Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 401

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Foi muito encorajador. Obrigado.

Kane riu ao ouvir a resposta de Neo.

Ele se levantou, alongando os braços acima da cabeça antes de girar os ombros.

“Percival, não sei como, mas faça sua estreia hoje. A partir de amanhã, vou começar a treiná-lo e ao Neo.”

“As chances de isso serem suficientes para prepará-los para a Grande Expedição são baixas, mas precisamos fazer o nosso melhor.”

Kane se alongou novamente, soltando uma bocejada cansada.

“E os demais?” perguntou Olivia, cruzando os braços.

“Façam o que quiserem. Só não se deixem pegar por algum monstro faminto. Aqui tem bastante desses.” Kane disse antes de se dirigir à porta.

Após um momento de reflexão, Percival decidiu sair e fazer sua estreia.

Olivia e Nicolas o acompanharam, com a intenção de protegê-lo durante seu avanço.

Neo foi o único que ficou para trás.

Ele se concentrou em criar Essência.

O tempo passou lentamente, e logo chegou o profundo laranja do entardecer.

Kane voltou, segurando duas xícaras de café fumegantes. O aroma rico preenchia o ambiente enquanto ele colocava uma ao lado de Neo e se sentava atrás dele.

“Posso ser um pouco rude?” Kane perguntou, dando um gole na sua xícara.

“Fica à vontade.”

“Como você está usando Energia Mundial?”

Neo levantou uma sobrancelha.

“Consegue perceber que é Energia Mundial?”

“Consigo. Não parece que você está tentando esconder, e é longe de ser uma energia típica de um Despertado.” Kane olhou fixamente para Neo, com uma expressão difícil de decifrar. “O que você é?”

Neo permaneceu em silêncio.

“Imagino que você não responderia tão facilmente assim.” Kane exalou pelo nariz, depois pegou um livro fino do seu casaco.

Ele o colocou na mesa entre eles.

Neo olhou para o livro.

“O que é isso?”

“Feitiço de Disfarce de Energia. É útil para você, já que logo vai participar da Grande Expedição.

“Você não quer revelar que consegue usar Energia Mundial para inúmeros Usuários de Trevas, né?”

“Quem sabe, eles podem atacá-lo para devorar o que quer que esteja lhe permitindo usar Energia Mundial.”

“Pensei que a Expedição fosse composta por pessoas justas,” Neo perguntou com sobrancelhas franzidas.

Kane riu, balançando a cabeça.

“Você gosta de boas piadas.”

“As pessoas aqui só colaboram por três motivos: interesses alinhados, os altos escalões dos Clãs de Dragão os obrigam, ou planejam apunhalar alguém pelas costas.”

Ele se inclinou para frente, os dedos batendo suavemente na mesa de madeira.

“Os membros da Expedição são todos dos Sete Clãs de Dragão, mas nunca é demais estar 100% seguro. Qualquer um pode ser dominado pela ganância.”

Neo olhou para o livro de feitiços e depois de volta para Kane.

Após um momento de reflexão, pegou o livro e folheou as páginas.

Confirmou que o feitiço era verdadeiro, e guardou o livro em seu Espaço das Sombras.

“Sou um Quebrador do Céu.”

“Entendo.”

“Você não parece surpreso.”

“Bem, eu já desconfiava quando te vi usando Energia Mundial. Algo assim só é possível se você for um Quebrador do Céu ou se tiver a bênção de um Mundo bem próximo.” Kane explicou. “Sua Energia Mundial parece diferente da da Lua, e a Terra nunca daria acesso direto à sua Energia Mundial a qualquer pessoa. A única explicação é que você seja um Quebrador do Céu.”

“Você entende bastante de Quebradores do Céu.”

“Claro, eu entendo. Tenho tentado me tornar um há muito tempo. Mas só consegui agora.” Kane riu de forma amarga. “Você satisfaz minha curiosidade, então pode perguntar qualquer coisa. Sei que deve ter muitas perguntas sobre este lugar.”

Neo ficou alguns segundos olhando para Kane.

Havia muitas coisas que queria perguntar.

Como Kane estava se saindo na vida?

Por que ele estava no Tártaro?

Como ele acordou?

Quando se casou e teve um filho?

Porém, Neo não era mais alguém que tinha direito de fazer perguntas tão pessoais assim.

“Quero sua ajuda.”

Neo tirou sua Violet da Espada Etérea de seu Espaço das Sombras.

As pétalas negras da flor prenderam a atenção de Kane.

“Isso é?” Kane questionou.

“Uma flor com forte efeito curativo. Ela precisa dos elementos Morte, Trevas, Tempo, Vida, Santo e Vazio para florescer. Até lá, não pode ser usada.”

“Você quer minha ajuda para fazê-la florescer? Acho que a Esfinge já te falou sobre minha habilidade.”

Ele massageou o queixo, com a testa franzida, e depois balançou a cabeça.

“Não posso te ajudar com isso.”

Antes que Neo pudesse dizer algo, Kane levantou as mãos e puxou as mangas.

As mãos dele estavam cobertas por sigilos negros.

“Minha habilidade foi selada por esses. Não posso conversar com Elementais ou usar minha espada.”

“O quê? Quem foi que fez isso com você?”

Kane ficou surpreso ao sentir a intensidade reprimida por trás das palavras de Neo.

“Calma. Não é permanente. Posso lidar com isso sozinho. Só vai levar um tempo.”

“Já que você precisa da flor, acho que é urgente para curar alguém, né?”

“Sim, exatamente.”

“Então, não pode esperar a minha habilidade ser desvinculada. Vai ter que fazer a flor funcionar por conta própria. Claro, ainda vou ajudar no que puder.”

Kane se levantou.

Ele se dirigiu à porta.

“Me acompanhe.”

Entraram fundo na casa.

O ar ficou ainda mais frio com a chegada da noite.

Kane o levou a uma sala cheia de cofres.

O aroma metálico de artefatos guardados pairava no ar.

Ele olhou todos eles e parou na frente do cofre no final da sala.

Após digitar a senha, abriu-o.

Dentro, várias ampulhas de sangue estavam dispostas.

“Você tem o elemento Trevas, certo? Pode usá-lo?”

“Posso.”

“Ótimo. Entre os elementos necessários para a flor, quantos você tem e quais consegue usar?” Kane perguntou, examinando as ampulhas de sangue.

“Tenho todos, mas não posso usar o Vazio,” Neo respondeu, embora não entendessem exatamente as intenções de Kane.

Kane parou.

Virou-se para olhar para Neo, sua expressão mudando de curiosidade para algo mais intenso.

“A Terra não tinha afinidade com Vazio?”

“Sim, não tinha.”

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