Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 193

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Passar dias com a família de Neo, observando os dois irmãos interagirem, fez com que Mars comparasse sua própria família à deles e o fizesse explodir de raiva.

"Vou mostrar a todos que artes marciais não são mais fracas que Feitiços ou Encantamentos," disse Mars no final.

A aura do homem mudou.

Ele segurou com força a cadeira de pedra, de modo que o apoio de braço rachou.

Ele fechou os olhos, e quando os abriu novamente, Mars pôde perceber a intenção calculista escondida por trás deles.

"Não há nada que possa ser feito para mudar sua escolha?"

"Na verdade, há sim."

De repente, o homem percebeu que tinha caído na trama de Mars.

Era fácil perceber que Mars vinha esperando por esse momento o tempo todo.

"Você aprendeu isso com seus 'amigos'?" questionou o homem, com sarcasmo evidente.

"Sim, aprendi."

Mars sorriu inocentemente.

O homem bufou.

No final, ele não se importava que Mars tivesse uma intenção oculta.

"O que você deseja?"

"Me entregue a arma."

"…?"

"Mesmo que eu não consiga fazer a ligação com a arma, ela será minha. Não do Clã."

As sobrancelhas do homem se franziram.

Mars odiava usar armas.

Mesmo assim, ele queria a posse delas.

Seus planos eram claros.

Silêncio reinou na sala.

O homem não negou nem confirmou nada.

Justo quando Mars achou que seria rejeitado, o homem falou,

"Seu desejo será realizado."

"Mas lembre bem do seu lado no acordo, pois isso não deve ser esquecido."

Um suspiro escapou dos lábios de Mars.

"Pode sair."

"Obrigado."

Mars se levantou.

Ele se aproximou das portas gigantes e estava prestes a sair quando, de repente, o homem falou,

"Neo Hargraves, ele consegue usar a Bênção?"

Mars parou.

Ele se virou.

"Bênção?"

"Esqueça." O homem acenou com a mão. "Você está dispensado."

...

Elizabeth apareceu no interior de um corredor.

Os caminhos eram iluminados com as chamas alimentadas pela Energia Divina que queimavam em cima de tochas de madeira.

Ela fechou os olhos e espalhou seus sentidos.

"Este lugar é tão grande quanto uma cidade pequena."

Parecia um estacionamento ou uma base subterrânea gigante.

Considerando o baixo número de pessoas dentro, não era a base principal.

Ela lançou o Feitiço de Reflexo de Água junto com encantamentos extras.

As memórias da água passaram por sua mente.

Encontrou a garota que vinha procurando.

Na lembrança, a garota cancelou sua Disfarce após chegar à base.

Transformou-se em um homem.

Elizabeth já tinha visto ele antes.

"Ele é…"

Ela tentou recordar o nome do homem e não conseguiu.

"Ele é o dono do santuário de fauna mística."

"Ele postou a missão de nível A que a equipe de Neo aceitou e falhou após a fênix morrer às mãos de Lucas."

Mais memórias surgiram em sua mente enquanto as palavras saíam de sua boca.

"O diretor tentou capturá-lo depois que a academia percebeu que algo estava errado com o santuário de flora mística, mas ele escapou antes disso."

Não havia pistas sobre o paradeiro do homem há meses.

Elizabeth percebeu que Neo a enviou de propósito para capturá-lo.

Sua insatisfação aumentou.

"Ele pode me pedir diretamente se quiser alguma coisa. Por que ser indireto?"

Apesar de suas palavras, ela avançou na direção do homem.

Ela inspecionou a base pelo caminho.

Um patrulhamento cruzou seu caminho.

Ele a encarou com os olhos arregalados.

"Intrusa—"

Água entrou na boca dele, impedindo-o de dizer qualquer coisa.

Ele tentou se mover e atacar, mas a bola de água que o prendia apagou todos os seus Feitiços.

Mais patrulhas encontraram Elizabeth enquanto ela continuava andando.

Ela as eliminou, certificando-se de não matá-las, caso precisasse extrair informações delas.

Demorou um pouco para chegar até o local do homem.

Ela pôde ouvir a voz dele do outro lado da parede.

"Finalmente! Podemos avançar com nosso plano! O fracasso na academia quase acabou com tudo, mas agora temos uma chance!"

Elizabeth atacou.

A parede explodiu, revelando a sala.

Elizabeth entrou pelo buraco.

O homem estava sentado na cadeira no cabeçalho da mesa.

Ele sorriu para ela.

"Não acha?"

Elizabeth franziu a testa ao perceber que o homem estava calmo.

Calmíssimo.

Quase como se tivesse esperado ela chegar.

"De fato, é isso mesmo."

O homem sorriu de orelha a orelha.

"A cafeteria foi criada para atrair demigods poderosos como você, que vieram atrás de mim."

"Já que não podemos mais usar a academia para coletar sacrifícios, demigods como você terão que servir."

Elizabeth direcionou o olhar para o teto da sala.

Um enorme círculo roxo com um olho no centro estava pintado lá.

"Templo do Vácuo," murmurou Elizabeth.

Ela baixou o olhar e cruzou o olhar com o do homem.

"O que você planejava na academia?"

"Nada complexo. Criar monstros contaminados, causar tumulto na academia, coletar os corpos dos demigods mais talentosos da geração e usá-los como sacrifícios."

"Para quê?"

Empolgado, a respiração do homem ficou ofegante.

Parecia que ele podia visualisar o futuro onde tinham sucesso.

"Vamos rasgar o céu falso e receber os Verdadeiros Deuses! Os Deuses do Vácuo!"

Elizabeth o encarou como se estivesse olhando para um inseto.

Ele claramente tinha alguns parafusos soltos.

Ela estava prestes a dar um passo para prendê-lo quando, de repente, uma força a puxou por trás.

Num piscar de olhos, ela se viu em um mundo estranho.

O céu tinha um teto.

Um teto semelhante a um tabuleiro de xadrez que parecia se estender até o infinito.

O chão era igual.

Não havia paredes. Apenas um céu e um chão em padrão de tabuleiro de xadrez.

"Hahahahaha!"

Elizabeth virou o olhar para a origem daquela risada descontrolada.

Ela avistou um homem, vestido de branco, rindo à beça.

'O homem na base era fraco demais para eliminar os demigods que atraíram,' ela pensou. 'Essa pessoa deve ser quem lida com intrusos.'

O homem de branco ergueu a cabeça e a encarou.

Elizabeth recuou ao ver os vermes devorando metade do rosto dele.

Os vermes entraram no nariz e na boca, consumindo sua carne, mas o homem agia como se não pudesse senti-los.

"Um Contaminado pelo Vácuo."

"Então você reconhece essa aparência," o homem, um contaminado pelo Vácuo, sorriu. "Claro que sim. Um Demigod Exaltado teria conhecimento sobre esses assuntos, sem dúvida."

Ele riu e abriu os braços.

"Para ser honesto, fiquei bastante impressionada quando fomos teleportados para a [Dimensão do Sonho].

"A Vontade do Mundo só abre esse lugar quando Demigods Exaltados estão prestes a lutar."

Ele apontou para ela.

"Imagine como me senti quando estava prestes a atacar a mulher que entrou na nossa base e, de repente, a Vontade do Mundo me puxou para a Dimensão do Sonho."

Ele levantou o canto dos lábios.

"Graças a você, podemos completar o ritual ainda hoje."

O homem disparou em direção a Elizabeth numa velocidade rápida.

"Não posso acreditar que uma Demigod Exaltada se entregou de bandeja para nós!

"Morra e seja a base do nosso grande ritual!"

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