Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 739

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Ponto de vista de Zeus

O planeta estava silencioso, exceto pelo farfalhar da grama laranja balançando sob um vento violetas estranho.

Árvores roxas alcançavam um céu fraco, iluminado por três sóis pálidos, cujas sombras se estendiam longamente pelas planícies.

Zeus estava sozinho.

Seu olhar fixava-se na névoa que se espessificava à sua frente.

De dentro da névoa, surgiu uma figura.

Seu corpo era envolto por fumaça, que se deslocava e ondulava a cada movimento.

O homem caminhava com uma calma estranha, como se a terra alienígena lhe pertencesse.

Zeus não se moveu.

Em vez disso, ele abriu seu [Mundo].

Dentro do domínio recém-criado, nenhum elemental poderia espioná-los.

"Zeus, meu amigo. Faz tempo que não nos vemos." O homem riu, o som ecoando de forma estranha dentro da fumaça que o envolvia.

Zeus não respondeu.

"Por que essa cara fechada? Não ficou feliz em me ver?" o homem inclina a cabeça.

No entanto, Zeus permaneceu em silêncio.

Sua expressão era firme, e seus olhos eram penetrantes e pesados, como uma tempestade à beira de se desatar.

"Vamos lá," continuou o homem, a fumaça se deslocando como se zombasse do próprio ar. "Anime-se. Trago boas notícias."

Por fim, Zeus falou. Sua voz não transparecia calor algum. "O que houve? Acho que não preciso me reencarnar agora."

"Claro que não." O homem riu suavemente, como se a questão fosse trivial.

O olhar de Zeus não vacilou, mas o silêncio entre eles se alongou.

O homem parecia gostar disso, como se o silêncio próprio lhe desse espaço para respirar.

Zeus, assim como Kane, podia reencarnar no passado ou no futuro, pois era um Serafim.

Vários indivíduos da Era dos Deuses na Terra tinham se tornado Serafins.

Era uma tecnologia criada por Afrodite—a clone da Bruxa da Luxúria.

Servia para preservar seu mundo.

Através dela, os escolhidos—Serafins—podiam reencarnar enquanto escapavam do julgamento do Submundo.

O projeto tinha uma teoria simples.

Se um perigo aparecesse em uma época, o Serafim abandonaria aquela era, reencarnando no passado e treinando por séculos para enfrentar o que estivesse por vir.

Ou então, viajaria ao futuro, extraindo segredos e técnicas, e depois reencarnaria novamente no passado para acelerar o progresso de sua era.

A ideia era inovadora, quase milagrosa.

Porém, sua maior falha sempre foi evidente.

Ninguém poderia prever quando ou onde um Serafim reencarnaria.

Podiam despertar em um planeta fraco, onde o crescimento era impossível.

Ou pior, reencarnar no futuro e talvez não conseguir voltar ao seu próprio tempo por meio de outra reencarnação.

Alguns Serafins enlouqueceram após séculos de vidas fragmentadas.

A sanidade deles foi corroída pela quantidade de mortes e renascimentos.

Zeus e Kane nunca temeram a loucura.

Suas mentes eram muito mais fortes do que a da maioria, forjadas além dos limites habituais de deuses ou mortais.

Mesmo assim, nem eles conseguiam resolver o problema do controle do tempo e do local de reencarnação.

Até encontrarem ele.

O homem escondido na fumaça.

Ele se chamava "Eu".

Foi ele quem deu coordenadas e horário para Zeus.

Se Zeus e Kane morressem exatamente nos pontos indicados, eles reencarnariam exatamente onde prometido.

Foi assim que os dois conseguiram moldar seus caminhos, atingindo o ápice do Estágio 6.

Agora, "Eu" se aproximava, a fumaça se contorcendo como um sussurro ao redor dos ombros de Zeus.

"Bom, a boa notícia é..." Eu demorou um pouco, depois falou lentamente. "Encontrei o Demônio da Crueldade."

O rosto de Zeus se endureceu.

Seus olhos se estreitaram.

"Como você sabe do Demônio da Crueldade?"

"Você me conhece, Zeus," o homem riu. "Não há nada que eu não saiba. Até o fato de que você matou os deuses do seu mundo porque queria impedir o nascimento—"

"O que quer dizer com encontrou o Demônio da Crueldade?" interrompeu Zeus.

"É exatamente o que eu disse."

A fumaça se intensificou, sua forma quase se dissolvendo em névoa.

"Embora você tenha morto todos os deuses, o Demônio da Crueldade ainda nasceu."

"Isso não faz sentido," Zeus afirmou.

"Não deveria fazer," respondeu o homem, rindo suavemente. "A profecia era clara. O Demônio da Crueldade nasceria de um deus que viveu na Era dos Deuses em seu planeta. Você tentou eliminar essa possibilidade matando todos eles, e seus filhos. Mas…"

Ele fez uma pausa, a voz caindo na diversão mais uma vez.

"Tem certeza de que matou todos? Todos os deuses, todas as crianças?"

Zeus permaneceu em silêncio.

Alguns deuses eram Serafins, mas isso não importava. As crianças que nascessem em sua próxima encarnação não poderiam ser o Demônio da Crueldade, apenas na primeira vida original.

Por isso, Zeus os matou todos.

"Havia um deus que você não pôde tocar, não é mesmo?"

A expressão de Zeus escureceu.

Um relâmpago iluminou o céu, retumbando pelos limites do [Mundo].

As árvores balançaram violentamente sob a força, embora nada tivesse quebrado a barreira.

"Não pode ser ele," disse Zeus com firmeza.

"É o filho dele," respondeu o homem sem hesitar. "Filho de Hades. O Demônio da Crueldade, cujo nascimento você tentou impedir matando todos os seus amigos."

Zeus balançou a cabeça. "Hades não é um dos deuses da Era dos Deuses. Ele é muito mais velho. O filho dele não pode ser o da profecia."

"A sua escolha de acreditar ou não em mim. Mas com o estado atual do universo, você já devia ter uma ideia se estou certo ou errado."

O homem deu de ombros, a fumaça se dispersando e se reunindo novamente em ondas preguiçosas.

Zeus apertou a mão ao lado do corpo, pensativo.

Pensou em Kane.

Com sua habilidade de ouvir os sussurros dos elementais, Kane já sabia a verdade.

O Arruína Céus, a Morte Sem Nome—Neo Hargraves, aquele que veio da Terra—era filho de Hades.

Se realmente fosse o Demônio da Crueldade da profecia…

"A Aliança o torturou. Ele voltou para se vingar. Sua ascensão ao manto de Demônio da Crueldade começou. Quer você queira impedi-lo ou não… deixarei essa decisão a você."

Com isso, o homem se desfez completamente.

A fumaça se dispersou, desaparecendo no ar, como se nunca tivesse estado ali.

O campo de grama laranja balançou novamente sob os sóis pálidos, o vento soprando livre agora que o [Mundo] havia sido levantado.

Zeus permaneceu de pé entre as árvores roxas.

Ponto de vista de Percival

Arthur estava na sala de treinamento da nave, suor escorrendo pelo pescoço enquanto movia sua espada em uma nova sequência de golpes.

A sala era simples, exceto pelas linhas brilhantes no chão que rastreavam seus passos e corrigiam sua postura.

A nave espacial que receberam de Neo, inspirada na nave de Kevin, tinha tudo o que precisavam.

Era suave, confiável, e por enquanto, era seu lar enquanto viajavam pelo vasto espaço escuro em direção ao seu destino.

Amélia estava em seu quarto, quieta como sempre, preparando-se para a missão.

Ela preferia silêncio antes de uma missão perigosa.

Félix e Percival haviam se sentado no cockpit.

"Então," disse Félix, mexendo nos controles enquanto lançava um olhar para Percival, "qual seu nível de Classe agora?"

"Quase quarenta e nove," respondeu Percival.

"O quê!?" Félix virou na cadeira, os olhos arregalados. "Já quase avançou para a Quinta Classe? Isso não faz sentido. Eu só estou no nível vinte e dois! Como você está tão à frente?"

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