
Capítulo 405
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Neo conseguiu perceber uma sensação de poder diferente emanando da flor.
Ela não era forte propriamente, mas ainda assim tinha uma força especial?
Havia algo distinto, algo único na Violet Everwitch.
Suas pétalas brilhantes eram hipnotizantes.
Pareciam estar convidando, esperando que ele as consumisse.
Seu encanto dominava sua mente.
Ele quase a absorveu, quando de repente uma dor aguda rasgou suas veias, e ele parou.
A batalha entre suas linhagens havia alcançado o clímax.
As novas linhagens possuíam vantagem numérica.
Porém, estavam danificadas.
Elas deveriam ter sido expulsas, em vez de conseguirem usurpar a linhagem original de Neo.
Algo surpreendente aconteceu naquele momento.
O Rei das Linhagens da Morte inflou-se.
Enfurecido, ele agarrou as linhagens invasoras e começou a devorá-las.
[Combinação de Linhagens]
Era um evento raro. Acontecia apenas quando duas linhagens eram similares, e a mais fraca seria engolida, fortalecendo a linhagem mais forte.
Mas o Rei da Morte e as linhagens invasoras não podiam ser mais diferentes.
Elas não tinham nada em comum.
Neo, confuso, tentou parar sua linhagem.
Ele não estava entusiasmado em descobrir o que aconteceria se sua linhagem devorasse uma linhagem completamente diferente dela.
Antes que pudesse fazer qualquer coisa, as linhagens invasoras foram totalmente consumidas.
Neo piscou, atônito.
De repente, a dor cessou.
Sentiu como se um vulcão prestes a explodir estivesse se formando dentro dele.
[Fragmento de Linhagem Coletada ??? x1]
[Fragmento de Linhagem Coletada ???...]
[Fragmento de Linhagem Coletada ???...]
[Fragmento de Linhagem Coletada ???...]
[Fragmento de Linhagem Coletada…]
[Coletado…]
[Colet…]
As linhagens não tinham nomes.
Mas Neo pôde ver que havia obtido seis [Fragmentos de Linhagem], cada um pertencente a uma linhagem diferente.
"Peguei seis frascos de linhagens diferentes e consegui seis fragmentos. O Rei da Morte consegue fazer algo assim?"
Falar que ficou surpreso seria pouco.
O Rei da Morte havia superado as linhagens invasoras e nem as deixou sair.
Sua linhagem as obrigou a entregar tudo a ela.
[Foi detectado que os Fragmentos de Linhagem x 6 são compatíveis com a Linhagem da Invasão Mental.]
[Deseja fundir os Fragmentos de Linhagem x 6 na Linhagem da Invasão Mental?]
[Observe que, se conseguir coletar mais Fragmentos de Linhagem das mesmas linhagens, é possível obter a linhagem original delas.]
[Prosseguir/Recusar?]
Analisando a tela, Neo esqueceu-se do estado de seu corpo.
Se não fosse Ava aparecer ao seu lado a tempo e segurá-lo, sua cabeça teria batido no lago encharcado de sangue.
Ela o ajudou a sair do lago.
"Obrigada."
"Como você fez isso?" ela perguntou, ao invés de responder ao seu agradecimento. "A habilidade bruta de devorar outras linhagens e obrigá-las a se integrar à própria é algo que só Dragões possuem.
"Você é um Dragão?"
Seus olhos dourados pareciam penetrar sua alma.
Neo abriu a boca para negar, mas parou no meio da fala.
Ele era um Dragão?
Até onde sabia, os Dragões tinham diferentes tipos de linhagens também.
Talvez a linhagem de Hades pertencesse a algum Clã de Dragões antigo, que mais tarde evoluiu para o Rei da Morte.
'Isso explicaria por que minha linhagem consegue fazer algo que só Dragões deveriam ser capazes.'
"Por que você não responde?" Ava perguntou, interrompendo seus pensamentos.
"Não sei," Neo respondeu com sinceridade. "Vou perguntar ao meu pai quando puder encontrá-lo."
Ava percebeu que ele estava fugindo da questão.
"Quanto tempo vai levar?" ela insistiu.
"Não sei."
Ava franziu a testa, irritada.
Neo tinha consumido mais da metade do Lago Yasagori.
Levaria mais de um século para que o lago se recuperasse totalmente.
Em vez de ser grato e responder à sua pergunta, Neo estava mentindo sobre algo que era claramente evidente.
"Sinceramente, não sei," Neo disse, percebendo suas emoções. "Nunca encontrei meu pai na vida, e não sei quanto tempo vai levar."
Ela parecia desconfiada, então ele acrescentou:
"Uma das razões pelas quais vim para este mundo é para encontrar meus pais, se eu ficar forte o suficiente."
De repente, a mente de Ava ficou mortalmente silenciosa.
"…é verdade?" ela perguntou hesitante.
"Receio que sim," Neo respondeu com uma risada.
Seu sorriso fazia suas palavras parecerem ainda mais verdadeiras, fazendo Ava pensar que ele escondia sua dor por trás do sorriso.
Ela começou a sentir uma espécie de laços de afinidade.
A mudança em seu estado de espírito surpreendeu Neo.
'O que está acontecendo com sua família, Kane?'
Ele manteve seus pensamentos em segredo, sabendo que Ava não ia responder.
Aliás, tinha uma tarefa mais importante na frente.
Ele olhou para a flor.
Parecia estar tentando seduzi-lo a consumi-la.
Neo tinha caído no encantamento da flor na primeira vez, mas não se deixou levar novamente, preparado.
"Quem você vai usar isso?" de repente perguntou Ava.
"Em alguém que se machucou por minha causa."
Ela olhou para a flor como se estivesse pensando em algo.
Diferente da ocasião em que estavam escalando a montanha e Ava parecia forçada a ajudar Neo, desta vez ela falou com sinceridade.
"Não use. Essa é a flor de uma Bruxa. Vai transformar qualquer um que a consumir em uma Verdadeira Bruxa."
Ela apertou os lábios e rapidamente acrescentou:
"Verdadeiras Bruxas nascem dessas flores. Não sei como você conseguiu uma coisa tão preciosa. Mas é um objeto amaldiçoado."
"Ok, chega," Neo levantou a mão para impedir que ela continuasse reclamando. "Fale devagar, e explique de forma mais simples."
Foi só então que Neo percebeu que estavam falando na mesma língua.
'Kane deve ter ensinado a ela a língua do nosso mundo,' pensou.
Ava, sem compreender seus pensamentos, abriu a boca.
"Li livros da biblioteca do nosso clã. Um deles tinha informações sobre essa flor. Explicava que as Bruxas nasciam dela."
"O que é uma Bruxa?"
"Uma Imortal."
"…?" Neo fez careta. "E o que há de tão ruim nisso?"
"Você não pode morrer. Por mais que tente, sempre vai viver. Para Sempre. Para a Eternidade."
As palavras dela retumbavam em sua cabeça.
Neo tinha esquecido o que significava a Eternidade.
Na verdade, ele se lembrava dela.
Mas tinha passado a aceitá-la e a apreciá-la.
E os outros?