Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 324

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Era dos Deuses

"Sistema?"

Daniel chamou.

Não houve resposta.

"Sistema, onde você foi?"

A voz que o acompanhava há milhares de anos não respondeu de volta.

O silêncio pressionou contra seus ouvidos.

O coração de Daniel batia alto e acelerado.

A ausência do Sistema só podia significar uma coisa.

Ele tinha se ido.

"Sistema Divino, que nada. Você foi embora assim que salvei o mundo."

A voz de Daniel tinha um tom amargo.

Sempre suspeitou que o objetivo do Sistema não fosse torná-lo o mais forte, mas salvar o mundo.

Ele era apenas uma ferramenta para isso.

E agora, descartado.

Mesmo assim, ele não sentia tristeza com essa revelação.

Se não fosse o Sistema, ele provavelmente não teria conseguido salvar o mundo.

No entanto, seu coração estava estranhamente pesado.

Será que o Sistema só o via como uma ferramenta?

Ele queria saber.

Mas não havia como.

O Sistema tinha deixado ele para trás.

De repente, uma voz conhecida, porém estranha, chamou por ele, suave mas clara, cortando o vento.

"O que você vai fazer agora?"

Daniel virou a cabeça rapidamente na direção da voz.

Seus olhos se arregalaram ao ver seu rosto.

A mulher era familiar.

Não tinha como Daniel esquecê-la.

"Selene? Não… Você não pode ser minha irmã. A alma e o corpo dela eram…."

Daniel franziu o cenho e sua garganta se apertou.

Uma sensação de nó se formou, amarga e gelada.

Sua mão fechou-se em um punho ao lado do corpo, enquanto a compreensão se instalava.

Um suspiro escapou de seus lábios.

Ele balançou a cabeça, voltando o olhar para o vasto céu nublado.

"Você realmente tem um senso de humor doentio, Typhaon. Se fosse com outra pessoa, ela já teria te atacado."

"Entendo."

A aparência da garota mudou.

'Ela' se transformou em uma figura humanoide composta por entrelaçados de raízes e galhos.

O aroma terroso de solo úmido encheu o ar, enquanto pequenas folhas brotavam da estrutura de madeira.

"Desculpe se minha aparência foi desagradável."

Daniel sentiu um desconforto estranho ao ouvir Typhaon falar com tanta reverência.

O Pai das Anomalias, que antes se orgulhava e desafiava, agora falava com humildade.

Viver no Submundo tinha aberto seus olhos.

No abismo onde incontáveis monstros capazes de destruir a terra vagavam livremente, Typhaon fora forçado a confrontar sua própria insignificância.

Antes, ele se considerava imbatível; agora, sabia que não.

O Submundo o havia humilhado.

Typhaon avançou em silêncio.

Seu corpo de madeira rangeu suavemente enquanto se moveu, ficando ao lado de Daniel.

Ele seguiu o olhar de Daniel e, juntos, olharam para o céu.

"O que você está fazendo?" perguntou Daniel, rompendo o silêncio.

"Pensando."

"Pensando no quê?"

"Seu sistema. É o mesmo cara do qual você nos falou?"

"...?"

Daniel piscou, confuso.

O olhar de Typhaon não se desviava do céu.

"Kronos falou de alguém. Um cara que lutou sozinho depois que o mundo acabou, certo?

"Você mencionou isso uma vez. Estou perguntando se ele foi quem te enviou o sistema."

O rosto de Daniel se fechou.

As palavras de Typhaon despertaram pensamentos que ele vinha tentando suprimir.

Pensamentos que ele tinha medo de confrontar.

"Sim..." A voz de Daniel ficou mais baixa, quase sussurrando. "Talvez tenha sido ele."

Typhaon inclinou um pouco a cabeça.

Os galhos rangeu ao se moverem.

"O que será dele agora? Se ele ficou preso neste futuro—agora que o passado foi alterado—ele não será apagado pelo Tempo—"

"Por que você está tão curioso sobre ele?" interrompeu Daniel duramente, virando-se para encarar Typhaon.

A figura de madeira riu.

Um som seco e oco ecoou.

"Como não me interessar? Sonhei que ele me derrotava com um único ataque."

"E se eu não estiver errado, foi ele quem te ajudou a me vencer."

"Será que é errado eu ter curiosidade sobre a pessoa que, de certa forma, é meu arqui-inimigo?"

Não havia maldade na voz de Typhaon, apenas curiosidade pura.

"Não sei o que aconteceu com ele," respondeu Daniel com um suspiro. "O sistema desapareceu antes que eu pudesse obter respostas."

"Entendo. Agradeço por me ajudar a satisfazer minha curiosidade."

Typhaon virou-se, preparando-se para partir.

Ele tinha vindo ao mundo dos vivos para capturar um espírito fugido.

Encontrar Daniel agora foi pura coincidência.

"Já vai partir?" perguntou Daniel.

"Estou com o tempo apertado," respondeu Typhaon. "Depois de capturar os fantasmas fugitivos, tenho que me reunir com o líder dos Titãs e a Associação dos Despertos."

"...?"

"O Submundo está pensando em estabelecer uma base no mundo dos vivos," continuou Typhaon. "É para capturar o crescente número de almas que escapam do Submundo e os monstros que os despertadores invocam nesta dimensão."

"Como sou a única ceifadora viva e vivi no mundo dos vivos até recentemente, os outros achavam que eu era a pessoa mais indicada para essa tarefa," explicou Typhaon.

"Boa sorte com isso," disse Daniel.

Daniel não sabia se ria ou se ficava com vergonha de facepalm.

Quem enviou Typhaon para negociar poderia ser um gênio ou um completo idiota.

"Parece que até Typhaon está começando a olhar para o futuro."

O sorriso de Daniel se apagou ao som desta palavra ressoar em sua mente.

Futuro.

Era uma palavra que Daniel sempre quis alcançar.

Um destino que perseguiu por tanto tempo.

Mas agora que estava nele, sentia-se vazio, à deriva, sem rumo.

Olhou para as próprias mãos, vendo seus dedos se moverem.

Apesar dos braços magros, sabia que poderia destruir toda a Terra com um único soco.

"Todo esse poder… é por causa dele."

Daniel fechou os olhos.

As sobrancelhas se tensionaram, e o peito apertou ao sentir emoções conflitantes se desatar nele.

Chegou ao futuro que um dia sonhara.

Mas o que fazer com ele agora?

Não tinha ideia.

Então, havia alguma coisa que ele desejava fazer ou tinha curiosidade de saber?

Sim.

Ele queria saber uma coisa.

Por que o homem por trás do sistema escolheu ele?

Por que ele e não outros?

"Provavelmente porque sou o único que consegue passar por milhares de regressões e não ser morto pelo Tempo."

Ele suspirou.

Havia mais uma coisa que queria saber, mas tinha medo da resposta que encontraria.

Por que o homem por trás do sistema ajudou-o a salvar o mundo?

Agora, o 'presente' do homem seria apagado, e ele morreria.

Por que fez isso?

Faria sentido se o homem deixasse a Terra para viver em outro lugar, em vez de morrer assim.

"Droga, essa pergunta não me deixa dormir."

Daniel olhou para suas mãos, calejadas e tremendo levemente.

Poder, ele tinha de sobra.

Poder, dado por aquele homem.

"Até que posso usar esse poder para encontrá-lo e fazer a pergunta."

Daniel fechou os olhos e mergulhou dentro de si mesmo.

Buscou pelas marcas do Sistema.

O Sistema tinha desaparecido; contudo, os rastros ficaram dentro dele.

Afinal, as técnicas embutidas em Daniel pertenciam ao Sistema.

Ele as segurou e usou seu traço especial.

O traço aprimorado de Daniel permitia prever o futuro das pessoas.

Seu traço foi ativado.

Mas algum tipo de barreira o impediu.

Um pulsar de resistência reverberou pelo ar, fazendo a luz tremer.

Daniel sentiu os elementais do tempo se agitando ao seu redor.

O tempo parecia estar impedindo-o.

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