
Capítulo 733
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Antes que o orador pudesse sequer terminar de olhar ao redor, uma parede da câmara explodiu.
Pedra e liga foram lançadas para fora, fumaça se espalhou e o fogo causado pela explosão lambeu o ar ao redor.
Detritos rolaram pelo chão polido enquanto toda a sala tremia.
Os Deuses não entraram em pânico.
Seus olhares se voltaram em uníssono para a nova figura que atravessava a parede destruída.
Um humano.
De estatura pequena em comparação a eles, cabelo preto, olhos vermelhos penetrantes que brilhavam na névoa.
Alguns deuses esticaram o pescoço para enxergar além dele, pelo corredor adiante.
Sem guardas. Sem soldados.
As dezenas que estavam ali de plantão haviam desaparecido.
A voz calma do humano ecoou através da fumaça.
"Não se preocupem. Estão vivos. Pelo menos, tecnicamente. Então, vamos falar sobre o Sem Nome da Morte Quebra-Céus?"
As auras dos deuses explodiram instantaneamente, poder jorrando deles em ondas que racharam o chão e distorceram o ar ao redor.
Nenhum deles gostou do tom arrogante dele.
Porém, nenhum deles se moveu.
O homem continuou andando para frente.
Seus passos eram firmes e sem pressa.
"Ver como todos vocês estão tão calmos, apesar da fúria na aura de vocês… me lembra cães do meu mundo natal," ele disse. "Tem um ditado que diz que o cão mais barulhento raramente deixa uma marca."
"Não é a primeira vez que vejo isso na vida real, mas admito, não esperava que os líderes da Aliança provassem que a frase é verdadeira. Só fazem barulho, não mordem."
"Que ousadia!"
Um dos deuses rugiu e se levantou.
Parecia um urso gigante com asas que brilhavam em preto e violeta, pelagem marcada com padrões roxos que pulsavam levemente.
A voz dele agitou a câmara.
Ele não compreendia o significado da frase que o humano falou, mas podia entender o desprezo na entonação.
Mas antes que pudesse avançar, outra voz cortou o ar.
"Silêncio!"
Era o vice-comandante.
Seu corpo semelhante a uma água-viva pairava levemente acima de sua cadeira, tentáculos caindo como faixas translúcidas.
Seu olho dourado brilhava.
Seu grito congelou o deus-urso no meio do movimento.
O deus virou-se, confuso e furioso, pronto para questionar por que estava sendo impedido de avançar.
Depois, ele viu.
A tremedeira no corpo do vice-comandante.
Medo.
O olho dourado do vice-comandante revelava verdades da própria existência, capaz de vislumbrar o que estava por baixo da superfície de qualquer um que olhasse.
E ele estava tremendo após olhar para a essência deste humano.
A realização se espalhou pela sala.
"Parece que só alguns de vocês me reconhecem. Eu sou o Sem Nome da Morte Quebra-Céus."
A sala ficou em silêncio.
Finalmente, alguém achou sua voz.
"Você… como já atingiu o Nível 6? Você estava no Nível 5 há apenas um ano."
No instante em que as palavras saíram de sua boca, todos os deuses na sala se moveram de uma vez.
Poderes foram liberados, técnicas divinas surgiram, e ataques começaram a descer de todos os lados contra o Sem Nome da Morte.
Luz, fogo, pedra e essência divina encheram a recinto.
O impacto de um único ataque poderia apagar incontáveis mundos do Nível 5, e agora todos vinham juntos.
Ele precisava ser eliminado.
Alguém que atingiu o Nível 6 em um ano era inimigo perigoso demais para ser deixado vivo.
Mas antes que pudessem alcançá-lo, o tempo se ajustou.
Tudo desacelerou.
Lâminas de luz pararam no ar, fogo divino ficou imóvel, lanças de pedra travadas no lugar.
Dezenas de deuses do Nível 6, cada um forte o bastante para esmagar legiões incontáveis, se viram incapazes de se mover.
Sem Nome da Morte continuou caminhando para frente como se nada tivesse mudado.
Ele finalmente parou na cadeira mais alta e virou-se lentamente, olhando para todos com calma.
"Sabem," ele disse, "que o nome do anterior Eon Shadow Supreme é ■"
A palavra que veio a seguir não pôde ser ouvida.
Parecia que o próprio som havia sido engolido pelo universo.
Mas o que ele disse acionou algo.
O espaço se partiu. Uma tempestade rasgou a câmara. A própria realidade gritou.
Os corpos dos deuses começaram a tremer, suas existências se tornaram instáveis.
rachaduras atravessaram suas formas divinas, vazando energia.
Sem Nome da Morte se partia ao meio, mas não vacilou.
Por entre os rasgos, o fogo avançava — um fogo sem cor, que consumia tudo que tocava.
Deuses recuaram horrorizados.
Aquele fogo tocou um deles, e metade do corpo dele sumiu num instante, deixando-o gritar de incredulidade.
Desastres explodiram como se o próprio cosmos estivesse virando contra eles.
As paredes da câmara desmoronaram, engolidas por tempestades de vazio.
Terremotos sacudiram o alicerce da sede da Aliança.
Ondas de destruição rasgaram o edifício, destroçando tudo em seu caminho.
Deuses do Nível 6, que podiam brincar com Nível 5 no pico como se fossem crianças, foram lançados como bonecos de pano.
Defesas racharam, sangue foi derramado, e gritos ecoaram na sala.
No meio de tudo isso, uma voz voltou a soar.
"Em breve, virarei suas cabeças. Então comecem a contar seus dias."
Logo após, a explosão engoliu tudo.
Um único clarão de destruição se espalhou, devorando a sala.
Deuses que haviam resistido por milênios foram arremessados ao chão como bonecas quebradas, tossindo sangue.
Seus corpos tremiam sob ferimentos que pensaram serem impossíveis.
E Sem Nome da Morte desapareceu, apagado pelas explosões.
Só então, os deuses sobreviventes perceberam a verdade.
Nem mesmo ele era o verdadeiro.
O Sem Nome da Morte que acabaram de conhecer era apenas um clone.
Após sua dispersão, o que restou foi apenas ruína.
A câmara do conselho, forteza da Aliança, outrora o lugar mais seguro do universo, foi dilacerada por um intruso só.
…
Visão de Neo
Neo tossiu forte e cuspiu sangue no chão.
Seus joelhos bateram no chão enquanto tentava recuperar o fôlego.
Cada centímetro de sua pele rachava aberto.
Fissuras brilhantes percorreram seu corpo como rachaduras em vidro.
Por dentro, era pior.
Semente da Existência latejava dolorosamente, sendo devorada das bordas para o centro.
Seus Núcleos piscaram, corroídos junto ao corpo e até à alma.
Era como estar sendo queimado vivo por dentro, ao mesmo tempo em que se afogava.
"Eu avisei para ele não fazer isso", murmurou Jack ao lado.
Seus braços cruzados, mas a tensão na voz não combinava com a preocupação suave nos olhos.
Moraine ajoelhou ao lado de Neo.
Suas mãos pressionaram seu corpo enquanto uma luz de cura se espalhava pela carne dilacerada.
Ela não disse nada, mas seu rosto carregava palavras que não pronunciou.
Frustração, medo, raiva, até alívio. Tudo estava ali, girando sob sua expressão quieta.
Neo forçou-se a respirar.
De novo e de novo remendou o que fora destruído, reviveu e costurou-se até que a dor se tornasse suportável o bastante para se mover.
Finalmente, soltou uma risada trêmula.
"Foi terrível," murmurou, apoiando-se no ombro de Moraine enquanto se levantava.
Sua boca se abriu num sorriso que não alcançou seus olhos cansados. "Mas tenho que admitir, foi um ataque bem forte. Dá até vontade de pensar se consigo transformá-lo numa arma de verdade."
"V... Weaponizá-lo?" Jack franziu a testa.
"Pois é," disse Neo casualmente, como se seu corpo ainda não estivesse tremendo. "Pense bem. Você já se perguntou por que nomes de deuses de estágio superior podem matar alguém?"
"Deve ter uma razão, né? Se eu descobrir qual é, talvez consiga transformá-lo numa arma. Assim, poderei matar qualquer deus, independentemente do meu ranking. Igual o Felix—"
"Você NÃO fará isso."
A voz caiu sobre eles antes que pudesse terminar.
Um peso esmagador pressionou a nave.
O metal gemeu como se mãos invisíveis estivessem apertando de todos os lados.
O próprio espaço parecia tremer.
A expressão de Moraine endureceu imediatamente.
Ela olhou fixamente para o ar vazio.
"Vontade Universal, por que você está aqui?"
A pressão aumentou ainda mais.
Era como se a própria atmosfera quisesse enterrá-los vivos.
"Você deveria saber por que estou aqui."
Se a Vontade Universal tivesse um corpo, estaria rangendo os dentes agora.
Esse bastardo usou de novo o nome do anterior Eon Shadow Supreme!
Lunático!