaram. "Arthur, isso é muito perigoso. Você não pode—"
"Não temos outra escolha," respondeu Arthur com firmeza. Seu tom não admitia discussão.
Ele se virou em direção a Laplace.
"Singularidade."
Naquele momento, a consciência de Arthur se desligou do corpo.
Parecia que sua essência estava sendo puxada para fora, flutuando sem peso em direção ao nada.
Quando abriu os olhos novamente, estava em uma escuridão total.
Sob ele, se estendia um vasto mar de chamas brancas, cada uma tremulando com vida.
Mar de Toda Consciência.
"Você está aqui," uma voz calma disse.
Arthur virou a cabeça e viu uma mulher se aproximando, a Bruxa da Ganância.
Ela flutuava em direção a ele.
Ele já tinha estado aqui antes, então sua presença não o surpreendeu.
"Pois bem," ela disse, cruzando os braços, "você usou sua Singularidade apesar dos meus avisos."
A voz dela carregava uma leve diversão.
"Tudo bem. Vá em frente, mas lembre-se das regras. Se você incorporar alguém muito mais forte do que você, perderá sua essência para sempre."
Arthur assentiu lentamente.
Ou melhor, seu presente corpo fez isso.
Ele era nada mais do que uma chama branca flutuando nesse mar infinito, parte de uma vasta rede de consciências que conectava todos os seres vivos.
Ele começou a se mover por ela, procurando.
A Singularidade de Arthur era [I]—a Singularidade de Si Mesmo.
Quando ativada, quebrava a lei que separava as identidades individuais.
Permitindo que ele incorporasse alguém mais, conectado a ele — sua Chama da Vida — dentro do Mar de Toda Consciência.
"Preciso incorporar alguém poderoso," murmurou, vasculhando a extensão brilhante abaixo.
Haviam inúmeras chamas, cada uma representando uma alma, uma pessoa, um ser.
Então, ele a viu.
Uma enorme espada feita de fogo branco.
Estava rachada, e parecia… cansada, pronta para se despedaçar a qualquer momento.
E, mesmo assim, a espada continuava ereta, orgulhosa. Como se dissesse que nada poderia fazê-la se curvar ou partir.
Ele soube de imediato a quem ela pertencia.
Neo.
Arthur se aproximou, estendendo a mão para alcançá-la, mas uma força poderosa o empurrou para trás.
Era impossível chegar perto.
Diferente das outras chamas conectadas, a Chama de Vida de Neo — sua essência — permanecia isolada, incomunicável, inacessível.
Arthur cerrava os punhos.
Ele tentou continuar procurando, mas quanto mais buscava, mais o desespero enchia seu peito.
Nenhuma das outras Chamas de Vida era forte o bastante para enfrentar um dragão antigo. Nem perto.
Então, ouviu algo, como o cantar de trovões ao longe.
Arthur se virou, estreitando os olhos ao distinguir uma chama que tremulava selvagem como uma tempestade.
Ela pulsava com força, faíscas estalando contra a escuridão.
Seu maxilar se apertou.
Ele conhecia aquela Chama de Vida. Conhecê-la a vida toda.
Ele a odiava.
Mas não podia negar sua força.
"Droga," sussurrou Arthur.
Não havia tempo para orgulho ou hesitação. Não quando as vidas de todos estavam em jogo.
Ele estendeu a mão em direção à chama como um relâmpago, deixando sua energia engoli-lo por completo.
…
De volta ao mundo real, Amelia observava Arthur com a respiração presa.
Seus olhos continuavam fechados, mas algo estava acontecendo.
Ela podia senti-lo. Sua presença estava mudando, se transformando em algo que não era mais dele.
Laplace franziu o cenho, mas não interrompeu.
Percebia que Arthur usava algo poderoso, então esperou em silêncio, cruzando os braços.
O corpo de Arthur começou a se transformar.
Sua postura ficou ereta.
Seus músculos ficaram mais definidos.
Seu cabelo brilhou em dourado intenso, e seu aura explodiu para fora, preenchendo o ar com uma pressão divina.
Coração de Amelia parou por um instante.
"O… quê?" ela sussurrou, a voz tremendo ao reconhecer a figura à sua frente. "Zeus?"
Laplace levantou uma sobrancelha.
O homem à sua frente abriu os olhos.
Ele olhou ao redor com uma expressão de dúvida.
"Hã?" Sua voz era profunda e autoritária. "O que está acontecendo aqui? Eu estava lutando contra Neo Hargraves e—"
Ele pausou.
Devagar, olhou para suas próprias mãos.
A expressão dele mudou de confusão para compreensão.
"Eu não sou Zeus," disse baixinho. Então, seu olhar se estreitou. "O que é isso… clonagem?"
Amelia congelou.
Isso não era para acontecer.
Segundo Arthur, quem quer que ele incorporasse acharia que era o original.
Suas memórias, poderes e personalidade seriam perfeitos.
Então, por que aquele percebeu que não era real?
Antes que pudesse pensar mais, Zeus — ou melhor, a forma incorporada por Arthur — se moveu numa fração de segundo.
Sua mão saiu rapidamente, firme ao redor do pescoço de Amelia.
Ela deu um grito, seu feitiço de cura vacilou.
"Quem sou eu?" Zeus exigiu, com o aperto ficando mais forte. "E o que está acontecendo aqui?"
"-Espere—" Amelia tentou falar.
"Não tente usar seus poderes, Querida," disse Zeus com frieza. A maneira como falou fez sua pele arrepiar. "Posso cortar sua conexão com seu Supremo. Nem pense em resistir."
"É o Arthur!" gritou Felix, tossindo enquanto se esforçava para levantar do chão, revivido. "Ele usou a Singularidade dele para incorporar você!"
Zeus virou-se para ele, relâmpagos formando-se levemente ao redor dos ombros.
"Então é essa criança," murmurou. Sua voz carregava emoções complexas.
Ele olhou para Laplace, que ainda permanecia em silêncio.
"Ele usou a Singularidade só para derrotar esse dragão?"
Felix assentiu lentamente. "Sim. É mais ou menos isso."
"Que tolice," zombou Zeus.
Ele soltou Amelia, que recuou, tossindo.
"Lute suas próprias batalhas," disse simplesmente, sua voz vibrando com energia divina.
Depois, ele flutuou para cima, o ar ao seu redor crepitando enquanto seu corpo reluzia com luz.
"Espere!" Amelia gritou, estendendo a mão. "Arthur, pare! Você vai se perder!"
Mas ele não olhou para trás.
As nuvens no topo do local roncavam enquanto a forma incorporada de Zeus se elevava mais alto, relâmpagos jorrando de suas pontas dos dedos.
O chão tremeu sob o peso imenso de sua presença.
Amelia ficou ali, segurando o pescoço.
Ela percebeu que o 'Zeus' planejava deixar o Local.