
Capítulo 358
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
"Ela quer me matar?"
"Sim," Leonora respondeu com um sorriso amargo. "Ela acha que você matou Kendrick e quer vingança."
"Mas eu reencarnei ele. Isso também foi o que ele quis."
"Gwen não sabe disso," Leonora falou suavemente.
Nos olhos de Gwen, Neo tinha matado Kendrick de forma brutal.
Na cabeça dela, sua raiva era justificada.
Leonora percebeu a expressão preocupada de Neo.
Ela estendeu a mão e bateu de leve nas costas dele com empatia.
"É melhor você não encontrar Gwen agora. Ela… bem, ela está bastante motivada pela vingança."
Neo suspirou e assentiu lentamente.
"Duvido que ela vá te escutar se você disser que não matou Kendrick," Leonora acrescentou.
"Isso faz sentido," Neo confirmou.
Leonora imediatamente falou com entusiasmo, tentando aliviar o clima antes que piorasse.
"Não se preocupe! Vou tentar dizer a ela que você talvez tenha ajudado Kendrick a partir, ao invés de matá-lo."
"É melhor ela mudar de ideia com o tempo do que tentar forçar uma mudança agora."
"É…"
Parecia que ele teria que adiar o encontro com Gwen e perguntar se ela gostaria de ser ressuscitada.
Porém, ouvindo Leonora, ficou claro que Gwen não tinha intenção de ressureição—revenque ou não.
Os dois conversaram por um bom tempo.
Uma brisa fria pairava no ar, fazendo Leonora puxar seu manto mais para perto de si enquanto ria baixinho.
Começou a narrar suas experiências no Submundo.
"O Submundo foi bastante surpreendente," ela disse.
Sua voz era leve e melodiosa.
"A quantidade de energias sombrias no Submundo é muito alta.
"Qualquer um que venha aqui acaba se transformando em monstro."
"Apenas aqueles com alto domínio de elementos do tipo Escuridão ou Santo ou Luz são mais ou menos imunes à monstruização."
Neo lançou um olhar de esguelha para seus chifres enquanto ela não prestava atenção.
"Eu tenho o elemento Santo, mas quando vim aqui, minha maestria mal era de rango Aprendiz."
"Se eu não tivesse encontrado uma técnica de respiração única, já teria me tornado um monstro," explicou.
"Técnica de respiração única?" Neo questionou.
"Sim," respondeu Leonora. "Minha técnica de respiração converte todos os elementos do tipo Escuridão que respiro em substância física. Esses chifres…"
Ela gesticulou para os chifres curvos e negros no topo da cabeça.
"Estes são as impurezas que todos respiram no Submundo. Eu apenas as transformei nessas."
Neo ficou impressionado.
Parece que uma Ceifadora de Almas reconheceu seu talento e decidiu investir nela. Devem ter lhe ensinado a técnica de respiração.
"Parece que você teve sorte. Não deve demorar até uma Ceifadora de Almas te acolher como discípulo."
"Isso me lembra…"
Ela olhou nos olhos dele.
"Como você virou um Ceifador de Almas? Pensei que todos os Ceifadores de Almas tivesse, no mínimo, maestria de nível Perito em seus elementos principais."
O último encontro entre Leonora e Neo aconteceu há algumas semanas.
Naquela época, o rank de Neo era de um Semideus Despertado.
Em média, a maestria elemental era mais difícil de conquistar do que subir de nível.
Quando alguém atingia maestria de nível Perito em um elemento, geralmente já era um Semideus Paragon.
Mas Neo ainda era apenas um Semideus Despertado. Mythic, se Leonora lhe desse o benefício da dúvida.
Os lábios de Neo curvaram-se em um leve sorriso.
"Agora sou um Empíreo."
"Isso explica como você está… Espera, qual é seu rank?"
"Semideus Empíreo."
Seus olhos se arregalaram de surpresa antes de ela olhar para ele de cima abaixo.
Depois, com um suspiro, ela balançou a cabeça de forma desdenhosa.
"Esquece. Não quero saber como você conseguiu isso. Acho que isso só vai me dar dor de cabeça."
Neo riu com a resposta muito "Leonora".
Eles conversaram mais um pouco antes dele decidir que era hora de partir.
"Até mais," disse ele.
"Tchau." Leonora acenou, seus chifres refletindo a luz mais uma vez enquanto sorria. "E não se preocupe com a Gwen. Eu vou conversar com ela."
Neo assentiu e deixou a Cidade do Consolar.
A brisa fresca da floresta o recebeu ao sair dos portões da cidade.
A densa copa de folhas acima projetava sombras pontilhadas no caminho de terra abaixo.
O leve canto dos pássaros ecoava à distância, misturando-se ao som das folhas se mexendo.
"Agora que acabei com isso, é hora de focar nos meus elementos Vida e Santo," murmurou Neo para si mesmo.
Ele caminhou pela floresta, pensando profundamente.
"Não só meus elementos, preciso subir de nível minhas características, treinar para melhorar meus atributos, e focar em outros elementos também."
Um franzido se formou nos lábios dele enquanto inclinava a cabeça.
Curiosamente, após retornar do Desafio das Sombras, Neo começou a sentir uma coceira.
Este mundo era seguro. Pelo menos por enquanto.
Mas isso deixava Neo inquieto.
Ele não queria o abraço da segurança.
Ele queria lutar.
Era quando ele chegava ao seu limite que mais crescia.
Ele gostava dessa sensação.
"Se eu puder ir a algum lugar onde há muitos inimigos fortes, seria o ideal."
"Posso usar a Verdadeira Escuridão para ganhar seus talentos, atributos, características e maestria elemental, e poderei lutar à vontade enquanto faço isso."
"Mas, como minha sorte é uma porcaria, preciso devorar muitos seres para conseguir o que quero."
Neo parou para pensar nas opções.
Ele precisava de um lugar com inimigos poderosos, todos pelo menos Paragons.
Inimigos fracos não lhe dariam nada de valor.
"Droga, um lugar assim não é fácil de encontrar. Paragons não crescem em árvores," resmungou amargamente.
Ele respirou fundo, a respiração formando névoa no ar frio.
"Parece que por ora só posso focar nos elementos Santo e Vida e treinar os outros depois."
Conforme seus passos o levavam para mais perto da borda da floresta, uma nova ideia lhe ocorreu.
Havia outra opção se Neo quisesse treinar tudo ao mesmo tempo.
"Talvez meu pai conheça um lugar bom," murmurou.
Após dias de viagem, a copa densa da floresta deu lugar a uma praia de areia aberta.
O som das ondas quebrando preenchia o ar.
Neo pisou na areia, seus pés afundando um pouco na areia granulada e branca.
O Mar de Sangue se estendia à sua frente.
Suas águas escarlates bruscamente agitadas e reluzentes sem parar.
O Mar de Sangue é um fenômeno único, existente tanto no mundo dos vivos quanto no Submundo.
Diferente do mundo dos vivos—onde há um único supercontinente no centro—o Mar de Sangue do Submundo é pontilhado por vários pequenos continentes e incontáveis ilhas.
A Floresta de Todos os Começos é um desses continentes.
No horizonte, longe no mar, ficava Styxhaven, o continente onde residia o Monarca, Hades.
Styxhaven também abrigava a Corte do Fim, o local sagrado onde todas as almas eram julgadas.
Os olhos de Neo piscavam ao pensar nas forças poderosas que ali residiam.
Normalmente, quem queria atravessar o Mar de Sangue precisava embarcar nos Navios do Inframundo.
São embarcações fantasmagóricas que transportam viajantes—mortos e vivos—pelas águas perigosas do Mar de Sangue.
No entanto, eram lentos.
Levaria meses atravessar usando os Navios do Inframundo.
Neo sorriu de leve.
Ele tinha um método melhor.
"Estrela Veldora Elowyn Starfall."
Neo murmurou.
"Venha."
Um rugido potente rasgou o ar, agitando a terra sob os pés de Neo.
Pássaros—se é que podem ser chamados assim, com formas sombrias e olhos negros brilhantes—ergueram voo, gritando de medo.
Os ventos uivaram violentamente, rasgando a copa densa acima.
Folhas girando em uma dança caótica, e o chão tremia.
O distante Mar de Sangue agitava-se violentamente.
Suas ondas escarlates davam cavalo com força contra a areia da costa, em frenesi.
O céu escureceu ainda mais, como se estivesse se curvando perante a chegada de algo realmente monumental.
Do horizonte, uma figura enorme e reluzente atravessou o ar em velocidade aterradora.
O dragão antigo, Veldora, desceu sobre a floresta.
Suas escamas brilhavam como obsidiana líquida, cada uma gravada com runas tênues e luminosas.
Seus olhos vermelhos ardiam com inteligência enquanto fixava seu olhar em Neo.
A presença do dragão era sufocante.
A partir do nível Paragon, alguém se torna uma existência especial.
Não era simplesmente um aumento de atributos ou habilidades.
Era uma evolução da 'existência'.
A essência de alguém ascende a um plano superior de existência ao chegar ao nível Paragon e acima.
Muitas mudanças aconteciam após alcançar esses níveis.
Uma das mais notáveis era o 'Nome Verdadeiro'.
Os nomes de Semideuses Paragon—e de Deuses do Estágio 1—guardavam poder singular.
Pronunciar seu nome verdadeiro podia alertá-los de que alguém estava falando sobre eles.
Para Semideuses Exaltados e Deuses do Estágio 2, o poder de seu Nome Verdadeiro era ainda mais aterrador.
A menos que você fosse pelo menos Paragon, não poderia ouvir o Nome Verdadeiro de um Semideus Exaltado ou Deus do Estágio 2.
Se por acaso ouvisse, morreria.
Seria esmagado pelo peso da sua existência.