Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 726

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

"Mas…"

Seu olhar se aguçou.

E se eu criasse milhões de almas—cada uma com uma única característica?

O pensamento era insano, mas não totalmente fora de alcance.

Ele já tinha usado seu Elemento Pesadelo para criar coisas antes.

Criar sombras de sua alma era algo que poderia fazer facilmente.

"Se eu der uma característica diferente a cada cópia, e todas as conectar a mim..." Neo tamborilou os dedos no braço. "Posso ressoá-las juntas. A produção se multiplicaria exponencialmente."

Ele franziu levemente a testa.

"Bem, se eu as combinar assim, apenas uma característica seria fortalecida. Isso não é o que quero."

Neo tinha um plano diferente.

Ele não ia deixar uma característica ser fortalecida por causa da ressonância.

Seu objetivo não era gerar mais energia pela ressonância ou fortalecer uma única característica.

Ele queria fazer ressoar as características com força bruta.

"Ressonância pura," murmurou. "Se os efeitos de todas as características se combinarem, o resultado será algo totalmente diferente. Algo estranho, como uma aberração."

Essa palavra não o assustou.

Pelo contrário, despertou sua curiosidade.

Ele pensou em uma metáfora.

Era como cortar folhas de papel em formas de animais.

Uma folha era cortada em forma de um gato, outra de um cachorro, uma de um tubarão, outra de um dinossauro.

Individuais, tinham forma.

Eram reconhecíveis.

Cada uma dessas "folhas de papel moldadas" era uma característica.

Mas e se ele empilhasse todas juntas (as resonasse) e olhasse de cima?

Nada.

Os cortes sobrepostos se confundiriam em um bagaço sem sentido.

Não pareceria um gato, um cachorro ou qualquer outra coisa. Apenas uma confusão estranha de formas que não significavam nada.

"É isso que acontece quando você ressoa características de maneira forçada, sem tentar gerar energia de ressonância ou fortalecer uma única característica," disse Neo. "Não criaria nada compreensível."

Mas e se ele pegasse uma tesoura e cortasse a pilha?

Se cortasse tudo que só apareceu uma vez, deixando as formas que mais se repetem?

"Se a maioria dos animais tem cauda, então a cauda permanece," murmurou. "Se só um ou dois têm, eu corto."

Era uma lógica simples.

Removendo o que era raro e mantendo o que era comum, ele obteria algo novo. Algo coerente.

"E quando eu olhar para a pilha depois... vou ver uma quimera."

Uma característica nova.

Não nascida de um Único Runa de Origem, mas dos ecos de milhões.

Ela não preservaria a singularidade das características individuais, mas carregaria o denominador comum.

Os olhos de Neo brilharam.

"Vou abrir mão da singularidade das características por habilidades únicas… em troca de uma característica que me dê um poder bruto enorme."

A nova característica não seria complicada.

Não lhe daria uma habilidade sofisticada ou um truque delicado.

Mas, por ressoar com a natureza compartilhada de milhões de características, qualquer efeito que conferisse, por mais básico que fosse, seria avassalador e tremendo.

"Tudo bem."

Neo fechou os olhos.

Expandiu seu Elemento Pesadelo para fora.

A energia jorrou de seu corpo e se espalhou pela planície desolada onde estava.

O chão rachou sob o peso do elemento, então se abriu à medida que inúmeras pesadelos surgiam.

Um a um, cópias de sua alma apareceram brevemente.

Não eram perfeitas.

Faltava-lhes sua Existência, e sem isso, nunca poderiam se tornar seres completos.

Mas tudo bem.

Elas não precisavam ser completas.

Era suficiente que fossem âncoras.

"Meio-verdade já basta," sussurrou Neo.

As cópias alinharam-se na planície desolada como um exército vasto, estendendo-se além do horizonte.

Cada uma carregava sua forma, e seus olhos, mas eram vazios e incompletas.

Neo apontou para elas, e as características começaram a fluir.

Milhares de runas se desprenderam de seu corpo e pairaram nas cópias.

Cada alma vazia recebeu uma. Uma única característica, gravada profundamente no seu núcleo.

Quando a última runa saiu de sua mão, Neo fechou o punho.

"Agora… Ressonância."

O plain balançou.

As cópias tremeram enquanto um poder começava a brilhar entre elas.

Uma teia de ressonância começou a se formar, milhões de fios conectando cada alma às outras.

As características colidiram e cantaram como um rugido dissonante ecoando pela terra desolada.

Neo obscureceu o barulho e controlou a ressonância.

"Remova tudo que é único," lembrou a si mesmo. "Só deixe o que se repete."

Uma a uma, as expressões das características sumiram.

Poderes raros, mutações estranhas, peculiaridades únicas. Todas foram seladas.

As características emprestadas foram reduzidas às suas formas mais simples.

Neo rangeu os dentes.

Seu corpo tremia sob a força bruta.

"Continue cortando," murmurou. "Não pare até sobrar só o denominador comum."

A ressonância gritou mais alto.

Uma tempestade de poder conflitante rasgou a planície.

O chão desolado se partiu em vastas fendas, que se estendiam até o infinito.

O horizonte rachou como vidro quebrado.

Então, de repente, a tempestade desabou.

Todos os cópias de sua alma congelaram.

Milhares de características vibraram.

Neo cambaleou para trás enquanto o ponto pulsava.

Parecia que ele compartilhava um batimento cardíaco comum com todas as almas que criara, sentindo as características.

Como se uma carga gigante (uma nova característica) estivesse sendo carregada por todas as suas almas juntas.

A nova característica estava quase pronta.

A luz se espalhou numa onda violenta.

A terra desolada tremeu como se estivesse viva.

O chão se abriu, abismos engolindo tudo ao redor.

O céu se rasgou. Fragmentos de escuridão espirraram como vidro quebrado.

A planície infinita desmoronou como se o próprio mundo tivesse alcançado seu limite.

Neo ficou no centro, cada nervo do seu corpo gritando.

Ele se forçou a ficar de pé, a manter a convergência firme.

"Vamos lá," sussurrou. "Termine isso."

A luz pulsou mais uma vez, então se ocultou em seu peito.

Visão de Bael

Bael recostou-se no trono, apoiando o queixo com uma mão, enquanto o salão permanecia em silêncio.

O universo de bolso—um pequeno vórtice giratório suspenso no meio da câmara—estava estável desde que Neo entrou nele.

Ele pulsava fracamente como uma estrela dentro de um vidro, seu fluxo sob seu controle.

Por isso, o frio arrepio que percorreu o vórtice fez sua sobrancelha franzir.

O vórtice torceu.

Seu ritmo tranquilo foi se desfazendo.

Bael endireitou-se.

Seus olhos se estreitaram enquanto rachaduras começavam a se espalhar na superfície como vidro quebrado.

Um sussurro de energia vazando cheio o salão antes de tudo explodir com um estrondo ensurdecedor.

A onda de choque rolou pela câmara, tão potente que a pedra sob o trono gemeu.

Bael levantou a mão rapidamente, formando uma barreira que envolveu a explosão antes que ela atingisse as extremidades da sala.

A energia se condensou como uma tempestade furiosa presa numa garrafa, esticando, mas sem romper seu domínio.

Mesmo com sua força, ele não podia negar o peso por trás.

Quando a explosão cessou, fumaça pairava pesada no ar.

Devagar, ela se dissipou.

Das ruínas do vórtice, saiu uma figura.

O olhar de Bael se aguçou.

Neo.

Mas algo estava diferente.

Bael sentiu no instante em que Neo avançou.

O ar tremia levemente, não por energia, nem por uma nova habilidade, mas por algo mais pesado.

Era uma força crua, não refinada, escapando dele como ondas de calor de um forno.

Bael levantou uma sobrancelha.

"O que você fez?" Sua voz ecoou no silêncio.

Neo não respondeu de imediato.

Ele apenas flexionou os dedos, abrindo e fechando a mão como se testasse o peso de sua própria força.

O silêncio era esmagador.

Bael recostou-se um pouco, observando-o.

"Você… parece forte," admitiu. "Não é como alguém que aprendeu uma habilidade perigosa ou dominou um elemento novo. Não. É diferente. É como se seu corpo próprio tivesse mudado… ou evoluído."

Neo expirou lentamente, mexendo os ombros.

A aura que emanava dele fazia até Bael franzir o cenho.

"O que você fez? Vi monstros e deuses surgirem em milhares, mas isso parece algo totalmente diferente. Honestamente, parece que você poderia matar um Deus de Nível 5, Estágio 6, com um soco. O que diabos você fez, princesa?"

Neo levantou uma sobrancelha ao ouvir o título, mas não rebateu.

Ele abriu a palma da mão novamente, então fechou com força.

Veias apareceram na sua mão enquanto o poder pulsava forte.

"Vou explicar depois," finalmente disse Neo. "Mas obrigado pelo universo de bolso."

Bael piscou, enquanto Neo avançava e desaparecia num borrão, à medida que sua aura opressora se dissipava tão rapidamente quanto surgiu.

O salão retornou ao silêncio, mas Bael continuou sentado no trono, com a mão apoiando o queixo.

Murmuros baixos:

"Esse moleque fica cada vez mais ridículo a cada vez que vejo."

Visão de Neo

Neo reapareceu longe do salão, numa extensão de terra árida que se estendia sem fim.

Ele se acomodou numa grande rocha e sentou-se de cruzado, concentrando-se internamente.

Seu pulso estava constante, mas a força que pulsava nele parecia sem fundo.

Ele respirou devagar.

"Que diabos foi aquilo, Registro Celestial?"

Um leve zumbido respondeu em sua mente.

[Análise…]

Ele esperou, olhando pra sua palma.

[Análise concluída.]

[Mestre—]

"Neo."

[…]

Houve silêncio enquanto o Registro Celestial 1 pausou, depois tentou novamente.

[Mestre—]

"Vou te apagar se você me chamar assim de novo."

Neo franziu a testa, massageando a têmpora.

A resposta veio sem hesitação.

[Patrono—]

"Tá bom, sério, quer que eu te delete? Então vá em frente. Faça seu melhor."

[Espera!]

As palavras apareceram apressadas, quase em pânico.

[Todos os Registros Celestiais vão te chamar de Patrono ou Mestre. Mesmo que eu seja apagado, isso não muda. Então, vá lá, me deleta se quiser.]

"…Hã?"

Neo congelou.

Ele esperava uma súplica ou uma desculpa pra ficar vivo do Registro Celestial.

Ao invés disso, essa maldita coisa aceitou a morte enquanto casualmente lembrava que, de qualquer maneira, ele não escaparia do nome constrangedor.

'…Droga.'

Ele suspirou.

"Só me diga o que aconteceu."

[Todos os traços aumentam a força física de alguma forma, mesmo que pequena. A ressonância que você criou amplificou esse efeito.]

[Sua força física atual é aproximadamente 9.117.598 vezes maior do que antes do seu avanço.]

Comentários