Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 366

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Os olhos de Neo se estreitaram.

— Sabe onde posso encontrá-los? — perguntou.

Não houve resposta.

A Esfinge havia desaparecido.

A mensagem dela era clara: Neo precisava encontrá-la se quisesse respostas.

Neo comentou entre dentes e se levantou.

— Vamos embora. Estamos partindo. — decidiu.

— Pra onde? — perguntou Velkaria.

— Para o Mundo dos Vivos. — respondeu Neo.

Neo enviou Velkaria de volta ao seu Espaço das Sombras.

Ele fez uma última varredura pelo palácio, procurando por Bael, mas não encontrou nada.

Com um suspiro baixo, virou-se e saiu do palácio.

Do lado de fora, a paisagem do Mundo Inferior se estendia à sua frente.

— Saúdo-te, príncipe — Veldora fez uma reverência. Ele aguardava pacientemente o retorno de Neo. — Como foi seu encontro com o Monarca?

— Foi... inesperado — respondeu Neo.

Neo optou por não revelar a ausência de Hades.

'Alguns Ceifadores devem suspeitar que o pai está desaparecido.'

'Aliás, ninguém o viu há tempos.'

'A única razão de os Ceifadores estarem escondendo a notícia é para manter a estabilidade e a ordem no Mundo Inferior.'

Os pensamentos de Neo ferviam enquanto ele olhava para Veldora.

'Assim como os Ceifadores, outros podem ter percebido que o pai sumiu.'

'Eles permanecem em silêncio porque ainda não têm confirmação.'

'Mas se confirmarem...'

Sua sobrancelha tensionou.

'O Mundo Inferior será dominado pelo caos.'

— Isso vai acontecer em breve — pensou Neo.

Ele apertou os punhos com força.

Precisava ser forte o suficiente para lidar com o caos que viria — ou encontrar um jeito de trazer o pai de volta.

— Príncipe, há algum problema? — perguntou Veldora.

— Não — Neo balançou a cabeça. — Vamos retornar à Floresta de Todas as Origens.

— Como desejar, príncipe. — respondeu Veldora.

Eles partiram voando.

Semanas se passaram enquanto viajavam.

Ao chegarem à Floresta de Todas as Origens, Neo usou seu distintivo de Ceifador.

Ele o ativou.

Um portal giratório de energia negra se materializou diante dele.

Sem hesitar, Neo passou pelo portal.

O mundo ao seu redor mudou abruptamente.

Ruídos estranhos o saudaram ao emergir — gemidos baixos e respiração ofegante.

Neo abriu os olhos e se viu de volta na sala particular de café, onde tinha entrado pela primeira vez no Mundo Inferior.

A luz quente do ambiente contrastava fortemente com a escuridão do Inferno.

No entanto, a cena diante dele era bem diferente do comum.

O proprietário, desleixado e quase nu, estava ocupado com a empregada na mesa.

O ar ficava pesado com a tensão constrangedora enquanto seus olhares chocados se encontravam com os de Neo.

— Quem é você—

De repente, Neo apareceu ao lado deles e segurou suas cabeças.

— Dorme. — ordenou.

Ele ativou sua habilidade de Controle Mental.

O proprietário e a empregada murcharam e ficaram profundamente adormecidos.

— Droga, que hora do cão é essa? — murmurou Neo enquanto coçava a testa.

A situação lhe lembrou seus momentos com Daniel.

Neo frequentemente tinha que suportar ver Daniel se entregando aos seus impulsos impulsivos, especialmente quando o homem estava preso.

— Droga, isso de alguma forma tá me irritando — pensou Neo, franzindo a testa.

Seu olhar se fixou nos dois inconscientes, espalhados de forma desajeitada na mesa.

Com um clique de língua, deu um passo à frente e ativou sua habilidade.

— Invasão Mental — murmurou.

Sua manifestação da alma surgiu dentro da mente da empregada.

Lá dentro, memórias fragmentadas flutuavam como cacos de vidro quebrado.

Neo as percorreu, buscando a lembrança de sua chegada repentina.

Ao encontrá-la, concentrou-se intensamente e a destruiu.

Estritamente falando, Invasão Mental era uma ferramenta para visualização de memórias, não para alterações.

Mexer nas memórias de alguém poderia prejudicar sua mente se feito de forma imprudente.

Apagar uma grande parte delas representava o risco de danos irreversíveis.

'Remover apenas cinco segundos deve ser seguro' — avaliou Neo.

Depois de completar sua tarefa, virou-se para o proprietário e repetiu o processo.

Deu uma última olhada nos dois adormecidos antes de sair da loja.

As ruas lá fora estavam silenciosas, banhadas na suave luz dourada do entardecer.

Uma brisa fresca agitava as folhas das árvores próximas.

Neo ativou seu feitiço de Salto das Sombras.

O mundo ao seu redor turvou-se e ele se deslocou em direção à academia.

Chegou rapidamente ao seu destino.

— É aqui que você estuda, príncipe? — ecoou a voz de Veldora suavemente.

Neo olhou para a chama azul que flutuava acima do seu ombro — a forma atual de Veldora.

— Sim, este é o lugar onde eu e outros semi-deuses estudamos — respondeu Neo.

Anjos—Ceifadores—eram seres dotados com o sangue do Monarca.

Eles haviam jurado lealdade eterna a ele.

Era essa linhagem de sangue que os protegia de se transformarem em monstruos sem sangue frio, como outras almas no Mundo Inferior.

O sangue também lhes conferia habilidades aprimoradas, aumentando suas afinidades pelo tipo sombrio.

No entanto, isso também os vinculava às leis do Monarca.

Os mortos não devem interferir nos vivos.

Era uma regra inquebrável.

Qualquer Anjo de Hades que ousasse desobedecê-la enfrentaria consequências terríveis.

No melhor dos casos, perderiam seus poderes.

No pior, sofreriam uma morte horrenda.

Era essa regra que garantia que nenhum Ceifador agisse no mundo dos vivos.

Veldora não era um Ceifador.

Porém, tinha uma pequena fração do sangue do Monarca.

Isso impedia sua monstruosidade mas o deixava incapaz de fazer muito no Mundo dos Vivos.

— Veldora, é verdade que você não consegue fazer muito no Mundo dos Vivos como os outros Ceifadores? — perguntou Neo.

— É parcialmente verdade, príncipe — respondeu Veldora, com a voz calma e reverente.

— As restrições sobre mim são bem menores do que as dos outros Anjos da Morte; posso me mover com mais liberdade. — explicou.

— Mas mesmo assim, o que posso fazer é limitado. — completou.

Apesar de carregar o sangue do Monarca, Veldora nunca jurou lealdade a Hades.

Pelo contrário, ele se dedicou inteiramente a Neo.

Assim, Veldora não era um Anjo e não podia exercer o poder pleno concedido pelo sangue do Monarca.

No entanto, isso também fazia com que fosse menos restrito em comparação com outros Ceifadores.

— Entendo — disse Neo.

Neo caminhou pelos corredores da academia.

Ele passou por um dos blocos de estudantes e notou Felix e Arthur.

Os dois avançavam devagar, com passos pesados.

Suas faces estavam pálidas, com olheiras fundas sob os olhos.

Andavam como zumbis, com os braços quase sem movimento a cada passo.

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