Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 363

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

A luta deles agora era como um Semideus Desperto tentando desafiar um Deus Exaltado.

Era uma batalha na qual, nem mesmo vencendo, Neo conseguiria causar dano a ponto de ser uma vitória.

E ainda assim, Neo conseguiu fazer o impossível.

"Deus do Céu, vocês realmente são monstros", disse Bael com um sorriso de lado, balançando a cabeça com uma admiração relutante.

Decidiu então dar uma pausa a Neo.

Com um estalar de dedos casual, o salão gigante voltou ao seu estado original, limpo e intacto.

As paredes imensas e as colunas ornamentadas reapareceram como se nunca tivessem sido danificadas.

Os destroços do chão desapareceram completamente, deixando um silêncio absoluto.

Apenas um verme sobreviveu.

— O-oi, senhor — falou Velkaria, suando copiosamente.

— Senhor? — zombou Bael. — Da última vez que nos vimos, você estava rindo enquanto eu jazia moribundo.

— E-eu… foi em uma outra linha do tempo, senhor! Não era eu — mentiu Velkaria sem hesitar.

Velkaria queria chorar.

Ela sabia muito bem que usuários de linhas do tempo como Bael podiam ver as linhas anteriores através de sonhos fragmentados.

Porém, as chances desses sonhos acontecerem eram minúsculas e aconteciam aleatoriamente.

E, de todas as pessoas, Bael — aquela quem ela mais desejava que nunca se lembrasse de seu passado — foi quem se lembrou.

— Me siga e me conte tudo o que está acontecendo — ordenou Bael.

Ele carregava o corpo inconsciente de Neo pelo palácio.

Velkaria, com apenas um verme sobrando, seguia de perto.

Ela não ousou desobedecer Bael e conteu tudo que sabia.

Bael entrou em uma suíte luxuosa.

Suas paredes eram decoradas com murais que retratavam batalhas antigas.

No centro, havia uma cama de dossel gigantesca, coberta com tecidos em tons de vermelho e ouro.

Bael cuidadosamente colocou o corpo de Neo sobre o colchão macio.

Seus movimentos eram surpreendentemente cuidadosos para alguém que tinha sido responsável pelo corpo quebrado de Neo.

Velkaria ficou perto da porta, nervosa.

Seu olhar alternava ansiosamente entre Bael e Neo.

Neo acordou algumas horas depois.

Seguindo o hábito, ativou instantaneamente sua benção e o elemento Vida ao máximo.

Uma luz verde reconfortante o envolveu, curando seu corpo com rapidez impressionante.

As rachaduras em sua pele desapareceram, e sua respiração se estabilizou, enquanto suas feridas cicatrizavam completamente.

— A princesa finalmente acordou — murmurou Bael, fechando o livro que lia.

Ele se sentou em uma cadeira resistente ao lado da cama.

Sua espadona descansava contra a parede atrás dele.

Neo se sentou, massageando as têmporas.

Seu olhar caiu sobre Bael, e sua expressão virou de mau humor.

— Como você está? — perguntou Bael com uma tonalidade de zombaria.

— Como a merda — respondeu Neo de forma direta.

Ele olhou para as mãos e cerrando os punhos de raiva.

— Que Deus do Céu, meu. Ele brincou comigo e eu não consegui fazer nada — pensou, irritado.

Bael poderia tê-lo matado — ou feito algo pior — se tivesse vontade.

Neo era fraco demais para se proteger.

Ele só estava vivo porque Bael não tinha intenção de machucá-lo.

Seu raciocínio foi interrompido por uma tela que apareceu de repente diante de seus olhos.

[Missão 'Desafiando o Impossível' completada.]

[Recompensa: Técnica de Condensação do Núcleo Mundial primordial]

Uma enxurrada de informações invadiu sua mente.

A Técnica de Condensação do Núcleo Mundial do Caos, sua recompensa anterior, permitia formar um Núcleo com afinidade ao elemento Caos.

Caos era outro nome para o elemento Morte corrompido.

Era extremamente poderoso.

Porém, a Técnica de Condensação do Núcleo Mundial Primordial era muito superior.

Ela permitia formar um Núcleo com afinidade a todos os seus elementos, não apenas ao Morte corrompido.

— Isso…

A recompensa indicava que seu ataque tinha atingido o corpo de Bael.

— Então meu último ataque deu certo — pensou Neo, com a mente agitada.

Durante o golpe final, tentou criar e usar a Vontade da Espada.

Achava que tinha falhado.

Parece que estava enganado.

— Então essa era a Vontade da Espada, ou pelo menos perto disso — refletiu.

Seu espaço primordial ainda estava bloqueado.

Neo não tinha completado as modificações necessárias para aperfeiçoar a criação da Vontade da Espada.

— O que posso usar agora é uma Vontade da Espada incompleta, e ela conseguiu machucar um Deus do Estágio 5 —

As mãos de Neo tremeram levemente enquanto seu coração acelerava de excitação.

— Quão poderosa será a Vontade da Espada completa? — pensou Neo, sorrindo discretamente.

Ele sabia que não tinha realmente ferido Bael, apenas conseguido um ataque.

Isso também foi porque Bael o subestimou.

Mas, o que ele fez foi uma façanha que ninguém do seu nível deveria conseguir.

— Quero criar a Vontade da Espada o quanto antes — pensou Neo, empolgado.

Ele estava ficando mais forte. Essa era a sensação que amava.

— Alô?

Bael se aproximou mais.

Fez um gesto dramático com a mão na frente do rosto de Neo.

— Chamando a princesa do Submundo, consegue me ouvir?

— Consigo te ouvir perfeitamente, e não precisa ficar balançando a mão assim — respondeu Neo, com tom neutro, apontando para seus próprios olhos.

— Estou cego — explicou.

Bael hesitou por um momento, depois sorriu de forma mais ampla.

— Por isso que balanço minha mão na sua frente — brincou.

Ele se recostou na cadeira, rindo.

Neo o encarou com uma expressão séria antes de abrir a boca.

— Você consegue usar a Vontade da Espada, certo? Pode me ensinar? — perguntou ao invés de responder às provocações de Bael.

— Não quero — respondeu Bael.

— Por quê?

— Por que eu iria te ensinar? Nem todo mundo quer lamber seus sapatos só porque você é herdeiro do Submundo — retrucou Bael.

Neo franziu os lábios com a resposta.

— Então você sabe que sou o herdeiro do Submundo, trabalha pro meu pai, mas não quer me ouvir? — pensou, sem dizer em voz alta.

Ele decidiu não falar isso.

Não fazia sentido.

Ele sabia que Bael não se importaria nem se usasse o nome de Hades.

— Como um lunático como você se tornou o primeiro Ceifador a servir ao meu pai? — perguntou, exasperado.

— Ei, isso é um insulto — murmurou Bael, cruzando os braços, com um sorriso de leve zombaria na boca.

— A única razão de eu ser Ceifador e ele ser o Monarca — e não o contrário — é porque perdi a luta quando éramos jovens.

— Caso contrário, eu seria o Monarca do Submundo —

— Mas você perdeu, né? — perguntou Neo, juntando as pistas nas palavras de Bael. — Anyway, qual é o nível do meu pai? Tô curioso.

— Como o Submundo gerencia almas de múltiplos mundos, ele deve ser bem forte como Roteiro do Submundo —

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