
Capítulo 448
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
O Conceito dele entrou em chamas violentamente, fortalecendo o buff de [Verdade] para impedir que fosse apagado.
— Droga—
Tyra percebeu tarde demais que tinha caído em uma armadilha. Enquanto se protegia do Null Hour, Neo usou outro Conceito.
— Sono.
O Domínio Verdadeiro da Morte desmoronou para dentro, concentrando-se inteiramente no núcleo de Tyr.
Tyra cerrava os dentes, recusando-se a cair sozinho.
Com suas últimas reservas de força, canalizou cada grama de [Verdade] em um golpe desesperado e único.
— Exploda.
Um mini-sol se materializou entre Neo e Tyr.
Ele se expandiu instantaneamente. A ressonância da explosão enviou Neo voando para trás.
A força do impacto rompeu seu torso, provocou fissuras nas costelas e esmagou seus órgãos antes que sua regeneração pudesse recuperar-se.
Seus órgãos queimararam com o calor intenso, e seus ossos derreteram.
Neo respirou fundo com dificuldade. Ele também não estava em melhores condições.
Embora tivesse lançado uma Invocação defensiva no último instante, metade de seu corpo havia sido carbonizada, e nenhum osso permanecia inteiramente intacto.
A luz em seus olhos se apagou enquanto o sono finalmente o dominava.
Neo deitou-se imóvel por um momento, longe de Tyr.
Depois, com uma respiração profunda e ofegante, forçou-se a levantar, com a mão pressionada contra o peito ferido.
Dor insuportável, mesmo com sua regeneração.
Neo observou Tyr inconsciente.
Ele havia vencido.
Foi uma vitória com margem considerável, mas Tyr poderia ter ganho se Neo tivesse cometido um único erro.
Ele não se sentia feliz por isso.
— Droga—
Vários Elementos com Afinidade, todos no nível Savant. Duas Traits poderosas, uma delas oferecendo defesa quase intransponível. Quebra-Céus e sua Energia Mundial quase infinita. Uma Arma Matadora de Deuses e uma Espada Sem Forma. Essência da Morte. Mudança Dimensional Pseudo-Existente. Milhares de anos de experiência em combate. Três Bênçãos.
Foi preciso tudo o que tinha para lutar contra um dragão com pouco mais de 100 anos, que usava apenas um elemento no Mestrado de Especialista.
A vitória, no entanto, não lhe trouxe alegria.
Foi um tapa frio na cara da realidade.
Este era o resultado de seu esforço árduo. Ele mal conseguia acompanhar o calcanhar de um gênio após usar tudo o que tinha.
— Neo, você está bem?—
A voz de Elizabeth o despertou de seus pensamentos.
Ele virou-se em sua direção e assentiu.
— Sim, estou bem—
Seu corpo tinha se recuperado completamente e sua Energia Mundial continuava fluindo por ele como um rio sem fim.
Se alguém olhasse para ele agora, não pensaria que quase morreu na batalha tempos atrás.
Mas Elizabeth via além de sua aparência física.
Antes que pudesse dizer algo, Neo abriu a boca.
— Cuide do Tyr. Ele deve estar curado em alguns dias. Quanto a mim, vou treinar.
— Essa derrota vai motivar Tyr a treinar mais, e talvez eu não consiga derrotá-lo no dia do campeonato se não crescer mais forte—
Neo saiu sem ouvir opiniões.
Ele caminhou sem rumo pelos corredores. Embora tivesse dito que iria treinar, naquele momento se sentia perdido.
Percebeu que seus pensamentos estavam tomando um rumo sombrio por causa da influência do elemento Pesadelo presente no Mundo Pesadelo.
Porém, seus pensamentos estavam errados?
Seu esforço realmente importou?
Antes que percebesse, estava sozinho em uma sala isolada, bebendo sem nenhuma intenção de parar.
Suas emoções estavam confusas.
Nunca se importou com a velocidade de progresso dos outros. Ele era seu próprio alguém. Só seu avanço importava para ele.
Mas às vezes… às vezes doía saber que crianças que treinavam por apenas um século poderiam estar no mesmo nível dele.
Crianças talentosas conseguiam em um minuto o que ele conquistava se se doasse por um século em uma fornalha.
Às vezes, pensava que talvez o caminho da força não fosse para ele.
Era para gênios como Tyr, que tinham talento e determinação. Não para vagabundos como ele, que só tinham 'trabalho duro' para mostrar.
Sem talento, ele certamente ficaria para trás daqueles que tinham tanto talento quanto determinação.
'Neo, não pense assim—'
'Seu esforço nunca foi em vão—'
Ele sorriu levemente com o incentivo de Obitus.
A Espiritu de Espada percebeu que o humor de Neo não melhorava.
Ela ia falar quando, de repente, percebeu uma presença do lado de fora da porta.
Sabendo que o problema poderia ser resolvido ali mesmo, a Espiritu de Espada voltou a ficar imóvel.
A porta se abriu e Elizabeth entrou.
Ela franziu a testa ao ver garrafas rolando pelo chão. Neo estava completamente bêbado.
Ele virou-se na direção dela e ela notou seu rosto vermelho e embriagado.
— Achei que tinha dito que queria ficar sozinho—
— Você está bebendo demais—
Elizabeth limpou a sala com um feitiço simples.
Ela sabia que Neo não pararia de beber, mesmo que ela mandasse.
Em vez disso, ela se sentou na sua frente, pegou a garrafa de suas mãos e encheu um copo para ambos.
— O que você está fazendo?—
— Bebendo com você—
— Tenho certeza de que você não gosta de beber—
— Está tudo bem se for com você—
Os dois permaneceram em silêncio, bebendo.
Neo não se sentia irritado pela presença de Elizabeth. Pelo contrário, ela ajudava a acalmar seus pensamentos.
Ela falou depois de começar a ficar um pouco tonta.
— Por que está fazendo cara de triste assim?—
— ...?—
— Você parece triste—
Neo sorriu de leve ao ouvi-la.
— Acho que o pesadelo está afetando minhas emoções demais, se estou deixando elas aparecerem no rosto—
Ela colocou a mão sobre a dele e perguntou suavemente,
— O que aconteceu?—
— Nada sério. Eu…—
Neo estava prestes a mentir, mas parou repentinamente.
Percebeu a preocupação no olhar de Elizabeth e decidiu ser honesto.
— Estava me perguntando se o que estou perseguindo é poder ou vaidade, e se meu objetivo é sem sentido—
Sorriu melancolicamente.
— Se não fosse vaidade, eu não me sentiria assim por quase ter perdido para Tyr. Não significa que meu objetivo sempre foi o poder em si—
Elizabeth percebeu que ele tinha dúvidas, questionando se tudo o que fazia era inútil.
Ela apertou suavemente sua mão.
— Não é vaidade. Eu vejo você trabalhando duro por seus poderes. Você nunca treinou para a admiração dos outros. Foi por você mesmo—
Seu olhar permaneceu fixo nas mãos dele enquanto falava.
Neo estava concentrado em ouvi-la, sem perceber que estavam segurando as mãos de maneira íntima.
— Você me disse que só eu posso determinar o valor da minha vida. Você é a mesma, Neo. Seus objetivos têm sentido quando você acredita neles. Nunca duvide de seus sonhos—
— Não foi vaidade. Você nunca pediu reconhecimento pelos seus esforços ou tentou conquistar pena—
— Você valoriza seus sonhos, e por isso os perseguiu. Nunca foi pelos outros—
— Então, não diga que seu objetivo não tinha sentido—
Elizabeth falou com firmeza.
Neo deu um sorriso leve.
Apesar do humor difícil, ele nunca deixaria de treinar ou culpabilizar a falta de talento por seu crescimento lento. Se estivesse crescendo devagar, apenas tinha que treinar mais forte.
No entanto, ele não podia negar que as palavras de Elizabeth aqueciam seu coração e elevavam seu ânimo.
— Então, estou certo de que não estou errado por sentir assim, né? Qualquer um ficaria desanimado ao ver uma criança competir na sua especialidade— Neo brincou, tentando aliviar o clima pesado.
Ele levou um momento para perceber que tinha dito algo que dificultaria ainda mais o clima.
Antes que pudesse se corrigir, Elizabeth, que finalmente teve uma chance, falou:
— Criança? Tyr tem 130 anos. Ele está longe de ser uma criança—
— Para mim, é uma criança—
— Ele não é uma criança—
Elizabeth estava estranhamente firme nisso.
— Você tem certeza de que estamos falando do Tyr? Acho que é outra pessoa—
— Sim, estou falando de mim mesmo. Não gostei de ouvir que você me vê como uma criança—
— Parece uma confissão— Neo brincou.
Elizabeth não o contradisse. Ficou surpresa.
Sabia que ela tinha sentimentos por ele, mas não achava que ela usaria aquele momento para se declarar.
— Olhe nos meus olhos e diga que pensa em mim como uma criança—
Neo tentou puxar a mão de volta, mas Elizabeth não soltou.
Seu rosto estava próximo.
— Sou cega. Como posso olhar nos seus olhos?— tentou passar o momento como uma brincadeira.
Infelizmente, Elizabeth não deixou passar essa.
Nos últimos anos, ele evitava ela sempre que ela tentava ficar séria com ele.
— Olhe para mim e diga que pensa em mim como uma criança, e nada mais—
Neo desviou o olhar, evitando o dela.
Mas aquilo era inútil.
A Visão de Intenções permitia que ele percebesse tudo dentro de um grande raio.
Ele podia 'ver' seus olhos fixos nele com convicção, os pequenos tremores na sua mão que mostravam que ela tinha medo de que ele realmente dissesse sim, e seu coração batendo forte.
Neo podia sentir tudo aquilo.
— Eu…—
Poderia ter mentido.
No entanto, não quis. Algo lhe dizia que poderia se arrepender depois.
'Agora ou nunca, Neo. Não perca essa chance,' Obitus o encorajou.
— Não, eu não vejo você como uma criança—
— Viu? Foi difícil?—
Elizabeth sorriu.
Ela parecia deslumbrante.
Ele tinha visto ela sorrir muitas vezes, e cada vez ela parecia mais bonita.
Neo teve que admitir.
Estava negando seus sentimentos há muito tempo. Não queria mais fazer isso.
— Neo?— ela se aproximou.
Seu rosto estava a poucos centímetros do dele. As palavras dela demonstravam preocupação, mas seus olhos diziam outra coisa.
Embriagada, ela olhava para seus lábios, esperando algo mais.
Foi então que Neo cometeu um erro. Ele espiou seus pensamentos após um ano evitando fazer isso.
Os sentimentos dela ficaram claros para ele.
Isso quebrou a última resistência que tinha.
Seus corpo se moveu sozinho. Talvez pela influência do álcool, ou talvez porque finalmente teve coragem de agir.
Ele se inclinou para frente e beijou seus lábios.