
Capítulo 133
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Orcus olhou para o sorriso de sua mãe com exasperação.
"Tanto faz, se é do seu agrado."
Embora Orcus agisse com alegria, a guerra estava lhe consumindo por dentro.
Ele tinha que ver dezenas de pessoas implorando por ajuda todos os dias.
Seu coração se zerrou ao mentir para elas, garantindo que poderiam ser salvas.
"A culpa é da guerra, né?"
Orcus deitou na cama.
Olhou para o teto.
Seus pensamentos vagaram.
"Suspiro, espero que a guerra acabe logo."
No dia seguinte, não foi mais fácil.
A guerra não dava sinais de parar.
As habilidades médicas de Orcus melhoraram com várias cirurgias que realizava a cada dia.
Ele não sabia exatamente como se sentir sobre isso.
Não era como se estivesse triste pelos óbitos.
De tanto ver mortes, já estava acostumado.
Só não conseguia esquecer o olhar nos olhos de seus pacientes quando estavam prestes a morrer.
"Droga, isso me deixa bem pra baixo."
"Talvez eu devesse ter escolhido uma carreira diferente."
A guerra durou alguns anos.
Orcus foi promovido a cirurgião sênior.
Em poucos meses, tornaria-se Cirurgião Real.
"Parabéns!"
Anna o abraçou.
"Meu bebê está prestes a se tornar Cirurgião Real!"
"Hahaha, consigo imaginar. Filas enormes na nossa clínica esperando hora com Orcus Hargraves!"
"Agora, só falta achar uma mocinha boa pra você e posso partir tranquilo," disse Anna.
"Ei! Cuidado com o que está dizendo."
Orcus sorriu.
"Você é muita vida pra morrer tão cedo."
Ele mostrou o panfleto para Anna.
"E preciso completar esses requisitos para me tornar Cirurgião Real."
"Quem sabe eu não falhe?"
"Ah, duvido que meu filho falhe."
No dia seguinte, Orcus saiu para a missão.
Junto a outros cirurgiões, precisou ir até uma das últimas linhas de frente e atender os soldados feridos lá.
Durante o trabalho, Orcus enfrentou um problema.
"O que você disse?"
"Tavren eshka lo verindor, shal ti'nak v."
"Droga."
Orcus olhou para a mulher, que parecia alguém do seu reino, graças ao cabelo prateado, com uma expressão nervosa.
"Por favor, diga que consegue entender minhas palavras. Por favor."
"Oraleh den! Froska! M-mel disharu vo'relin, kashten val orendo!"
Apesar de seu tom cortante, ela estava tão fraca que mal conseguia sussurrar.
Somente Orcus ouviu suas palavras.
Ele fechou os olhos.
"Droga."
A mulher era uma soldada do reino inimigo.
"Aquelas idiotas a resgatearam por causa do cabelo, não foi?"
Uma das enfermeiras se aproximou.
"Doutor Orcus, há algum problema?"
"Isso…"
A mulher estrangeira olhou com raiva para a enfermeira.
Orcus usou um pano para tapar a boca dela antes que pudesse dizer algo.
Ele falou com a enfermeira,
"Essa paciente parece ter levado um choque. Traga-me…"
Ele recitou o nome das ervas.
Após a saída da enfermeira, Orcus tirou o pano da boca da mulher.
Observando que ela não demonstrava gratidão alguma, ele suspirou.
"Sabia que acabei de te salvar?"
"…"
"Espera, você entende? Achei que não pudesse compreender minha língua."
"Kalon frisha d'vorith."
Orcus não entendeu uma palavra.
Ainda assim, conseguiu imaginar o que ela quis dizer.
"Você entende um pouco?"
A mulher assentiu com a cabeça.
Depois de tratar suas feridas, Orcus deixou a tenda.
Ele suspirou.
"Minha sorte foi pesada, salvei ela."
"Droga da ética médica."
A guerra na última linha de frente acabou em algumas semanas.
Enquanto estava lá, Orcus fez de tudo para que ninguém percebesse que a mulher era estrangeira.
Depois da batalha final, retornaram ao capital do reino junto com os soldados e os pacientes ainda em recuperação.
O administrador exigiu um relatório de Orcus, que declarou que levaria a mulher estrangeira consigo.
"Você quer dizer que vai levar…"
"Vanessa."
"Sim, Vanessa, com você, porque ela ainda não foi curada?"
"Foi isso que eu disse."
"E a família dela?"
"Ela é órfã."
"Marido? Familiares? Nada?"
"Não."
O administrador virou-se para Vanessa — o nome falso que Orcus dera a ela, já que ela se recusou a compartilhar seu nome verdadeiro — e perguntou,
"Você não tem problema em ir com o Doutor Orcus?"
"Ela é muda."
Orcus respondeu por ela.
"E já pedi a permissão dela. Se não fosse verdade, ela já teria recusado."
O administrador observou Vanessa cuidadosamente.
Seu cabelo prateado, estrelado, seu nariz pequeno, lábios vermelhos e corpo proporcional deixaram o administrador boquiaberto.
"Posso obter a permissão, senhor Administrador?"
Orcus ficou na frente de Vanessa, protegendo-a com o corpo antes que ela decidisse rebater o administrador.
"Tsc, agora entendo por que quer levá-la consigo."
O administrador carimbou os papéis.
Depois que saíram da tenda, Orcus viu Vanessa o encarando.
"Suspiro, vou te ajudar a voltar para seu país. Só me siga até lá. Por favor. Porque, se te pegarem, minha cabeça vai voar junto com a sua."
Ele voltou para casa.
Anna o esperava.
Todo o bairro estava reunido com fogos de artifício e placas prontas para celebrar seu retorno.
"Parabéns, Orcus! Sua promoção a Cirurgião Real foi…."
Anna notou Vanessa andando logo atrás de Orcus.
Ela piscou os olhos antes de gritar animada.
"Meu bebê trouxe uma menina de presente! Já não é mais um menino!"
Vanessa ficou tensa ao ouvir o barulho alto dos fogos de artifício.
Ela segurou o braço de Orcus.
Orcus esfregou as mãos na testa.
Levou um bom tempo para convencer sua mãe de que ele não estava namorando Vanessa e que ela era sua paciente.
O tempo foi passando.
Logo, os laços entre os reinos de Hazriel e Pangea foram restabelecidos.
Orcus foi até o quarto de Vanessa para contar a novidade.
Ele a viu rezando diante de um pequeno cubo prateado na mão.
Uma dor aguda atravessou sua cabeça ao ver aquele cubo.
"O cubo… Quella… Vanessa… descendente?"
Ele gemia de dor.
O ego de Neo surgiu por um breve momento.
Foi rapidamente abafado por uma força desconhecida.
Orcus voltou a si.
Percebeu Vanessa olhando para ele com preocupação.
Apontou para o cubo.
"O que é isso? Já te vi juntar as mãos na frente disso por um ano."
"É seu Deus ou algo assim?"