Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 382

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

As palavras dos Elementais de Ar lhe lembraram de algo.

A diferença entre objetos bidimensionais e tridimensionais.

Se você desenhasse dois quadrados numa folha, não conseguiria dizer qual deles está mais perto de você e qual está mais longe.

Era porque o conceito de 'profundidade' não existia na 2D.

Mas se colocasse dois 'cubos' à sua frente, você saberia imediatamente qual deles estava mais próximo e qual mais afastado.

'Mesmo que você não perceba as dimensões adicionais, elas ainda existem.'

'Que tal aprendermos um método para acessá-las?'

"E o que isso vai fazer?"

'Você poderá entrar nelas. Imagine como pode ser útil!'

'Outras pessoas da sua espécie não conseguem enxergar além da quarta e meia dimensão.'

'Se você puder acessar dimensões superiores, para os outros, parecerá que você desaparece toda vez que se move!'

Isso soava mais do que bom demais para ser verdade.

Neo manteve seu ceticismo guardado e sinalizou para os Elementais de Ar prosseguirem.

'Por enquanto, vamos chamar o movimento de {Mudança Dimensional}.'

'Tente analisar nossos movimentos.'

Os Elementais de Ar, que voavam como vaga-lumes brincalhões, de repente pararam—ou ao menos, assim parecia à primeira vista.

Neo estreitou os olhos, focando nas pequenas partículas de um verde-pálido que pareciam congeladas no ar.

Demorou um pouco para entender o que estava acontecendo.

Os Elementais de Ar não haviam parado de se mover.

Eles estavam se movendo, mas em um espaço de dimensões superiores.

Era parecido com desenhar um quadrado na folha.

Se aquela folha se movesse para dentro ou para fora em uma direção perpendicular ao plano (para dentro ou para fora), a mudança seria invisível de uma perspectiva 2D.

'Profundidade' não existia lá.

O mesmo acontecia entre Neo e os Elementais de Ar.

Ele esforçou sua Visão de Intenção para acompanhá-los.

Era quase imperceptível, mas Neo conseguia vê-los se movendo.

Seus trajetos pareciam sem sentido, escorregando para dentro e para fora de sua percepção, como se os caminhos mudassem a cada momento.

'Finalmente você percebeu!'

'Agora tente!'

As partículas retomaram seu voo, circulando Neo como um turbilhão caótico e animado.

Seus movimentos criavam pequenas ondulações no ar.

Eles cantavam louvores diferentes, embora fosse difícil distinguir as palavras específicas.

Neo desligou das distrações externas e focou.

'Embora eu não consiga enxergar as dimensões superiores, elas existem ao meu redor.'

'A Mudança Dimensional me permite mover por esses caminhos de dimensões superiores.'

Para alguém que passou toda a vida percebendo a existência dentro de quatorze dimensões e meia, tentar entrar na quinta ou além era como tentar agarrar fumaça.

Neo tentou imitar os movimentos dos Elementais de Ar.

'Hehehe, não é fácil—'

As palavras dos Elementais de Ar foram interrompidas abruptamente quando Neo, de repente, moveu a mão de uma forma que pareceu… estranha.

Sua mão não se moveu de jeito nenhum do ponto de vista de uma pessoa normal que o observasse.

Mas os Elementais de Ar viram: sua mão tinha se deslocado—não dentro do espaço familiar de quatro e meia dimensões, mas em uma dimensão superior.

Parecia que um espaço vazio tinha surgido.

Ele deslizou a mão para dentro daquele espaço que ninguém mais conseguia perceber.

'Conseguiu!'

'Nunca pensamos que você aprenderia a entrar na {Fenda} tão facilmente.'

'Deveria ser impossível, mas você conseguiu!'

"Fenda?"

'É assim que todos chamam as dimensões que não conseguem enxergar.'

'Para sua espécie, tudo acima de quatro e meia dimensões existe numa {Fenda} da percepção deles.'

'E agora você consegue entrar na Fenda!'

'Tente mover seu corpo inteiro através dela.'

Neo hesitou por um momento, depois assentiu.

Por alguma razão, imitar os movimentos dos Elementais de Ar parecia natural para ele.

Um passo.

Dois passos.

Sua perna tocou um limite invisível.

Ele sentiu uma mudança, como uma sacudida quase imperceptível na realidade.

Estava dentro da Fenda—

"Huh?"

Uma sensação desconcertante percorreu seu corpo.

Parecia que ele tinha 'escorregado' para dentro do espaço vazio, ao invés de simplesmente entrar nele.

Era semelhante à sensação de 'mudança' que se sente ao teleportar, mas faltava a fluidez limpa a que estava acostumado.

Pelo contrário, parecia caótico.

O mundo ao seu redor ficou escuro. Não era a escuridão da noite, mas um vazio opressivo, infinito. Seu corpo parecia leve, como se estivesse atravessando inúmeras camadas de existência, que o puxavam cada vez mais fundo na Fenda.

'Hehehehe, você deveria se ancorar a uma dimensão!'

As vozes dos Elementais de Ar ecoaram.

O riso deles ressoou pelo infinito espaço.

'Se continuar caindo na Fenda, ninguém sabe onde vai parar!'

A expressão de Neo congelou ao perceber a gravidade da situação.

'Então é por isso que eles estavam me ensinando tão alegremente! Esses malditos!'

O ambiente ao redor dele mudou violentamente.

Num momento, ele estava submerso num oceano vasto, e um peixe colossal de olhos brilhantes o encarava nas profundezas.

A presença daquele monstro fazia seu coração disparar.

No momento seguinte, ele se encontrava numa floresta vibrante feita totalmente de vidro colorido.

As árvores brilhavam como prismas, refratando a luz em um caleidoscópio de cores, e as flores faziam um barulho de estalo ao se balançar no vento.

O corpo de Neo continuava a ‘cair’ sem controle.

Ele não tinha ideia de onde estava ou para onde ia.

De repente, colidiu contra algo frio e sólido.

O impacto o fez estremecer, deixando-o sem ar.

O chão sob seus pés era duro e frio.

Um gemido escapou dos lábios de Neo enquanto lutava para se erguer.

A dor explodia no peito dele.

Olhou para baixo e percebeu uma mancha vermelha se espalhando por sua camisa.

A força da queda tinha quebrado algumas costelas, e o gosto de cobre persistia na boca enquanto cuspia sangue.

"Onde estou?"

Seus olhos vasculharam o ambiente.

O céu acima era uma vastidão de preto sem fim.

O chão de pedra fria sob ele.

Uma espessa névoa branca girava ao redor de seus joelhos. Não era natural—parecia estar viva, observando-o, escondendo algo profundo lá dentro.

E então ele as viu.

Estátuas.

Inúmeras estátuas humanoides congeladas na névoa.

"Parecem semelhantes à Anomalia #79."

Ele balançou a cabeça, tentando afastar o pensamento.

"Por que estou pensando naquele monstro? Essas estátuas são diferentes."

As estátuas todas apontavam para uma única direção.

Neo ergueu a cabeça e olhou para o céu.

Para ser exato, olhou para o ponto de entrada desta dimensão—uma rachadura estranha visível apenas para ele.

Ele a sondou com seus sentidos.

"Aquilo parece uma rota de mão única. Acho que preciso procurar uma saída diferente."

Era assustador ver o caminho por onde caiu.

A própria dimensão dele—seu mundo, ou seja lá como chamarem—estava a um passo de distância, literalmente.

Mas ele não podia voltar, pois não tinha como se mover entre as dimensões.

"Preciso encontrar o caminho certo na Fenda se quiser voltar pra casa."

O caminho anterior que tomou era uma passagem de ida única, que o levou para esta dimensão estranha.

Não podia levá-lo de volta.

"Ei, sei que você consegue me ouvir…" Neo chamou, dirigindo-se aos Elementais de Ar—os safados responsáveis pela sua situação.

Sua voz morreu ao sentir um movimento ao seu redor.

Um calafrio subiu pela espinha dele.

Seus instintos gritavam perigo.

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