
Capítulo 576
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
A dor que atravessou sua cabeça floresceu em sua visão.
Ele cambaleou para trás, quase tropeçando numa raiz de árvore. Uma névoa vermelha começou a surgir na floresta e a convergir sobre ele.
Lutar. Matar. Assassinato. Guerra. Evoluir. Sangue. Atacar.
As palavras invadiram seus pensamentos, girando repetidamente.
Elas não pareciam estranhas e, ao contrário, pareciam seus próprios pensamentos.
Um calafrio percorreu seu corpo. Algo—alguém—estava se fundindo a ele de forma forçada.
Ele caiu de joelhos, suor escorrendo pela testa.
"Isto... não faz parte da fusão," ele disse, rangendo os dentes.
Por todo esse tempo, ele achava que fundir-se com o elemental da morte berserker elevaria seu nível de existência.
Mas, agora que aquela presença fazia a 'fusão', ele percebeu uma verdade terrível.
Os elementais da morte berserker não estavam se fundindo com ele. Eles estavam apagando sua existência, lentamente e minuciosamente.
Seu nível de existência não estava sendo aumentado.
Sua essência estava sendo substituída por uma existência mais forte, mais elevada.
"Droga..." Ele se forçou a ficar de pé. "Seriam os berserkers da Aliança fakes uma fusão entre a pessoa e os elementais da morte berserker?"
Pelo que ele tinha ouvido, os berserkers eram insanos.
Mas o comportamento deles, suas maneiras, e sua aura seriam semelhantes aos de antes de se tornarem berserkers.
"Os Elementais da Morte Berserker tomaram conta de sua existência e então agiram como eles?"
Aquele pensamento o enojou.
Nenhum elemental da Morte deveria ser capaz desse tipo de engano. Isso não fazia parte da natureza deles. A morte não mente. Ela não manipula. Ela simplesmente é.
Então, quem estaria por trás disso?
Antes que pudesse aprofundar mais aquela questão, a pressão em seu crânio diminuiu. Os pensamentos estranhos pararam de atacar sua mente.
Então, a névoa à sua frente começou a se mexer.
Ela se transformou em uma figura humanoide nebulosa e avermelhada. Uma névoa espessa e ondulante, com as bordas estalando com flashes de luz carmesim.
A presença dentro de sua mente não estava mais escondida.
"Homem..." disse a figura, com a voz meio surpreso. "Que tipo de pessoa eles enviaram desta vez, que nem consigo tomar o controle da mente dele facilmente?"
A Morte Sem Nome não respondeu.
Ele se preparou para a luta.
A névoa ignorou sua cautela e se inclinou para frente, cheirando o ar como um predador que detectou o cheiro de algo novo.
"He?" disse, de repente intrigada. "O que é isso? Você não tem Destino."
Sua cabeça inclinou-se.
"É a tecnologia que as pessoas desta era usam, ou... não. Não, isso é real. Você realmente não tem Destino."
A névoa sorriu.
"Como os Eternos passaram batido por um Ashborn como você?"
A palavra Eternos lhe acertou como um martelo.
Um ódio intenso surgiu de dentro dele. Ele não sabia por que aquele nome fazia sua alma rugir, mas sentia que fazia.
Seus punhos se cerraram. "Você conhece eles?"
A névoa recuou um pouco.
"He? Você se lembra do nome Eterno?" Seguiu-se uma risada baixa. "Ah, entendi. Você deve ser um Quebra-Céus. Parece que o povo desta era não é tão ruim assim."
O sorriso de diversão se transformou em uma antecipação.
Sem aviso, ela avançou.
Um punho—maior do que deveria—bateu no peito de A Morte Sem Nome, fazendo-o ser arremessado através de três árvores antes que pudesse reagir.
Ele caiu em um morro, poeira e pedaços de casca voando ao seu redor.
O chão tremeu.
Ele se levantou rapidinho, quase bloqueando o próximo golpe. Seus braços tremiam com a força. O próximo soco veio baixo, seguido de outro de lado.
Cada golpe parecia feito para dilacerá-lo.
A sensação de luta era chocante.
O corpo de A Morte Sem Nome reagia por instinto, mas suas técnicas não vinham à cabeça.
Sem nada mais para usar, ele despejou a Energia Mundial sem fim em seu corpo, reforçando-o.
Seus punhos começaram a brilhar.
Ele esquivou de um golpe e atingiu com força o lado da névoa vermelha. Ela torceu levemente, depois riu.
"Não foi mal," disse ela. "Mas você não está usando tudo. Não segure nada."
A Morte Sem Nome não respondeu.
Ele concentrou-se, inspirou mais energia e levou seu corpo ao limite.
Seus movimentos ficaram mais precisos, como se estivesse lembrando suas experiências de batalha.
Seus passos ficaram mais rápidos. Esquivou do próximo golpe e acertou uma série de golpes limpos.
Trocaram dezenas de milhares de golpes em segundos. Cada impacto destruía árvores, destruía colinas e deixava a floresta ao redor em ruínas.
Mas ele ainda estava ficando para trás.
O Berserker não desacelerava. Pelo contrário, ficava mais agressivo quanto mais tempo a luta durava.
Um sorriso louco surgiu em seu rosto enquanto seu soco atingia as costelas de A Morte Sem Nome. Ele voou para trás novamente, caindo forte, tossindo sangue.
Desta vez, o Berserker não o perseguiu. Ficou flutuando no lugar, com os braços cruzados.
"Você tem potencial," disse. "Mas por que não está usando técnicas de Intenção? Vamos lá, mostre o seu poder máximo."
A Morte Sem Nome se levantou, limpando sangue do queixo. Sua visão estava um pouco embaçada, mas ele a forçou a focar.
"O que são os Eternos?" perguntou.
O berserker o observou por um segundo antes de responder. "Quer respostas? Tudo bem. Vou fazer um acordo."
Ele estalou os dedos.
"Me entretenha. Derrote-me, e eu te darei respostas. Todas elas."
Seus olhos brilharam com uma alegria selvagem.
"Embora, pra ser honesto, as chances são muito maiores de que você vá acabar sendo apenas mais um nome perdido entre meus punhos."
A Morte Sem Nome não respondeu. Em vez disso, lançou-se à frente e atacou.
O berserker o encontrou no meio do caminho. A colisão sacudiu o ar.
O que veio a seguir não foi um duelo gracioso ou uma disputa de técnicas refinadas.
Foi violência crua.
O berserker lutava como uma força da natureza, cada soco com peso suficiente para partir ossos. E partiram.
A Morte Sem Nome era rápido, mas isso não importava.
O berserker era mais forte, resistente e infinitamente mais selvagem. Seus ataques não eram elegantes, mas esmagadores.
Um soco nas costelas derrubou um de seus pulmões.
Uma torção do braço arrancou-o do encaixe.
Um joelho brutal destruiu seu maxilar.
De novo e de novo, sua garganta era rasgada, o peito quase esmagado, os membros quebrados e, em questão de momentos, se curando.
A razão do corpo de A Morte Sem Nome reagir instintivamente era evidente, mas a diferença era clara.
O berserker não era apenas mais forte. Ele estava se divertindo na dança da selvageria.
A Morte Sem Nome rangeu os dentes enquanto rolava pelo solo rachado.
Seu corpo coberto de sangue, a dor preenchendo cada respiração.
Isso não ia funcionar.
Levar golpes, se curar e repetir só iria atrasar o inevitável.
Ele precisava de algo mais.
Precisava de poder próprio.
Fechando os olhos por um instante, ele voltou sua atenção para sua Gota da Existência.
O fato de conseguir se curar—reconstruir seu corpo destruído—significava que tinha algo dentro dela.
Talvez fosse uma técnica, ou um feitiço, ou um Tesouro Sagrado. Uma Afinidade também serviria.
Mas, ao tentar perceber a camada central, ele foi bloqueado por uma parede selada.
O berserker notou sua pausa. A princípio, pareceu irritado, como se a diversão estivesse acabando. Mas então sua testa se levantou.
Uma risada suave escapou dele. "Hah? O que é isso?"
A Morte Sem Nome começou a brilhar.
Todo o corpo dele começou a arder com uma chama branca. Luz saía dele como se estivesse sendo consumido de dentro para fora.
A pele rachou sob a pressão, e linhas de energia dançaram pelo corpo como veias de relâmpagos.
"Vai se sobrecarregar? É assim que planeja me vencer?" o berserker soltou uma risada. "Agora sim. É esse tipo de insanidade que respeito!"