
Capítulo 322
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
O poder torceu sua mente, e logo ele ficou convencido de sua própria grandeza, liderando seus exércitos em uma busca pela conquista mundial.
Em todas as linhas do tempo, o desfecho era o mesmo.
Quer Typhaon matando todos, quer Daniel sendo forçado a matar Typhaon.
Daniel passou as mãos pelos cabelos úmidos.
"O que diabos eu devo fazer?"
Ele estava frustrado.
"Se eu obrigar ele a ficar normalmente, ele se suicida.
"Se eu deixar ele fazer o que quer, ele será morto por outros despertados ou destruirá o mundo."
Os ciclos se arrastavam.
Fracasso após fracasso.
Já se passaram oitenta loops, mas nada mudou.
Daniel estava furioso.
Sua paciência, mais fina do que papel, finalmente rompeu.
Então lembrou—ele deveria estar de folga.
Descobrir a ligação entre a morte de Typhaon e a chegada do Anjo tinha transformado seu descanso em trabalho interminável.
Buscando algum alívio, Daniel entrou no Submundo.
Pelo menos aqui, ele podia abusar à vontade de seu privilégio de 'Escolhido do Segundo Príncipe', sem consequência.
"Tem algum problema?" perguntou Paimon, com seu vestido de seda arrastando por onde passava enquanto percorria as cidades dos Ceifadores.
Seus olhos brilhavam levemente, como se penetrando na alma de Daniel.
Daniel assentiu, com uma expressão cansada.
Seu corpo doía pelo combate recente contra uma caverna de fantasmas descontrolados que planejavam escapar do Submundo.
Apesar de ter vencido, a batalha o deixou exausto.
Por causa do cansaço, não percebeu que estava explicando tudo relacionado ao problema de Typhaon para Paimon.
"Se não estivermos enganados, Typhon precisa de um lugar onde possa governar como rei.
"Ao mesmo tempo, você deve garantir que Typhaon seja mais fraco do que os demais seres ao seu redor, para que não pense em iniciar uma guerra?" questionou Paimon.
"Sim," respondeu Daniel.
"Então, não seria suficiente trazê-lo aqui para o Typhon?"
"Podemos oferecer um lugar para a criatura neste reino," sugeriu Paimon.
"Não é a morte o único caminho para chegar ao Submundo? Quer dizer—"
Daniel parou de falar.
Seus olhos se arregalaram de repente, com uma compreensão súbita.
Paimon sorriu enquanto assistia à mudança na sua expressão.
"Ceifadores!" exclamou Daniel. "Se eu fizer Typhon virar um Ceifador, ele pode permanecer no Submundo.
"Assim, você pode usar sua autoridade para nomeá-lo governante de uma pequena ilha ou de uma cidade."
"De fato," concordou Paimon com um leve aceno de cabeça.
Sua expressão ficou mais séria ao completar:
"O único problema é que os vivos não podem se tornar Ceifadores."
Sorriso de Daniel desapareceu.
"Está brincando comigo?"
"Quer dizer que não posso transformar Typhaon em um Ceifador? Não é como se você fosse desrespeitar as regras—"
"Eu vou," interrompeu Paimon de forma dura.
Daniel piscou, surpreso com sua determinação repentina.
"O mundo dos vivos é um lugar onde os príncipes irão reencarnar," continuou Paimon. "Se pudermos ajudar a salvar o mundo, faremos isso com prazer."
Daniel ficou chocado.
"Você não disse que não quebraria nenhuma regra? Nem mesmo deixou que eu fosse ao palácio do Monarca."
"Recusei-me a contrariar diretamente as ordens do Monarca," disse Paimon, cruzando os braços. "Mas, se for algo tão simples como permitir que uma alma viva se torne um Ceifador, isso pode ser feito dentro da minha jurisdição."
"Sou a Grã-Duquesa, afinal."
Paimon ajudou Daniel a transformar Typhaon em um Ceifador.
O Pai das Anomalias foi levado ao Submundo.
Ele, claro, não quis fazer isso.
Mas a tática do chicote e cenoura que Daniel aprendera em incontáveis loops funcionou perfeitamente, e Typhaon concordou.
Paimon precisou abandonar seu cargo de Grã-Duquesa por causa de suas ações de abuso de poder.
Ela fez isso de próprio punho, dizendo que buscava uma forma de se aposentar há tempos.
Os demais Ceifadores tentaram dissuadi-la.
Declararam que trariam Typhaon usando sua autoridade e que ela não deveria carregar o peso sozinho.
Mas ela permaneceu firme.
Passaram-se cinquenta anos, em paz.
O mundo dos vivos não fazia ideia do que tinha acontecido.
Para eles, Typhaon, o Pai das Anomalias, um terror capaz de destruir o mundo, desapareceu repentinamente um dia.
No Submundo, Daniel também se tornou um Ceifador.
Por isso, ele podia viajar entre o mundo dos vivos e o Submundo.
Ele deixou o Submundo após garantir que Typhaon não se mataria.
Depois de fazer tudo, Daniel voltou para sua cidade natal.
Ficou lá, imóvel, olhando o pôr-do-sol mergulhar no horizonte, colorindo o céu de tons de laranja e roxo.
As ruas destruídas estavam silenciosas.
O som distante das folhas farfalhando era a única companhia.
"Uau."
Daniel exalou, vendo sua respiração ficar visível na atmosfera mais fresca.
"Consegui. Eu consegui, Sistema?"
Ele estava tão surpreso que nem conseguiu rir.
O peso de incontáveis batalhas e sacrifícios apertava seu peito como uma dor fantasma.
"Eu parei o fim do mundo."
Parecia surreal.
Ele quase esperava que uma tragédia acontecesse no último segundo e destruísse seus planos, como sempre fazia.
Mas nada aconteceu.
Daniel sentiu uma infinidade de emoções estranhas ao chegar ao fim de sua jornada.
Alívio, cansaço e incredulidade.
Um sorriso surgiu em seus lábios, pequeno mas sincero.
"Conseguimos, Sistema!"
Daniel riu, sua voz ecoando suavemente pelas ruas vazias.
Ele chamou o Sistema para celebrar a vitória.
Milhares de anos de luta chegaram ao fim.
Porém…
"Sistema?"
Não houve resposta.
…
Presente
"Conseguimos."
Neo abriu os olhos.
Ele olhou para o professor Daniel com um sorriso.
"O passado foi salvo."
O mundo ao redor começou a tremer.
Era a prova de que a linha do tempo estava mudando.
A erosão de Neo acelerou.
Seu corpo, feito de relâmpagos vermelhos, começou a desaparecer.
O professor Daniel abriu a boca e a fechou, sem palavra alguma.
Como poderia dizer a Neo que tudo ficaria bem, se sabia que era impossível?
"Adeus," disse Neo com um sorriso. "Você deve partir agora. Ou vai ficar preso aqui na confusão."
Ele olhou nos olhos do professor Daniel.