Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 681

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Cinco anos se passaram desde que Moraine recuperou suas memórias.

Ele não voltou.

Embora estivesse infeliz, ela não se perturbava tanto quanto antes.

'Como é um novo Éon, talvez leve tempo até ele reencarnar.'

Dez anos se passaram.

Moraine continuou esperando por ele.

Vinte anos se passaram.

Moraine continuou esperando por ele.

Trinta anos se passaram.

Moraine continuou esperando por ele.

Cinquenta anos se passaram.

Moraine continuou esperando por ele.

Cem anos se passaram.

O silêncio tornara-se insuportável.

O pensamento que vinha evitando finalmente quebrou as barreiras.

Algo havia dado errado.

Ela tentou afastar essa ideia.

Ela buscou acreditar que havia uma razão para ele ainda não ter voltado.

Mas o desconforto só aumentava, apertando seu peito como uma ferra.

Ela usou a runa para contatar Vivienne.

A Feiticeira do Tempo talvez pudesse responder suas dúvidas.

Porém, a runa não se ativou.

Vivienne se recusara a falar com ela após a última discussão.

O silêncio agora tornava-se sufocante para Moraine.

Todas as noites, ela permanecia acordada.

Sua mente repassava a mesma ideia, sem parar.

Se não conseguia alcançá-lo, precisava de alguém que pudesse.

Começou a procurar por Vornaz, o Demônio da Ruína.

Vinte anos se passaram sem progresso.

Cada pista que seguia desmoronava antes de chegar perto.

O demônio não aparecia, e ainda não havia rastros dele.

Uma premonição feia arranhava seu coração, sussurrando uma possibilidade aterrorizante.

Ela a empurrava para baixo toda vez que surgia.

Disse a si mesma que encontraria ele, contanto que conseguisse colocar as mãos no Demônio da Ruína.

"Só preciso do demônio…" ela repetia muitas vezes, para si mesma.

Seu reflexo havia mudado sem que percebesse.

Sua pele estava pálida e seca.

Os lábios rachados e sangrando pelo constante roer.

A faísca em seus olhos havia se apagado.

Mas ela não tinha espaço na cabeça para se preocupar com a aparência.

No final, decidiu que só havia uma pessoa capaz de lhe dar uma resposta verdadeira.

Hades.

Encontrá-lo foi simples.

Ele governou o Cosmos do 4º ao 8º Éon.

Mesmo no 9º Éon, optou por não se tornar o Soberano Supremo, pois havia assuntos maiores do que conquistar o Cosmos a exigir sua atenção.

Agora, quase no início do 10º Éon, seu nome já era mencionado com reverência entre os mundos.

Ela encontrou seu palácio facilmente.

Seu status de Feiticeira permitia passar pelas portas sem resistência.

Servos a guiaram por vastos salões até chegar à porta de seu escritório.

Ela entrou, e o controle que vinha forçando sobre si mesma por séculos desmoronou.

"Onde ele está!?" As palavras saíram de sua garganta num grito.

"Quem?"

Hades nem sequer levantou os olhos. Continuou a examinar os documentos na mesa.

"Hades, não estou no clima para brincadeiras!"

Ela bateu a palma na mesa entre eles.

Ele lançou um olhar brevíssimo, analisando seus olhos vermelhos, a respiração irregular, as mãos trêmulas.

Depois voltou aos papéis.

"Quer dizer o Diabo da Tirania? Ele está morto."

A palavra a atingiu como uma martelada.

Diabo da Tirania?

Por que Hades o chamava assim?

Ela Ignorou o pensamento. Não era importante agora.

"Sei que ele está morto. Mas estou perguntando por que ainda não reencarnou."

"Ele foi uma criação do 9º Éon. Esse Éon terminou. Ele enfrentou a morte verdadeira, como todos os outros do 9º Éon. É isso que quero dizer com morto. Por que ele reencarnaria no 10º Éon?"

"…O quê?"

As palavras de Hades caíram como um raio em seus ouvidos.

Sua respiração ficou desigual, e seus olhos tremiam.

"Ele tem seu sangue. Ele não pode morrer."

Ela negou suas palavras.

"…?"

Hades colocou o papel de lado, fixando seu olhar nela.

Estudou-a, e then falou:

"Se meu sangue fosse suficiente para tornar alguém imortal, não seria o único a sobreviver ao fim de um Éon com um punhado de Feiticeiras e Demônios."

Seu coração começou a afundar.

Ela não queria ouvir mais.

Mesmo assim, continuou perguntando.

"…Ele não é imortal?"

"Não."

"Mas—"

As palavras ficaram presas na garganta.

'Como posso saber se ele era imortal?'

Porque ele lhe dissera isso.

Ela alguma vez o viu morrer e voltar?

Não.

Nunca nem questionara isso.

Ela não queria imaginar ele sofrendo dor, muito menos assisti-lo morrer.

Ela confiava nele sem questionar.

Afinal, ele estivera ao seu lado por toda a vida que pudesse lembrar.

Mas…

Deuses de alto escalão podiam viver por eras sem envelhecer.

Com seu talento, era possível que alcançasse um alto escalão ainda jovem.

Isso explicaria por que parecia que ele nunca envelhecia.

Mas, se fosse verdade…

Suas mãos tremiam ainda mais.

"…Ele disse que era imortal. Então—"

"Você realmente não sabia que ele ia morrer quando o Éon acabou?" Hades olhou para ela. "Isso não deveria ser possível. Ele estava entregando seu talento e existência a você aos poucos. Como você não percebeu o que estava acontecendo?"

"…O quê?"

Moraine cerrando os punhos.

O sangue começou a escorrer enquanto ela se machucava.

"Meu talento floresceu por causa da técnica de Despertar de Talento Latente que ele criou. O que quer dizer com ele transferindo o talento e a existência dele pra mim?"

"Técnica de Transferência de Talento. Ela dissolve o talento e a existência de uma pessoa e os alimenta em outra para aumentar seu próprio talento… Parece que ele nunca te contou sobre isso."

Cada palavra pesava como ferro no peito dela.

Ela queria negar. A chamar de mentiroso.

Mas memórias surgiram uma após a outra, sem aviso.

"Então, se você vai me treinar, deve treinar também. Seu rank não sobe há mil anos."

O rank dele parou de subir.

Isso era impossível para alguém como ele.

Ele foi criado através do Ventre do Demônio. Seu potencial e talento eram incomparáveis.

Seu rank deveria ter aumentado, por menor que fosse.

Quer dizer…

'Ele não tinha mais talento.'

'Não podia mais avançar.'

Seu peito apertou.

A resposta agora vinha até ela, mesmo desesperadamente querendo tapar os ouvidos.

"Por que treinamos tanto assim? Ninguém está nos atacando. Podemos relaxar. Não me importo de esperar alguns séculos por um novo avanço."

Ela reclamava tantas vezes.

Mas ele, que ouvia suas menores queixas, não facilitava as coisas.

Como…

'Ele sabia que, após seu desaparecimento, eu ficaria sem ninguém para me proteger.'

'Teria que fazer isso sozinha.'

Moraine sentiu as pernas fraquejarem.

"…Pode me passar essa Técnica de Transferência de Talento? Quero ver com meus próprios olhos se isso é verdade."

"Posso, mas você não conseguirá usar."

Hades olhou para ela sem emoção.

"A técnica retira seu próprio talento e existência."

"É mais doloroso do que ter sua alma rasgada."

"A técnica que ele criou era revolucionária, mas o limite de dor tornava impossível qualquer um usá-la.

"Fico impressionada que ele conseguiu usá-la ao todo, pra transferir o talento para você."

As palavras lhe desbloquearam outra lembrança. Uma que ela nunca tinha questionado antes.

Da primeira vez que ele usou o 'Despertar de Talento Latente' nela, ele soltou um gemido baixo.

Ela perguntou o que tinha acontecido.

"Só fiquei surpresa com a sua reação ao mana," ele disse.

Aquele gemido foi o sinal de que ele estava suportando a dor?

Ele passou por aquela dor, repetidamente, durante os milhares de anos em que usou a técnica nela?

Antes mesmo de perceber, lágrimas começaram a escorrer de seus olhos, mas ao invés de aceitar em silêncio, algo mais quente começou a subir no seu peito.

Raiva.

"Você está mentindo."

Ela olhou para Hades com raiva.

"Ele disse que voltaria! Não ouse mentir pra mim!"

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