Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 301

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

A expressão do Professor Daniel se contorceu.

Seus olhos estavam cheios de dor e sofrimento.

Por que Neo havia passado por aquilo tudo para dizer que estava bem apesar dos ferimentos?

"Há muitas coisas que eu gostaria de dizer, mas acho que o tempo acabou," Neo falou. "Nos vemos na próxima."


O mundo ao redor do Professor Daniel mudou.

Quando conseguiu enxergar novamente, percebeu Neo rodeado por incontáveis larvas retorcidas e colunas gigantes com mil olhos.

A cada mudança de cena, o Professor Daniel só via Neo lutando.

Ele podia imaginar que se passavam centenas de anos toda vez que ele piscava—o fenômeno pelo qual o cenário ao redor mudava incessantemente.

Ele viu Neo passar de lutar quase sem esperança contra as larvas a ser capaz de confrontá-las como um igual.

A cena mudou mais uma vez.

Neo agora respirava com dificuldade.

Ele estava sentado no topo do cadáver gigante e retorcido da larva.

Uma parte do abdômen dele estava faltando.

Ele se concentrava em tratar seu próprio ferimento com mãos trêmulas.

"Quanto tempo, hein," Neo comentou ao perceber o Professor Daniel.

Sua voz estava rouca, e seu sorriso era fraco, mas sereno.

Porém, o Professor Daniel podia perceber a solidão em seus olhos.

Não havia como ele estar sã após séculos sozinho.

Neo se aproximou do Professor Daniel.

Seus movimentos eram lentos, pesados pelo cansaço e dor.

Ele pressionou o indicador na testa de Daniel, e uma onda de energia fluiu entre eles enquanto transferia sua Intenção.

A Intenção estava carregada de um vasto conhecimento.

O Professor Daniel viu fragmentos das memórias de Neo—como ele chegou ao Mundo Sombrio, como falharam em proteger a Criança de Mana, como tudo foi destruído pelo Anjo, e como Neo se tornou o último humano vivo.

"Leve o tempo que precisar para assimilar as informações. Nos vemos na próxima," Neo disse.


A cena mudou novamente.

O ambiente do Professor Daniel voltou a se dissolver na escuridão do vazio.

Sua habilidade era enxergar fragmentos do futuro de alguém.

Para ser exato, sua alma aparecia no futuro e observava o alvo por um breve momento.

Depois, ela avançava ainda mais no tempo, observava novamente.

E assim sucessivamente.

O ciclo se repetia várias vezes.

Quando a habilidade se encerrava, a alma de Daniel era puxada de volta para seu corpo.

Ele não conseguia controlar a duração do 'período de observação'.

Por isso, o cenário mudava antes que pudesse entender completamente a situação de Neo.

As visões 'piscaram' rápido demais.

Felizmente, Neo usou sua Intentão para acelerar esse processo.

O Professor Daniel apareceu em uma terra desolada.

O solo era rachado e sem vida sob seus pés.

Pedras derretidas, repletas de fissuras roxas, afunilavam do chão, e uma névoa pálida pairava no ar.

Quando a distorção ao seu redor se acalmou, ele viu Neo lutando mais uma vez.

Ele agora era capaz de repelir o mar de larvas e as colunas de mil olhos.

Contanto que continuasse crescendo assim, um dia poderia recuperar a Terra do Anjo.

No entanto, a expressão do Professor Daniel não era de otimismo.

Seus lábios estavam comprimidos, e a testa franzida de preocupação, mesmo com as boas notícias.

"A Prova das Sombras deles veio para salvar a Criança de Mana?" ele murmurou para si mesmo.

Criança de Mana, Esfinge.

Nome real: Celine Caelum.

O Professor Daniel sabia quem ela—não, 'ele'—era.

O conhecimento parecia perfurá-lo como uma verdade inconveniente.

"Parece uma piada de mau gosto," ele sussurrou com uma voz vazia.

Por fim, as peças começaram a fazer sentido para o Professor Daniel.

Ele segurou o rosto com as mãos, suspirando, enquanto o peso da revelação pesava sobre seus ombros.

moments later, Neo eliminou todos os inimigos ao seu redor.

Sangue espirrou na terra rachada enquanto a última criatura caía.

Ele se aproximou do Professor Daniel.

"Acredito que agora você entenda o que está acontecendo?" ele perguntou.

Sua voz estava tranquila, mas carregava cansaço.

"…Entendo," respondeu Daniel.

"Ótimo."

Neo balançou sua espada.

A lâmina negra deixou um rastro de sangue no chão antes de retornar à bainha com um clique metálico.

"Para ser honesto, não tinha certeza de que nos veríamos."

"Você viu meu futuro antes de voltarmos ao passado e causa o fim do mundo. Tecnicamente, você deveria ter visto esse momento lá atrás."

"Este momento é... O Paradoxo te enviou para o meu futuro. E, como meu futuro é este mundo, a menos que eu saia dele, eu previ que você viria aqui."

Neo sorriu com amargura.

"Foi um jogo de azar completo, na verdade."

A sequência de eventos, claro, estava toda embaralhada, mas Neo não se incomodava.

Eventos assim eram Paradoxos.

Era como tentar descobrir se o ovo veio primeiro ou a galinha.

"Você consegue enviar pessoas ao passado, né?" Neo perguntou. "Preciso que use suas habilidades para salvar a Criança de Mana."

O Professor Daniel ainda estava em forma de alma.

Podia mandar Neo ao passado—but somente na teoria.

"Não posso fazer isso," disse Daniel. "Estou fraco demais agora, e você está forte demais."

A viagem no tempo do Professor Daniel funciona de modo semelhante a arremessar pedrinhas contra a correnteza de um rio.

As pessoas eram as pedrinhas, ele era quem lançava e o rio era o fluxo do tempo.

O poder de Daniel determinava até onde ele podia lançar as pedrinhas rio acima (para o passado).

No momento, ele era fraco demais.

Conseguia mandar alguém cinco anos para trás, no máximo, quinhentos e sessenta e três anos, nem pensar.

E o peso da pedrinha (alvo enviado ao passado) também importava.

Quanto mais pesada (mais forte) fosse, mais difícil era enviá-la mais longe no tempo.

"Hoje, você é capaz de destruir uma civilização. Isso... é um Paragon," disse Daniel. "Não posso mandar alguém tão poderoso ao passado.

"Um Demigod Acordado ou Mítico eu até poderia, mas nada acima disso."

"Não é você quem vai voltar no tempo," Neo afirmou. "De qualquer forma, preciso fazer uma coisa aqui antes de continuar. Depois te retorno."

Antes que o Professor Daniel pudesse questionar o significado daquilo, a cena ao seu redor mudou.

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