
Capítulo 397
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
[Transcendência Empática]
﹂Progresso: 10% → 12%
O controle de Neo sobre a habilidade havia aumentado.
Porém, ativá-la ainda era como tentar segurar uma barra de sabonete escorregadia demais.
Neo massageou as sobrancelhas.
"O Espaço vai me ajudar a conversar com outros Elementais."
"Quer dizer que eles vão pedir aos outros Elementais que me ouçam?"
Ele franziu o cenho.
"Será que os outros Elementais até mesmo seguiriam a palavra do Espaço?"
Os Elementais do Espaço pareciam bastante inteligentes.
Diferente do Ar, que só sabia pregar peças, e da Água, que era mais preguiçosa que um bicho-preguiça, o Espaço era maduro e disposto a conversar.
"Se ele está tão desesperado para pedir minha ajuda, sua Pessoa Amada deve estar em perigo enorme."
Enquanto se perdia em pensamentos, sentiu alguém entrando no convés.
"Espero não estar te incomodando", falou Olivia.
"Tudo bem. Eu estava apenas olhando as redondezas", respondeu Neo, virando-se para ela.
Seu olhar passou rapidamente pelo horizonte, onde o mar se agitava de forma anormal. "Parece que estamos prestes a chegar ao Ponto de Mudança."
"Que notícia boa. Quanto mais rápido chegarmos ao nosso destino, mais rápido podemos completar nossa missão."
Ela se virou para o lado, apoiando as mãos nas paredes, observando a distância.
Apesar de sua postura calma e madura, uma leve ansiedade brilhou em seus olhos, e ela segurou firmemente as correntes, ficando com as knuckles brancas.
Neo tentou ignorar.
No entanto, suas ações o irritaram.
"O que foi?" perguntou.
"Desculpe? Não entendi sua pergunta", respondeu Olivia, tentando esconder a ansiedade.
"Por que você está preocupada?" perguntou Neo novamente.
Olivia abriu a boca, instintivamente querendo dispensar a pergunta.
Porém, ela parou ao perceber a maturidade por trás do olhar de Neo.
Era estranho para uma criança da idade dele.
Exaltado. Herdeiro do Submundo.
Ambos os títulos soavam grandiosos, mas não eram fáceis de alcançar ou de administrar.
De trilhões, apenas um Demigod alcançava a condição de Exaltado a cada trezentos anos.
Essa própria realidade dizia muito sobre a dificuldade do caminho.
E o Submundo…
Até mesmo Demigods Exaltados hesitavam em pôr os pés naquele lugar miserável.
No entanto, Neo, um Imortal, devia ter visitado o local várias vezes.
Não era à toa que era muito mais maduro do que deveria ser.
Sighando, Olivia decidiu ser honesta.
"Como está a Leonora?" ela perguntou em tom suave.
A expressão de Neo permaneceu indecifrável.
"Os assuntos dos mortos não podem ser revelados."
"Entendi…"
Uma tristeza passageira apareceu nos olhos de Olivia.
Ela sorriu de lado, abaixando a cabeça enquanto tentava conter as lágrimas que ameaçavam surgir.
Seus ombros se tensionaram.
Neo a observou em silêncio.
"Por que você não tentou trazê-la de volta?" de repente perguntou. "Os Magos do Tempo do seu Clã poderiam ter salvado a Leonora."
Ele já sabia a resposta.
Mas perguntou assim mesmo.
Às vezes, as pessoas precisavam de uma razão para liberar aquilo que guardavam fundo dentro de si.
E não faria bem a ele se o estado mental da parceira de missão estivesse destruído.
Um aliado imprevisível é pior que um inimigo competente.
"Acho que posso te contar," disse Olivia, inspirando profundamente para se recompor.
Ela exalou lentamente, reorganizando-se.
"Nosso Clã recebeu uma visão do futuro. De uma guerra. Que devorou tudo. Nada ficou intacto. Os Clãs divinos caíram. Os Demigods foram massacrados."
Seus dedos tremiam enquanto fechavam os punhos.
"Foi uma visão horrenda."
Ela levantou uma mão para cobrir o olho, como se a lembrança se recusasse a desaparecer.
"Deve ser a Guerra do Mar de Sangue", disse Neo.
"Talvez tenha sido. Ainda não descobrimos muitas respostas. O que a visão mostrou foi que ninguém vai sobreviver. Nem eu, nem minha família, nem ninguém."
O ar ao redor deles ficou mais pesado.
Gritos distantes do Mar de Sangue subiam e desciam, misturando-se com o borbulhar assustador das águas do Mar de Sangue.
O aperto de Olivia nas correntes ficou mais firme.
"E então?"
"A-que…"
Olivia engasgou.
Uma tempestade de emoções cruzou seu rosto—luto, arrependimento, culpa.
Ela cerrava a mandíbula, tentando reprimir o tremor na voz.
"Nos assustamos. Os Clãs divinos procuraram freneticamente. Decidiram eliminar tudo que pudesse ameaçar o futuro. Mas a visão não mudou."
"Por isso… Por isso…"
Ela teve dificuldade em falar, sabendo exatamente o que elas – ela – tinham feito.
"Deixamos a Leonora morrer. O Submundo é seguro, muito mais seguro que o mundo dos vivos."
"O Monarca da Morte, o Deus mais forte, vive lá."
"Nenhuma besta ou monstro pode prejudicar aquele lugar."
"Se a Leonora conseguiu estabelecer uma base lá – antes que bilhões chegassem ao Submundo após morrer na guerra e os territórios dos mortos se tornassem mais caóticos – ela poderia viver em paz, como uma figura respeitada."
"Ela estaria segura lá", disse Olivia.
Neo encostou-se na parede.
"Por isso você enganou os Ceifadores?" ele riu. "Não é de surpreender que tenham dado a ela um Feitiço de Respiração."
Dar um Feitiço de Respiração a um Caçador de Almas é algo totalmente dentro das atribuições de um Ceifador.
Podem escolher seus sucessores e favorecer quem quiser.
Olivia permaneceu em silêncio.
Seu coração cheio de preocupações.
Será que sua filha estava se alimentando bem?
Ela tinha se adaptado ao ambiente severo do Submundo?
Mesmo por sua segurança futura, seria realmente bom deixá-la lá, quando até Demigods Exaltados temiam aquele lugar?
Os Cavaleiros do Templo da Morte garantiram a ela que os rumores sobre o Submundo eram exagerados.
Que o lugar não era tão ruim assim como todos diziam.
No entanto, Olivia não podia deixar de se preocupar.
Esse plano era perigoso.
Por isso, eles nunca tinham tentado enviar Leonora ao Submundo antes.
Só quando ela morreu inesperadamente foi que decidiram seguir adiante.
"Leonora não gostaria que você chorasse assim", disse Neo.
Olivia, embora fosse uma Demigod Exaltada, era também mãe.
Ela e seu marido sempre foram carinhosos com sua única filha.
A simples ideia de Leonora estar no Submundo parecia rasgar seus corações ao meio.
Neo permaneceu em silêncio.
Ele deixou Olivia processar suas emoções.
Enquanto as duas ficavam em silêncio, Neo percebeu os Elementais do Espaço crescendo em número.
Partículas prateadas de luz tremulavam ao redor dele, pairando como vaga-lumes na aragem tênue.
As portas do convés rangeram ao serem abertas, e Percival e Nicolas entraram.
Olivia rapidamente secou as lágrimas antes que eles percebessem seu pesar.
"Estamos próximos ao Ponto de Mudança", disse Percival, enquanto observava o entorno.
De repente, os gritos vindo do Mar de Sangue desapareceram—junto com a gravidade.
A nave caiu.
Por um instante, pareceu que ela estivera voando o tempo todo, e agora caía do céu.
Então, com um estrondo ensurdecedor, a nave voltou a colidir com o Mar de Sangue.
Todo o processo durou menos de um segundo.
Um impacto agudo atravessou seus corpos, deixando seus corações pulsando acelerados.
Os Ponto de Mudança são perigosos para usar.
No momento, eles foram sortudos.
Sua embarcação caiu em outro mundo dentro do Mar de Sangue em uma posição reta.
Nos piores cenários, a nave poderia aparecer dentro do próprio Mar de Sangue, submersa.
Seria uma aniquilação instantânea.
"Onde fica o Tártaro?" perguntou Percival, após se situar. "Não vejo nada. Chegamos ao lugar errado?"
"A Bênção de Ártemis diz que é perto", respondeu Olivia.
Essa bênção lhes permite encontrar um caminho até o destino.