Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 320

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

O ar no Submundo era como pedras, denso e sufocante.

Daniel tinha dificuldades para respirar.

Cada inspiração parecia que seus pulmões se enchiam de brita.

"Este lugar… é tão horrível quanto… eu esperava…"

O Submundo estava mergulhado numa noite eterna.

No céu acima, uma vastidão infinita de preto absoluto, sem estrelas ou luz da lua.

Formações rochosas irregulares punham-se do chão, projetando sombras tênues e distorcidas na fraca luminescência da chama intermitente de Daniel.

Ele precisava acender fogo só para enxergar ao redor.

Porém, a luz mal se estendia além de alguns metros.

Parecia que a própria escuridão devorava as chamas.

O silêncio opressivo o pressionava, quebrado apenas pelo eco ocasional de algo se movendo à distância, além da vista.

Daniel levantou a cabeça.

Seu rosto franziu profundamente.

Ele olhou para o céu, mas só encontrou aquele vazio sem fim.

"Parece que alguém está me observando do céu."

Como não conseguia enxergar muito, decidiu se mover com cautela.

Cada passo ressoava suavemente, rapidamente engolido pelo abismo.

A primeira impressão de Daniel do Submundo foi simples: 10/10, nunca mais volto aqui.

Seu medo só aumentou ao sentir uma presença aterrorizante se aproximando dele.

O ar ficou mais pesado a cada batimento do coração.

De repente, uma figura emergiu das sombras.

Uma mulher com cabelos dourados e olhos vermelho-sangue.

Seus lábios estavam curvados numa expressão constante de sorriso, revelando dentes afiados como os de um vampiro.

"Sou Paimon le Noir, Terceiro Estado da Morte e Grã-Duquesa do Submundo. Prazer em conhecê-lo."

Ela fez uma reverência, um gesto elegante, porém artificial, como uma boneca imitando gestos humanos.

Apesar de sua beleza incomparável, Daniel não sentiu desejo.

Ao contrário, ficou calmo.

Até demais.

"Quem é você?" perguntou Daniel.

"Como já disse, sou Paimon le Noir, uma Ceifeira."

Seu sorriso era inquietante.

Era demasiado perfeito.

A mente de Daniel gritava para que fugisse ou lutasse.

Todos os seus instintos alertavam sobre perigo.

Porém, seu corpo se recusava a se mover, como se estivesse preso por correntes invisíveis.

Sabia, instintivamente.

A mulher à sua frente poderia destruir a Terra com um simples gesto de dedo.

Ela poderia esmagar mil Typhaon com facilidade.

Era impossível fugir dela.

Daniel estava à sua mercê.

'Preciso ativar o Encantamento—'

"Por favor, acalme-se. Não vim aqui para machucá-lo."

Ela apareceu ao lado de Daniel de repente e apagou seu suor com um lenço.

O tecido úmido tocou sua testa suavemente.

Daniel não percebeu, mas vinha respirando ofegante.

Sua costas estavam encharcadas de suor.

Seu coração desacelerou enquanto a figura à sua frente irradiava calma.

"Não tema", Paimon sorriu. "Você é o Escolhido do Segundo Príncipe. Você é o hóspede do Submundo."

A partir daquele dia, Daniel foi tratado como aristocrata.

Podia comer o que quisesse, de frutas douradas a pratos exóticos servidos em bandejas de prata.

Podia ir aonde quisesse, explorando vastos salões com arcos imponentes e fontes cristalinas.

A Ceifadora, Paimon, atendia a todos os seus desejos sem questionar.

Daniel não entendia o motivo de tanta hospitalidade.

"Ei, o que eles querem dizer que eu carrego a aura do Segundo Príncipe e, por isso, sou seu escolhido? Você fez alguma coisa?" ele sussurrou para o Sistema.

Embora estivesse satisfeito com o tratamento real, não fazia ideia do motivo pelo qual o chamavam de Escolhido do Segundo Príncipe.

Neo, dentro dele, naturalmente, sabia exatamente o que isso significava.

Ele era o Segundo Príncipe do Submundo.

Seu irmão mais velho, Henry, era o Primeiro Príncipe.

Embora Paimon não pudesse sentir a intenção de Neo dentro de Daniel, ela podia perceber a presença dele.

Por isso, supuseram que Neo tinha enviado Daniel em seu lugar.

[Descanse tranquilo, hospede.]

[Você não é uma farsa. Você é o verdadeiro Escolhido do Segundo Príncipe.]

"…?"

Daniel piscou, confuso.

O Sistema permaneceu em silêncio, recusando-se a esclarecer mais.

Daniel decidiu aproveitar o luxo, já que pensar não o levava a lugar algum.

Passava seus dias com pompa, brincando nos jardins do palácio, repleto de rosas da meia-noite e lírios de prata.

Quando faltavam poucas semanas para a chegada do Anjo, decidiu, finalmente, agir.

"Quero encontrar o Monarca", disse firmemente.

"Desculpe?" Paimon respondeu, inclinando a cabeça surpresa.

Eles se sentaram em assentos opostos numa sala adornada com estofados de veludo e símbolos arcanos gravados no chão de mármore.

Um menino chamado Barbatos, vestindo uma túnica preta simples, lhes serviu chá numa bandeja de ouro.

Seu rosto pálido era insensível, enquanto cuidadosamente colocava as xícaras diante deles.

"Uma entidade do cosmos está prestes a chegar ao nosso mundo. Ela virá através do Núcleo do Mundo."

A voz de Daniel era firme, mas carregada de inquietação.

"Como o Núcleo do Mundo fica dentro do palácio do Monarca, precisamos ir até lá e fazer algo quanto a ele."

Daniel prosseguiu.

"De alguma forma, Typhaon conseguiu abrir um portal dentro do Núcleo do Mundo."

"Sei que a consciência do mundo odeia permitir que as pessoas se aproximem do seu núcleo, mas talvez consigamos fazer algo se trabalharmos juntos com o Monarca."

Paimon manteve seu sorriso constante.

Embora seus olhos rubros brilhavam com algo afiado.

Ela virou o olhar para Barbatos.

O menino estremecer.

Seus dedos pálidos tremeram.

Daniel não deveria saber a localização do Núcleo do Mundo.

O Submundo existia dentro da Terra, e o Núcleo ficava no centro do Submundo, no coração do palácio do Monarca.

Era um segredo bem guardado, conhecido apenas pelos Ceifadores de alta patente.

Barbatos tratava Daniel como um irmão mais velho.

Por isso, revelou a informação a ele.

"Barbatos", chamou Paimon.

A voz dela fez Barbatos sentir um frio ainda maior.

"Sei que você sonhou em encontrar o Segundo Príncipe em outra linha do tempo, e como Daniel foi enviado por ele, quer ajudar Daniel.

"Mas você não deveria violar as regras assim. Nem mesmo pelo Príncipe."

"Desculpe…"

Barbatos abaixou a cabeça.

Seus olhos estavam carregados de culpa.

Sua habilidade com o elemento temporal, que imitava, era avançada.

Graças a ela, tinha visões—sonhos—de Neo chegando ao Submundo após viajar ao passado.

Comentários