Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 293

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Ele colocou as mãos no chão.

A terra fria e rachada tremia sob seus dedos, e o cheiro sufocante de cinzas preenchia o ar.

A Escuridão oculta dentro da sombra dele florescia, retorcendo-se como uma entidade viva.

Ela se espalhava ao seu redor, tendrils de preto infiltrando-se na sua carne.

Adequando sua pele, músculos, e chegando até seus ossos.

Neo manteve a boca fechada, mesmo com a dor ardente queimando seu corpo.

De repente, uma voz familiar entrou em seus ouvidos, ecoando de forma tênue.

Por quanto tempo vai continuar com isso?

Neo reagiu rapidamente.

Sua cabeça se virou rapidamente para cima ao ver as nuvens se abrindo, revelando um céu pintado em tons de carmesim e violeta.

"Zeus—"

As palavras ficaram presas na garganta quando fragmentos de uma lua quebrada caíram através das nuvens.

Cacos dispersos flutuavam para baixo.

A luminância pálida deles era ao mesmo tempo bela e aterrorizante.

Milhares de 'meteoros' gigantes — pedaços da lua — desciam, cada um deixando rastros de luz prateada ao rasgar o céu.

Um pedaço enorme voava na direção dele.

"Droga—"

Os olhos de Neo se arregalaram quando o grande fragmento atingiu perto de sua posição.

O impacto foi ensurdecedor.

Um instante depois, uma rajada forte de vento o atingiu, levantando poeira e destroços numa tempestade selvagem.

O chão tremeu violentamente, rachaduras se espalharam como teias de aranha sob seus pés.

Então tudo ficou escuro.

[Passaram-se 12 horas desde sua Morte.]

[Você será ressuscitado à força.]

Neo gemeu enquanto a consciência retornava.

Seu corpo doía, e ele se via enterrado sob uma montanha de peso.

A fragrância de poeira de pedra encheu seus pulmões, asfixiando-o.

Quando tentou se levantar, os destroços o prensaram ainda mais para baixo.

Estava prestes a invocar a Escuridão para devorar tudo ao seu redor quando toda a área tremeu novamente.

Poeira choveu de cima.

Era como se a gravidade tivesse desaparecido.

Os destroços começaram a levantar-se, leveza total, ascendendo lentamente ao ar.

Só então Neo percebeu Beelzebub.

A forma da criatura monstruosa estava ferida.

Seu enorme focinho estava aberto, devorando os fragmentos de debris, consumindo os cacos quebrados da lua enquanto buscava desesperadamente por Neo.

O corpo de Beelzebub estava sangrando.

Seu sangue elementar escapava de múltiplos ferimentos em córregos lentos e brilhantes.

"Ele tentou me proteger?" pensou Neo.

A criatura soltou um grito cansado ao finalmente avistá-lo, alívio visível mesmo em seu estado danificado.

Mas ela não conseguia mais aguentar.

Com um som fraco e final, Beelzebub perdeu a consciência, encolhendo-se numa forma de lagarta pequena.

"Obrigado por ter me ajudado."

Neo pegou delicadamente a pequena forma e a colocou no bolso.

"Descanse bem e se cure."

Ele afagou suavemente o bolso.

Beelzebub soltou um leve, fraco grito, como se estivesse assegurando a Neo que ficaria bem, antes de cair em um sono profundo.

Depois de garantir que Beelzebub estivesse descansando, Neo escaneou os arredores.

O mundo estava silencioso, exceto pelo som distante do fogo crepitando e o sussurrar das cinzas flutuando pelo ar.

Os fragmentos outrora colossais da lua jaziam quebrados pela paisagem desolada, banhando tudo com um brilho pálido e misterioso.

"Tenho certeza de que foi a voz de Zeus. Onde ele está?" disse Neo.

Ele pulou para cima.

O local tinha se transformado num caos após alguns pedaços da lua em queda atingirem a área ao redor.

O chão estava marcado por crateras, brilhando levemente com o calor residual, e fumaça saia das terras rachadas.

Fragmentos de rochas celestiais surgiam como monolitos irregulares, alguns ainda crepitando com energia roxa.

A descida meteórica deles limpou o céu, permitindo que Neo olhasse para o espaço.

O vazio era infinito, uma tela preta pontilhada por incontáveis estrelas.

Ele viu várias torres, altas demais, alcançando o espaço.

Elas cresciam desde o primeiro dia.

Mas ele nunca imaginou que chegariam tão longe.

"Acho que sei como a lua caiu."

Olhou ao redor.

Os destroços da lua tinham rachaduras roxas dentro.

A Corrupção do Vazio deve ter destruído ela, o que acabou causando essa catástrofe.

Os pensamentos de Neo foram interrompidos ao ver um relâmpago dourado descendo no leste.

Ele cortou o céu com um rugido ensurdecedor, iluminando a paisagem destruída por um instante.

"Ele está vivo?"

Neo agiu rapidamente.

Seus passos eram leves e ágeis, levantando poeira enquanto corria na direção da origem do relâmpago.

O vento uivava ao seu redor, carregando o aroma de pedra queimada e cinzas.

Ao se aproximar, Neo percebeu algo.

Sua afinidade com a Morte estava reagindo de forma diferente.

Ele não conseguiu sentir a presença de uma 'pessoa viva' no local para onde se dirigia.

As sobrancelhas de Neo se franziram.

Ele aumentou a velocidade, movendo-se tão rápido que deixou rastro de imagens após si.

O chão tremia a cada passo, mas ele se sentia leve como pluma.

Quando chegou na origem dos constantes relâmpagos, encontrou 'Zeus.'

"…"

Um cadáver sem cabeça lutava contra as larvas, como se fosse possuído por um fantasma vingativo.

Indiscutivelmente, era um cadáver.

O pescoço exibia marcas rasgadas e irregulares, como se uma larva tivesse mordido e arrancado a cabeça.

Zeus, outrora poderoso, estava morto.

No entanto, seu corpo ainda resistia.

Seu cadáver, talvez controlado pela memória muscular ou pela vontade remanescente de Zeus, ainda combatia.

Relâmpagos dourados saíam de suas mãos, atingindo as larvas repetidamente.

Porém, as larvas permaneciam ilesas.

Seus corpos retorcidos mal eram afetados pelos ataques.

Neo ficou parado, abalado com a cena diante de seus olhos.

Horas passaram enquanto ele observava o corpo lutar, embora sem conseguir prejudicar as larvas.

Ele convocou relâmpagos para atacar as larvas, repetindo incessantemente.

Embora esses ataques fossem inúteis, as larvas também não conseguiam destruir o corpo.

Seus dentes não conseguiam perfurar a pele perfeita, não importa o quão ferozes fossem ao mastigar.

Elas soltavam gritos ensurdecedores, lamentos agudos que ressoavam na paisagem desolada.

Logo, o chão começou a tremer.

rachaduras se abriram pelo campo estéril enquanto três pilares gigantes surgiam do solo, emitindo uma aura sombria.

Centenas de olhos se abriram nas suas superfícies, todos fixos na luta do corpo de Zeus.

Contemplavam ininterruptamente, tentando corrompê-lo com uma força anormal.

No entanto, nada aconteceu.

"Idiota louco."

Neo não sabia se ria ou chorava.

Zeus pode ter sido morto, mas não estava derrotado.

Ao observá-lo, Neo sentiu uma mistura de emoções estranhas.

Apreço. Respeito. Orgulho. Tristeza.

A intensidade do olhar de Neo mudou.

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