Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 313

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Kronos pediu para Daniel sentar-se enquanto preparava o chá.

A sala estava com a iluminação baixa.

Assistindo Kronos pegar as xícaras de chá de um armário, Daniel se preparou mentalmente.

Seus dedos batiam nervosamente no apoio do banco da cadeira de couro gastas.

'Preciso explicar tudo sobre o loop anterior.'

'Mas será que Kronos vai acreditar em mim?'

De repente, uma tela piscou diante dele, ganhando vida.

[O anfitrião não deve revelar informações sobre o futuro.]

'Huh? Por quê?' Daniel ficou perplexo.

[Destino.]

[Revelar o futuro fará o Destino se voltar contra você.]

Daniel franziu ainda mais a testa.

Ele não entendia como o Destino poderia atacá-lo, mas, conhecendo o Sistema, não teria alertado-o se o perigo não fosse real e imediato.

'Se eu não revelar que vim do futuro, como vou ganhar a confiança de Kronos?'

[O anfitrião precisa pensar nisso sozinho.]

Daniel teve uma mente agitada como um mar tempestuoso.

O Sistema não tinha proibido ele de dizer que era do futuro, apenas de divulgar informações sobre ele.

Será que havia uma brecha?

"Aqui."

A voz de Kronos o trouxe de seus pensamentos.

O homem colocou uma xícara de chá fumegante na sua frente.

A xícara de porcelana era delicada, decorada com padrões de prata em redemoinho.

O calor suave emanava contra as mãos de Daniel ao segurá-la.

Observando o vapor subir em espiral, uma ideia começou a se formar lentamente em sua cabeça.

"Kronos," começou Daniel, "sou Daniel Caelum e vim do futuro."

Kronos levantou uma sobrancelha.

No entanto, sua expressão permanecia calma e impenetrável.

Ele não demonstrou muita reação.

"Consegue provar isso?" perguntou Kronos.

"Não consigo. Desculpe."

Daniel hesitou, então balançou a cabeça.

Seu aperto na xícara ficou mais firme enquanto continuava,

"Mas eu sei de algo que pode conquistar sua confiança."

Kronos recostou-se.

Um sorriso travesso apareceu nos cantos de seus lábios.

Independentemente de Daniel estar dizendo a verdade ou não, a situação atual era, pelo menos, divertida para ele.

"E o que seria isso?"

Daniel exalou lentamente.

O olhar dele encontrou o de Kronos, firme e inflexível.

"Você quer salvar a Criança de Mana."

O silêncio tomou conta da sala.

Até mesmo a fogueira crepitante pareceu ficar quieta, como se estivesse prendendo a respiração.

A expressão de Kronos desapareceu.

Ele permaneceu em silêncio, e seu semblante mudou para algo muito mais sério.

"Não sei a razão disso," continuou Daniel. "Você sempre disse que queria salvar a Criança de Mana por causa da sua intuição."

"Mas, na sua última respiração... você disse que a razão era outra."

A mão de Kronos parou no ar, com os dedos apoiados suavemente na borda de sua xícara.

"Outra coisa? O que seria?"

"Não sei a razão. Você não revelou."

Silêncio caiu entre Daniel e Kronos.

Kronos parecia estar pensando em algo.

Seus olhos afiados se estreitaram enquanto ele olhava além de Daniel, ao longe.

O único som era o crepitar da chama da vela e o sutil som de tecido ao Kronos se mover levemente.

Seu voz quebrou o silêncio alguns minutos depois.

"Como você sabe da Criança de Mana?"

"Ela é minha irmã. Selene Caelum. Ela foi sequestrada há alguns meses pelo Soberano do Vento, Charybdis."

"Sinto muito."

"Tudo bem."

Daniel já tinha aceitado o fato de não poder salvar sua irmã.

A dor ainda existia, como uma ferida que se recusava a cicatrizar, mas ele tinha se fortalecido.

Ele faria o Typhaon pagar pelo mal que ela sofreu.

"Você pode me mostrar uma outra prova, em vez disso?" perguntou Kronos.

As sobrancelhas de Daniel franzirem.

'Algo que possa mostrar que vim do futuro, mas que não revele o conhecimento do futuro…'

Ele pensou intensamente em uma maneira de provar isso.

Uma ideia lhe veio à mente.

"Posso pegar uma caneta e papel?"

"Claro."

Kronos lhe entregou um pedaço de papel do arquivo sobre a mesa e sua caneta.

A mesa estava cheia de rolos e fórmulas incompletas, símbolos rabiscados às pressas, como se fossem pensamentos interrompidos.

Daniel começou a desenhar nele.

Kronos se inclinou para mais perto.

Sua expressão permaneceu neutra até que o reconhecimento apareceu em seu rosto.

O desenho parecia algo semelhante a um círculo mágico, mas sua complexidade superava em muito os esboços粗 gradientados espalhados na mesa de Kronos.

Seus olhos se arregalaram alguns segundos depois.

"Esse é o Feitiço do Tempo Mundial que estou criando," disse Kronos. "Mas meu feitiço está em estágio de protótipo, enquanto o seu… está completo."

Daniel sorriu fracamente.

A expressão que Kronos fazia valia a pena pelo esforço.

O Feitiço do Tempo Mundial tinha sido entregue a Daniel pelo Sistema.

Ele o usou na sua última confrontação.

Usá-lo novamente — há pouco — não deveria ser um problema.

"Você confia em mim agora?"

Kronos não respondeu imediatamente.

Em vez disso, abriu a gaveta da mesa e tirou um pequeno gravador de cristal.

Daniel olhou para ele com olhos confusos.

"Este dispositivo me permite gravar as Vozes do Tempo."

Daniel sabia o que eram as Vozes do Tempo.

Qualquer um que se aproximasse de Mortes do Tempo podia ouvi-las.

Kronos continuou,

"Você me perguntou por que eu queria salvar a Criança de Mana, certo?"

Daniel assentiu.

"É por causa disso."

Kronos acionou o gravador.

Uma voz distorcida ecoou do dispositivo, crepitando com estática.

"Sou ◼, que interferi no passado por ◼."

A voz continuou a se quebrar por causa da interferência.

Algumas partes foram perdidas no som do crackle.

No entanto, Daniel conseguiu perceber — havia algo inconfundível na voz.

Dor.

A agonia parecia escorrer de cada palavra, como se o falante estivesse quase desmoronando.

"Por causa de ◼, o passado mudou, e isso causou a destruição do mundo."

A voz parou bruscamente por alguns segundos.

Depois, o falante continuou, esforçando-se visivelmente para suprimir os tremores na voz.

"◼ para salvar ◼... proteger a Criança de Mana de Typhaon."

Neo, que escutava silencioso, ficou pasmo.

Seus olhos se arregalaram de choque ao olhar para o gravador.

'Sou eu.'

'Sou o Sussurro do Tempo que deixei para trás.'

Sua mente acelerou.

Nem todas as palavras deixadas por Neo eram claras.

Mas o significado geral era inconfundível.

Finalmente, Neo compreendeu.

Compreendeu por que Kronos o ajudou na sua linha do tempo — e por que ajudou Daniel na linha do tempo de Daniel.

Foi tudo por causa do Sussurro do Tempo que viajou para o passado.

O causa e efeito estavam invertidos.

Kronos ajudou Neo. O mundo foi destruído posteriormente. Neo usou o Sussurro do Tempo, e o Sussurro viajou ao passado até Kronos, que, assim, ajudou Neo a salvar a Criança de Mana.

Por causa do Sussurro do Tempo, o efeito veio primeiro, depois a causa.

"Salve a Criança de Mana de Typhaon para proteger o mundo," disse Daniel.

Seus dedos se cerraram em punhos ao lado do corpo enquanto encarava Kronos.

"Essa é a Voz do Tempo que você ouviu. Mas… você tem certeza de que pode confiar nela?"

Daniel acrescentou,

"E se essa Voz do Tempo estiver tentando nos enganar?"

Kronos balançou a cabeça lentamente.

"Acho que não," ele murmurou. "Já tive sonhos. Visões, se preferir chamar assim."

Ele pressionou os lábios.

Seu olhar ficou distante, como se estivesse olhando para um vazio que só ele poderia ver.

"Todos os dias, tenho o mesmo sonho. Nosso mundo, completamente destruído. Só resta um homem."

"Ele continua lutando... morrendo, revivendo, morrendo, revivendo..."

A voz dele se quebrou.

As memórias assombradas — pesadelos — eram demasiadamente dolorosas para sequer serem pensadas.

"Neste inferno sem fim, ele continua lutando para derrotar a entidade que causou o fim do mundo," disse Kronos.

"Você acha que esse cara é quem enviou a Voz do Tempo para você?"

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