Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 159

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

“Não conseguimos recuperar o corpo. Estamos fazendo o funeral sem ele.”

Ele não mandou Neo que fosse ao funeral, mas suas intenções eram claras.

Neo negou com a cabeça.

“Desculpe.”

“Eu... entendo...”

Neo fechou os olhos após Jack sair.

“Droga.”

Mars deveria ter morrido no ataque em grande escala que aconteceria na Academia.

Ele teria se sacrificado para proteger os outros.

Mas Neo impediu o ataque há muito tempo, sabotando o proprietário da fauna mística.

Achava que isso seria suficiente.

“Maldita Sorte...”.

Neo mordeu seus lábios.

Sabia que era uma decisão de Mars.

O motivo de Mars ter se sacrificado era porque ele sabia que estaria condenado a morrer em poucos meses por causa de sua constituição.

No entanto, esse motivo não tornou mais fácil para Neo aceitar a morte do amigo.

Apesar de tudo, Neo não tinha intenção de reviver Mars.

Conhecendo a personalidade de Mars, ele não gostaria de ser ressuscitado.

O único que Neo podia fazer era continuar seu treinamento.


Mais tempo passou.

Era o dia da formatura de Neo.

Ele permaneceu na sala de meditação.

Neo teria que deixar a academia na manhã seguinte, pois a graduação havia sido concluída.

O sol atingiu o pico e desapareceu no horizonte em algumas horas.

Ele esperou pelo Professor Daniel até o amanhecer novamente.

“Então ele nunca realmente planejou me ensinar.”

Ele se levantou e ia sair quando ouviu vozes do escritório pela primeira vez em dois anos.

“Você está atrasado.”

“Cale a boca.”

A porta se abriu.

Professor Daniel saiu e notou Neo.

“Você ainda aqui? Quanto tempo passou?”

Ele tirou seu relógio de bolso.

Sua expressão ficou séria.

“Dois anos...?”

Ele abriu a boca e a fechou, sem conseguir formar a próxima frase.

No fim, levou alguns segundos para perguntar:

“Você ficou aqui por dois anos?”

“Sim.”

O rosto do Professor Daniel passou por inúmeras expressões: choque, descrença, dor, aceitação.

Ele cobriu o rosto com as mãos e suspirou.

“Entre. Você já pagou o suficiente.”

Os dois entraram no escritório.

Professor Daniel sentou-se na cadeira principal, enquanto Neo ficou do outro lado da mesa.

Ele olhou fixamente e silenciosamente para Neo.

“Você me odeia?”

“...”.

Ele riu amargamente ao ver Neo em silêncio.

Balançando a cabeça, mudou a pergunta.

“Por que você quer despertar o Elemento do Tempo? Dois anos não é algo que uma pessoa gastaria em uma decisão espontânea.”

“Porque é poderoso.”

A resposta de Neo surpreendeu o Professor Daniel.

“Poderoso, hein? É por isso que você usa as Trevas, mesmo sendo um elemento proibido?”

“Sim.”

O Professor Daniel massageou as sobrancelhas.

Ele se recostou na cadeira e olhou para o teto.

“A resposta é clara, mas vou perguntar mesmo assim.

“Tem certeza de que quer despertar o elemento do Tempo?”

“É um dos 13 elementos proibidos por uma razão.”

“Eu quero despertá-lo.”

“Suspiro...”

O Professor Daniel soltou sua gravata e se levantou.

“Tudo bem, vou ajudar você a despertar.”

Ele circulou a mesa e ficou atrás de Neo.

“Existem três formas de despertar um elemento:

“Despertar Natural, Despertar por Trauma e Despertar por Imersão.”

Ele continuou.

“Despertar Natural significa esperar que seu elemento desperte naturalmente.

“No Despertar por Trauma, não sabemos qual dos seus elementos dormentes irá despertar, se é que algum irá.”

“A única alternativa é o Despertar por Imersão.”

“Sabe como funciona?” perguntou o Professor Daniel.

“Vivenciando o elemento. É assim que o Despertar por Imersão funciona.” Eu vivencio o elemento e isso aumenta as chances de despertar,” respondeu Neo.

“Sim, isso mesmo.

“Navegue na água para despertar o elemento Água, sinta o calor do fogo para despertar o fogo. Essa é a Imersão.”

“Porém, as chances de despertar por Imersão são extremamente baixas.”

Ele continuou explicando.

Neo sabia muitas informações, mas não todas.

Ele ouviu atentamente.

“As chances podem ser aumentadas passando por uma imersão violenta.”

“Afogue-se na água para despertar o elemento Água, queime-se para despertar o fogo.”

“O que você quer dizer?” Neo perguntou.

“Você tem experimentado o tempo toda a sua vida. Você já está passando pelo Despertar por Imersão.

“Como não está funcionando, é preciso experimentar o Tempo através de uma Imersão Violenta.”

“...Mas isso pode custar a sua vida.”

“Tudo bem. Estou preparado para isso.”

“Faz sentido.”

O Professor Daniel suspirou.

“Você tem afinidade com Água?”

“Sim.”

“Ótimo.”

Ele colocou a palma da mão nas costas de Neo.

“Compre uma aposta na loteria — não vou repetir isso toda hora — e carregue um relógio de bolso com você. Quando o dia chegar, volte aqui para me ver novamente.”

“O que—”

“Vou começar com uma semana. É importante você aumentar sua resistência antes que eu te envie ainda mais para trás.”

O Professor Daniel empurrou Neo.

Uma força incomum atingiu Neo.

Era como estar diante das comportas de uma represa.

A força era tão forte que chegou a parecer que sua alma seria expulsa do corpo.

“É o Rio do Tempo! Não solte ou será arrastado! Prepare-se! Resista ao fluxo!”

Neo fez o que a voz do professor ordenou.

Sentiu-se como uma pedra sendo jogada na frente de um fluxo de água sob alta pressão.

Estava sendo erodido.

De repente, tudo parou.

Neo abriu os olhos, respirando pesadamente.

Estava fora do escritório do Professor Daniel.

Pegou seu dispositivo.

“Hahaha, isso é loucura. Funciona… Funciona de verdade!”

Neo havia voltado uma semana no passado.

Decidiu chamar esse dia de D-7, pois encontraria o Professor Daniel no dia ‘D’.

Limpa o sangue escorrendo pelo nariz e sentou-se na praça para aliviar seus membros trêmulos.

“Parece os efeitos colaterais de uma erupção parcial.”

Erosão.

Era uma das muitas formas de Morte que podiam acontecer ao viajar pelo Tempo.

A morte por erupção era uma morte existencial.

A pessoa desapareceria e ninguém se lembraria dela.

Seu passado, presente e futuro seriam apagados.

Existem outros tipos de morte relacionadas ao manuseio do elemento Tempo.

Escorregamento do tempo e o esquecimento são alguns que Neo lembrava.

“Devo comprar a aposta na loteria e o relógio de bolso.”

Levou duas horas para se recuperar dos efeitos residuais.

Eles não desapareceram completamente.

Neo ainda sentia como se estivesse na frente de uma corrente de água sob alta pressão, mas, diferentemente antes, era administrável.

“Droga, parece que vou ficar assim pra sempre.”

Neo deixou a sala de meditação.

Comprou um relógio de bolso e uma aposta na loteria em uma loja próxima.

“Entendo a necessidade do relógio de bolso, mas por que a aposta na loteria?”

Confuso, ele os guardou no bolso.

O resultado da loteria saiu no dia D-5.

“Perdi.”

O número ‘S1d5SFA’ ganhou, enquanto Neo tinha escolhido ‘A43AFDS3423’.

“Nem mesmo o mesmo número de dígitos.”

Neo fez uma careta.

“Pelo menos, já sei qual número de loteria comprar na próxima vez.”

Neo não tinha despertado o Elemento do Tempo.

Provavelmente, precisaria regredir mais algumas vezes.

A reunião com o Professor Daniel ocorreu no dia D-0.

Neo bateu na porta.

Não houve resposta.

Verificou o horário.

“5h03 da manhã. Vou entrar direto no escritório?”

Abriu a porta.

Não havia problema, já que foi o próprio Professor Daniel quem chamou.

O local estava vazio.

Neo fez uma expressão frustrada.

“Como eu esperava, ele é—”

“Não lembro de ter dito para você entrar sem permissão.”

Neo se virou.

O Professor Daniel estava lá.

Ele parecia pálido.

“Nunca entre no meu escritório sem que eu abra a porta.”

Ele caminhou em direção a Neo.

“Como se sentiu? Despertou o elemento do Tempo?”

“Acho que não.”

“E a aposta na loteria?”

“Perdi.”

O Professor Daniel assentiu.

“Da próxima vez, compre o número premiado. Deve ser fácil, já que você o viu desta vez.

“O que mais fez nesta semana?”

“Nada de importante, além de treinar.” Neo respondeu, confuso por que Daniel perguntava sobre isso.

“Encontrou seus amigos ou alguém que conhece?”

“Não.”

O rosto do Professor Daniel se franziu.

“Você precisa experimentar o Tempo.

“Nadar contra o fluxo do Rio do Tempo é uma maneira, mas fazer coisas diferentes no mesmo período de tempo é outra.”

“Você já passou por 'nada' no passado. Desta vez, faça 'algo'.”

Ele acrescentou:

“E me avise assim que ouvir as Vozes.”

“Vozes? As Vozes das Trevas?”

“Não, não essas.” Ele balançou a cabeça. “As vozes perdidas no Tempo são diferentes.”

“Você saberá quando as ouvir.”

“Apenas me informe assim que ouvir essas vozes.”

Após explicar mais algumas coisas a Neo, o Professor Daniel colocou a mão nas costas dele.

“Vou te mandar mais uma semana para trás.”

“Não dá pra me enviar ainda mais para trás?”

“Não, você será Erodido.”

Ele empurrou.

Neo sentiu como se estivesse diante das comportas de uma represa.

Tentou resistir.

Começou a perder para a corrente avassaladora.

Justo antes de escorregar, a força enorme que o atingia desapareceu.

Ele abriu os olhos e verificou seu dispositivo.

“D-7.”

Neo comprou um relógio de bolso e a aposta vencedora na loteria.

No D-5, conferiu o resultado da aposta.

“O quê? É diferente?”

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