Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 180

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Neo caminhava pelo deserto negro.

Ele avistou a porta do Nível de Profundidade 2.

Era uma massa de sombras girando, a cerca de um dia de caminhada de distância.

Tremores apareciam no solo. Ossos de várias cores—brancos, amarelos, pretos—surgiam da terra.

Corpos ressuscitados de monstros e feras míticas começavam a se desenterrar.

"Parece que tem um Necromante aqui."

"Será que ele tem a ver com o motivo pelo qual a Mira ficou tão forte no romance?"

Dezenas, talvez centenas, de cadáveres emergiram.

Em vez de assumir uma postura de combate, Neo seguiu caminhando.

Raios vermelhos faiscavam ao seu redor. Eles percorriam do seu centro até as pernas, entrando na terra.

O raio vermelho pulsava pela terra, matando os corpos ressuscitados antes que pudessem se completar.

"São realmente fracos."

A caminhada foi calma, sem surpresas.

Pretos, fantasmas, Dullahans, Wraiths.

Eles continuaram tentando criar obstáculos para ele.

Neo alcançou o Nível de Profundidade 3 após várias horas.

A Energia Divina no ar ficou turva. Em vez de elementais da Sombra, o ar estava cheio de elementais da Morte.

Ossos negros pontilhavam o solo. Neo franziu a testa ao ver aquilo.

"O que é isso...?"

Ele podia sentir o ressentimento de almas incrustado nos ossos. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto.

Confuso, Neo percebeu que era sua benção chorando.

"Salve-os," dizia-lhe ela.

Antes que Neo pudesse fazer alguma coisa, ouviu risadas maniacais. Nuvens negras se formaram no céu.

"Você veio, sacrifício.

"Tenho que admitir, fiquei surpreso de ver você derrotar meus subalternos!

"Mas isso acaba agora! Você pisou no meu Domínio! Está praticamente condenado!"

O Necromante, um esqueleto com uma majestosa túnica vermelha, ria de sua throne que ficava bem à frente.

Um enorme orbe de Trevas flutuava atrás do trono.

"Admiro sua coragem, sacrifício, por vir sozinho enfrentar-me! Como—"

O Necromante parou de falar ao ver Neo desaparecer de vista.

Sentiu uma rajada de vento passar por ele e ouviu uma voz atrás de si.

"Semente de Espírito. Então é assim que a Mira conseguiu seu Espírito e ficou tão poderosa."

"Acho que você utilizou as mágoas dos mortos e suas almas para fortalecer a Semente?" perguntou Neo, de pé atrás do trono.

O Necromante congelou.

'Como ele conseguiu ficar atrás de mim?'

'Não percebi ele se mexer.'

'Teleporte? Distorção do espaço? Manipulação da percepção?'

Ele ficou nervoso.

'Eu senti a rajada de vento. Será que foi só força física mesmo?'

'Ele se moveu numa velocidade que eu não percebi?'

Isso não era bom.

Era uma notícia bem ruim.

O Necromante levantou a mão.

Os anéis em seus dedos brilhavam.

Mas antes que pudesse atacar, sua visão ficou turva enquanto sua cabeça caía do corpo.

Os ossos do pescoço do esqueleto tinham sido cortados limpo.

Neo olhou para trás.

Ele tinha decapitado o Necromante quando passou por ele anteriormente.

"Ainda assim, ele consegue falar, mesmo sem cabeça."

"Parece que um 'Lich' é bem difícil de matar..."

As palavras de Neo ficaram incompletas enquanto ele percebia algo.

Ele virou o olhar para um dos ossos que julgava sair do solo.

O osso crescer, como uma muda se tornando árvore, e se transformou novamente no Necromante.

"O que foi que você fez?!

Como conseguiu atacar tão rápido?"

Acabou a aura majestosa e o orgulho que o Necromante carregava.

Cinco segundos foram o bastante para ele perceber a disparidade entre si e Neo.

"Hmm..."

Neo desembainhou sua espada, ignorando o Necromante em pânico.

Ele infundiu sua Aura da Morte na espada.

Desenhos de arcos de relâmpagos vermelhos apareceram na lâmina.

"A Lâmina da Aura parece normal."

"Então, como você ainda está vivo? Aquele ataque poderia ter matado o Minotauro de uma vez."

Ele recolheu sua Aura, e os desenhos desapareceram.

Vendo sua expressão fechada, o Necromante percebeu que ele talvez não fosse tão indefeso quanto imaginava.

Um sorriso surgiu em sua face.

"Essa é a força do meu Domínio!

"Enquanto eu estiver aqui, sou Imortal!

"Você pode ser forte, sacrifício, mas nunca vai conseguir me matar!

"Logo, logo, você vai se exaurir, e eu te acabarei quando isso acontecer!"

Confiança do Necromante voltou.

Neo olhou para os ossos saindo da terra.

'Parece que ele se revive pelos ossos.'

'São centenas de milhares deles.'

Neo devolveu a espada à bainha.

Embora pudesse usar força bruta para destruir cada osso, isso seria demorado e cansativo.

Tentar usar a Morte para superar a Imortalidade do Necromante diretamente era ainda mais inútil.

O Necromante tinha vivido séculos; sua resistência à Morte era incomparável ao que Neo poderia alcançar.

'Isso é complicado.

Sou mais forte, mas não consigo vencer.'

Enquanto Neo estava perdido em pensamentos, o Necromante atacou.

Seu anel brilhou enquanto duas enormes mãos de ossos saíram do chão, esmagando Neo entre elas.

O Necromante sabia que aquilo ainda não era suficiente para matar Neo.

'O pirralho usa algum tipo de feitiçaria de outro mundo para aumentar sua defesa.'

'Melhor continuar atacando até ter certeza de que morreu.'

Sendo antigo, o Necromante não conhecia feitiços.

Não foi surpreendente que não conseguisse entender como Neo fortalecia sua defesa com manipulação de Aura do elemento Água.

O elemento água não deveria aumentar defesas; esse era domínio do elemento Terra.

"Tome isso, sacrifício! Vamos ver quanto você aguenta!"

Os olhos de Neo se estreitaram enquanto avaliava a situação.

O Necromante era realmente implacável, mas seus ataques pareciam menos ameaçadores e mais... desesperados.

"'Sacrifício'? Eu diria que não encaixo nesse papel," murmurou Neo, espanando a poeira da manga.

As mãos de ossos apertaram mais, ralando contra suas defesas infundidas de aura, mas a presença de Neo só ficava mais forte.

A voz do Necromante ecoou pela planície enquanto ele ergueu ambos os braços.

Ele entoou em uma língua antiga.

'Isso não é um feitiço.'

'São...'

'Incantações.'

Neo percebeu o que ele tentava fazer.

Incantações eram uma forma avançada de manipulação de Energia Divina.

Eram diferentes de feitiços.

A energia sombria spiralava do trono do Necromante, alimentando o enorme orbe de trevas que flutuava acima dele.

O ar ficou ainda mais carregado de elementais da Morte.

O solo tremeu enquanto ossos, garras e crânios se contorciam em grandes quantidades.

O exército de cadáveres ressuscitados atacou Neo de todos os lados.

O Necromante sorriu, confiante na força do seu domínio.

"Então, esse é seu plano? Reatribuir os mortos várias vezes, contando com o número para me exaurir?"

Neo assistia à onda de inimigos, sem se preocupar.

"Vocês vão ver, sacrifício! Essa é a ira de séculos de almas amaldiçoadas.

Ninguém, nem você, consegue resistir para sempre!" gritou o Necromante, retomando sua confiança.

"Nem pensa em apostar nisso."

Raios vermelhos cruzaram o campo, queimando a terra e destruindo ossos antes mesmo de eles conseguirem se levantar totalmente.

Ondas de elementais da Morte incineraram tudo num piscar de olhos.

O sorriso do Necromante desapareceu ao ver suas forças substitutas desmoronarem sob a energia implacável de Neo.

"Impossível!" gritou ele, cambaleando para trás. "Por que você tem tanta mana!?"

Neo fez uma pausa.

Assumiu um sorriso contido.

Ainda na escola, tudo parecia uma prisão para ele.

Seus amigos e conhecidos do primeiro ano eram fracos demais para que ele pudesse ir ao máximo.

Os três meses de tédio quase o fizeram desistir da academia.

Foi por isso que entrou sozinha na janela.

Para finalmente ter uma batalha em que precisasse dar o seu melhor, uma luta onde tinha que arriscar tudo para vencer.

Mas…

"Você é fraco demais."

Ele se deslocou instantaneamente.

A velocidade dele fez sua figura ficar borrada, e ele veio com um golpe de espada em grande arco.

Uma onda de relâmpagos vermelhos percorreu o ar, criando uma ferida imensa que dividi u ao meio o trono do necromante.

O Necromante soltou um grito sufocado.

Sua forma brilhou e se distorceu, sua cabeça se desprendendo novamente do corpo.

Por um momento, o silêncio reinou.

Neo ficou na posição de ataque, pronto para atingir, assistindo enquanto o corpo do Necromante se dissipava—apenas para se reformar alguns metros mais adiante, de outro osso.

"Essa é a força do meu Domínio, sacrifício," zombou o Necromante, tentando retomar o controle.

"Você pode me matar cem, mil vezes, mas eu sempre volto! Você é só uma dor de cabeça temporária!"

Neo suspirou.

Realmente, ele não tinha mais disposição para lutar.

Cada segundo que passava só aumentava seu tédio.

"Mars ou Arthur seriam melhores parceiros de sparring."

"Fracos como são, ainda sabem usar truques e surpresas para me machucar."

Um sorriso se formou ao lembrar de seus amigos.

"Bom, a Morrigan seria a melhor parceira de treino."

"Mas ela já está exigindo mais."

"Tô até preocupado que minha carteira não aguente sustentar ela por muito mais tempo."

Neo respirou fundo, concentrando sua energia para dentro.

"Acho que preciso acabar com isso logo."

Sua Energia Divina começou a se fundir ao ar numa velocidade assustadora.

O Necromante franziu a testa ao perceber que Neo fazia algo.

Nuvens negras, tremulando com relâmpagos vermelhos, se juntaram no céu.

Ao analisar as assinaturas de Aura, ele ficou rígido.

"Como...?"

Suas palavras ficaram presas na garganta ao ver gigantescas espadas de relâmpagos vermelhos comprimidos descerem do céu.

Cada espada do tamanho de um monstro Shadow gigante que Neo enfrentou quando entrou na Janela pela primeira vez.

O Necromante rapidamente tentou montar defesas.

A ataque, embora extravagante, era bem simples.

Era pura Energia Divina do elemento Morte comprimida.

Nada mais, nada menos.

No entanto, a quantidade de Energia Divina impregnada no ataque tornava-o devastador.

"Pare com essa loucura, idiota!

"Você vai acabar nos matando!"

As espadas gigantes atingiram o chão e o mundo tremeu.

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