Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 556

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Local de Trancamento do Espaço do Cofre Sombrio, Estágio -6 Planeta Korrvhex

O planeta flutuava na porção mais sombria da galáxia, selado dentro de um bolsão de realidade distorcida conhecido como Trava Espacial, onde atéa luz se movia devagar e o som não tinha sentido algum.

O próprio planeta estava morto. Sem vento, sem água, sem movimento.

Apenas uma rocha oca, enterrada em correntes espaciais criadas por antigos Primordiais, forjadas para aprisionar o que nunca deveria ressurgir.

No coração dele repousava O Cofre Sombrio, uma prisão tão profunda que atravessava o manto do planeta. Submerso em sua cela final—encadeada pela realidade, pelo tempo e pelo espaço—estava um homem.

Seu nome era Varnak Y'rul, outrora General dos Sols Esquecidos. Agora, apenas um prisioneiro à beira do fim.

Varnak não tinha aparência humana.

Sua pele era azul escura. Rasgava-se nas pontas com linhas tênues e brilhantes que percorriam suas margens—traços do Fogo Solar ainda presos em seu corpo.

Seus olhos eram um dourado opaco, ofuscados por anos de isolamento dentro do Trava Espacial, onde o tempo não tinha significado.

Havia chifres negros afiados que se curvavam para trás de suas têmporas, parcialmente quebrados. Sua armadura antes régia estava apodrecida, reduzida a sucatas enferrujadas grudadas em seu corpo esquelético.

Ele estava sentado, inclinado contra a imensidão fria, amarrado por faixas grossas de metal de bloqueio de tempo que brilhavam com um leve reluzir azul.

Seus pulso estavam esmagados no chão, as pernas presas, a cabeça baixa.

"Milhão de anos de guerra," ele murmurou, a voz seca como pedra raspando pedra. "E perdemos. Em um piscar de olhos."

O silêncio respondeu-lhe.

Ele olhou para cima, lentamente e exausto.

"Hoje irão nos executarem. Todos nós. Os traidores... os heróis... já não importa mais, não é?"

Sua voz tremeu ao final. Ele não chorou. Já não restavam lágrimas nele.

"Por que isso aconteceu?" ele sussurrou. "Para onde foi tudo que deu errado...?"

De repente, uma ondulação percorreu o ar.

Foi sutil, quase imperceptível.

Mas, nesta prisão morta e selada, até mesmo a mais remota vibração parecia um trovão.

Então aconteceu.

O espaço foi dobrado para dentro, torcendo como um pano rasgado—e daquele rasgo surgiu um menino.

Ele era jovem. Talvez dezesseis anos, pela aparência.

Tinha cabelo preto curto, olhos prateados desleixados, mãos nos bolsos.

Uma katana embainhada pendia às costas dele, e o uniforme escolar parecia tão deslocado que fazia todo o cofre parecer uma piada.

Ele tinha um sorriso despreocupado, quase de zombaria, como alguém que aparecesse num funeral com balões de festa.

Em outras palavras, parecia completamente suspeito.

Varnak o encarou, sem piscar.

"...Kane… Williams...? Por que você está aqui? Não... como você conseguiu chegar aqui…"

O menino não respondeu imediatamente. Olhou ao redor casualmente, como se estivesse inspecionando um ferro-velho.

"Este lugar está mais sombrio do que imaginei," Kane disse com um sorriso. "Eles realmente te enterraram aqui."

"Kane," disse Varnak lentamente. "Este não é lugar para você. Vá embora. Antes que eles te encontrem—"

"Estou aqui para ajudar," Kane interrompeu, já ajoelhado ao lado de um dos selos. "Demorei um pouco para localizar esta prisão, aliás. Achei que estaria numa fortaleza chamativa, não numa batata rachada num planeta morto, em Estágio 6, caindo aos pedaços."

Varnak balançou a cabeça. "Não desperdice sua energia comigo. Acabei. Mas… por favor, vá até nosso líder. Eles vão executar publicamente em breve. O último de nossa causa morre com ele."

Ele fez uma pausa, os olhos de repente mais afiados.

"Talvez... se for você. O Demônio da Espada. Ainda possa—"

Kane acenou lentamente com a mão, interrompendo. "Não. Deixa pra lá. Zeus já está lá."

Varnak congelou.

"...Deus Matador Zeus?"

"Isso mesmo. Ele mesmo." Kane assentiu, levantando-se de novo e espanando as mãos.

"Mas... ele tinha saído—" Varnak ficou sem ar na garganta.

"Saiu sim," Kane disse, completando a frase. "Mas, ele voltou agora, e trouxe o que queria."

Varnak não falou. Sua boca ficou entreaberta, os olhos fixos no chão, como se tentasse reprocessar o próprio tempo.

Kane sorriu mais amplamente, mostrando alguns dentes desta vez.

"Com ele aqui," disse, descansando a mão casualmente no cabo de sua katana, "não perdemos mais a guerra."

Ele esbarrou a ponta do sapato na corrente que prendia os pés de Varnak.

"Vamos lá, velhote. Vai querer se levantar para o que vem pela frente."


Ponto de vista de Neo

Neo entrou abaixo da superfície do planeta, seguindo as instruções de Yaleth.

Era um vazio de massas de terra fragmentadas e destroços de pedra flutuando. No centro desse caos, havia uma cidade que pairava no espaço, presa por âncoras de gravidade pulsante que se torciam ao seu redor como cordas tentando segurar uma estrutura prestes a desabar.

Em meio a essa cidade, erguendo-se como um monumento, havia uma 'estalactite' flutuante, coberta por runas invisíveis que curveavam a luz sem emitir brilho.

"Aí," disse Yaleth, apontando. "Essa é minha [Mente]."

Neo a encarou por um momento.

Ele avançou.

A escuridão se espalhou ao seu redor. Propagou-se como uma maré, cobrindo tudo: a cidade, os destroços de pedra, o ar. A estalactite foi completamente engolida por ela.

Tinham silêncio. Depois, calma.

E depois, nada.

Neo franziu a testa.

"...Está vazia."

Yaleth piscou. "O quê?"

Neo não repetiu.

"Não pode ser verdade," disse Yaleth. "Brincadeira de mau gosto. Não há como estar vazia. Armazenei milênios de pesquisa e memórias ali."

Neo não respondeu. Apenas olhou sério.

Yaleth parou.

Não falou mais nada por alguns segundos.

Então, sua expressão mudou. Seus olhos se arregalaram, sua mandíbula se torceu, e sua pele ficou visivelmente mais pálida.

"Quem roubou minha pesquisa?" A voz dele saiu mais confusa do que brava.

Ele nem mencionou suas memórias, só a pesquisa. Era o que importava para ele.

Não era só dado. Era a obra da sua vida, a soma de toda teoria, teste, fracasso e avanço que acumulou desde a Primeira Queda. Perder aquilo era como perder suas próprias mãos.

Então, sem aviso, o espaço vazio onde antes ficava a estalactite piscou—onde ela estava antes de Neo devorá-la.

No lugar, apareceu uma projeção.

Mostrava um homem.

Ele parecia humano, mas as pupilas tinham uma inclinação diferente, e suas orelhas eram anguladas de forma distinta. Tinha cabelo azul-escuro penteado para trás, com um sorriso frio e treinado.

Ele levantou a mão em um gesto casual. "Obrigado pela pesquisa."

Yaleth ficou paralisado, congelado.

Depois, sua voz explodiu.

"Kevin, seu filho da p...! Como ousa roubar minha pesquisa? Não—como conseguiu acessar minha [mente]? Essa coisa é trancada! É meu espaço!"

Como se o holograma tivesse sido programado para responder, o rosto do homem se contraiu num sorriso.

"Sua anja, Velkaria, me entregou. Em troca, disse onde você está."

Yaleth ficou sem palavras inicialmente. A boca abriu levemente. Depois fechou. Depois abriu novamente.

Aura dele se intensificou.

"A traiçoeira—! Aquela órbita alada—! Eu a alimentei! Salvai-a de ser disintegrada por uma tempestade de caos! E ela me traíram?! Por quê?!"

Neo não falou.

Porém, sua mente processava as peças para montar o quebra-cabeça.

A Velkaria com quem Kevin falava não era a mesma de quem ele se referia.

Kevin falava da Velkaria que destruiu toda a Clã dos Deuses de Hephaestus.

Ele a sentiu antes, bem ao longe, ao lado do irmão. Pareciam estar num contrato. Neo não questionou seu irmão por que ele estava com quem matou os pais deles.

Sabendo do temperamento do irmão, ele não ficaria com a Velkaria a menos que tivesse um motivo importante.

Resumindo, Neo estava com a Velkaria que atacou a Terra durante a Era dos Deuses.

A holografia se desfez, se dissolvendo em luz tênue e desaparecendo completamente.

Yaleth se virou para Neo.

"Vamos ao planeta dele agora. Vou destruir a casa dele, jogar o laboratório dele num buraco negro, e enfiar suas próprias pastas de dados—"

"Depois," disse Neo.

Yaleth congelou, e então sua voz ecoou gala.

"Depois?! Depois?! Neo, aquele homem roubou tudo! Anos de pesquisa! Tenho minhas anotações sobre Demônio! Os esquemas da minha verdadeira arma espiritual! Minhas equações! A teoria da invocação de matéria negativa! Sabe quanto tempo me levou fazer tudo isso!?"

"Sei," disse Neo calmamente. "Mas, primeiro, preciso fazer outra coisa."

"O que pode ser mais importante do que recuperar uma pesquisa roubada por um psicopata traidor que—?"

"Vou começar a construir meu Caminho da Ascensão," interrompeu Neo.

Seu tom não foi agressivo, mas também não deixou espaço para discussão.

"Vamos nos encontrar com Kevin em breve, e ele parece bastante forte."

A visão de Neo voltou-se para a luz fading onde estivera o holograma.

"Preciso estar no meu melhor quando o encontrar."

Segundo Neo, sua característica também evoluiria em breve. Isso lhe daria um grande impulso qualitativo na força.

Infelizmente, ele não fazia ideia de o quão perto 'em breve' realmente estava, já que não tinha acesso à tela de status.

Yaleth ainda estava andando de um lado a outro, murmurando algo sobre barreiras criptografadas e firewalls dimensionais. Neo deixou que ele desabafasse. Precisa se concentrar.

Suficiente de sempre ser o mais fraco.

Desta vez, ele garantiria estar razoavelmente forte, ou até mais do que seu adversário, antes de encontrá-lo, e, se não conseguisse isso, prepararia contramedidas para impedir que seus inimigos atacassem.

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