Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 126

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Neo, revivido, abriu os olhos.

Uma sensação ardente percorreu seu corpo.

Ele se segurou no peito e se curvou.

Gemas escaparam de seus lábios.

Faltava-lhe Energia Divina para se curar completamente após o retorno à vida.

A dor torturante quase o deixou inconsciente quando, de repente, Neo sentiu alguém colocar a mão em suas costas.

Um fluxo confortável de energia entrou em seu corpo através dessas mãos.

A dor desapareceu.

Curado, Neo ergueu os olhos.

—Amélia? O que está fazendo aqui?

—Fui ver como você estava.

Ela coçou as bochechas.

Depois de ajudá-lo a se sentar no sofá, ela preparou uma bebida para ele.

—Obrigado.» Neo bebeu um gole da bebida. «Mas como você entrou na sala? Tenho certeza de que tranquei a porta.»

—Neo, parabéns por completar a missão—

—Amélia, não mude de assunto.

—...Minha mãe me entregou as chaves.

—Por que ela tem chaves do meu quarto?

—Ela também tem as chaves do meu quarto.» Amélia o olhou com irritação. «Você devia ficar feliz por não precisar dividir a cama com ela.»

—Ela dorme com você?

—Sim, e ela...»

Amélia soltou um grito de frustração contida.

—Não posso dormir com ela! Ela me abraça forte demais! Desde que ela veio aqui, não consegui dormir direito um único dia!»

Neo colocou o copo vazio na mesa.

—Por que ela não veio te encontrar pessoalmente?

—Ela não quer te ver agora. A mãe está frustrada por não ter podido te ajudar.

Amélia suspirou.

—Ela acha que fracassou com você.

—O quê?

—Não me pergunte o que passa pela cabeça dela.

Amélia deu de ombros.

Ela se levantou.

—Vim aqui para ver como você estava. Agora pode descansar.

Justo quando ia sair, ela se curvou na porta e olhou para ele.

—De volta, né?

Amélia saiu e a porta se fechou atrás dela.

Neo massageou a nuca.

—Acho que preciso comprar uma fechadura nova.

Depois de tomar banho, ele foi dormir.

A missão tinha sido exaustiva demais.

Ele queria descansar.


De manhã, acordou com um sobressalto ao sentir seus sentidos alertarem para um ataque vindo em sua direção.

Ele rolou para fora da cama e desviou de uma adaga envenenada por um fio de cabelo.

A assassina vestia um manto de sombras que escondia seu corpo e rosto.

'Será que o Clã Zeus o enviou? Não, nem eles atuariam tão abertamente numa tentativa de assassinato.'

Neo assumiu uma posição de combate.

De repente, uma adaga perfurou seu coração por trás.

A segunda assassina, que se aproximou sorrateiramente, torceu a lâmina.

Neo olhou para a ponta da arma saindo do seu peito.

—Como...?

Sua afinidade com a Morte nunca tinha o alertado de um ataque surpresa—

Neo acordou.

Ele respirava com dificuldade e suava pelos poros.

Observando ao redor, percebeu que era só meia-noite.

—Foi um sonho?

Ele se segurou na testa.

—Era tão real que parecia um sonho de verdade.

A dor de cabeça leve dificultava seus pensamentos.

Ao ouvir vozes, Neo percebeu que aquilo não era um sonho comum.

Era uma alucinação criada pela Escuridão.

—Parece que exagerei na utilização da Escuridão durante a missão. Não consigo mais controlá-la direito.

O volume dos ruídos aumentou.

Neo não conseguiu dormir.

As alucinações dos assassinos começaram a aparecer na sua frente enquanto ele ainda estava acordado.

Ele gemeu.

Sua cabeça parecia prestes a explodir.

No meio de tantas vozes falando com ele, ouviu a voz do Obitus.

Segure-me…

Neo….

A espada o chamava.

Neo achava difícil se concentrar.

Ele mordeu os lábios e tentou olhar ao redor do quarto.

As alucinações dificultavam encontrar a espada.

Num momento, ele caía do céu; no outro, queimava vivo; e de repente, estava lutando contra os assassinos.

Neo…

Vá para a direita…

Siga em frente…

A espada o guiava através das alucinações.

Ele chegou ao lugar onde a espada deveria estar.

Sim, agora me pegue….

Neo segurou o ar na frente dele.

Sentiu o frio do punho em seus braços enquanto sua conexão com os elementos era fortalecida pelo Obitus.

As vozes sumiram junto com as alucinações.

Neo estava de volta ao seu quarto.

Ele caiu de joelhos, trêmulo e sem conseguir controlar o tremor.

—Obrigad, Obitus.

Uma onda de emoções positivas invadiu sua mente.

Não há necessidade de agradecer…

Sempre estarei aqui para ajudar, não importa o que aconteça…

Agora, vá dormir….

Você precisa descansar….

Neo assentiu.

Segurou a espada na mão e se deitou na cama.

Normalmente, Neo mantinha sua afinidade com a Escuridão controlada para evitar que ela enlouquecesse.

Ele não conseguia segurar a tampa enquanto dormia.

Até hoje, não tinha sido um problema, pois sua afinidade com a Escuridão nunca foi forte o suficiente.

Mas, após a missão, sua afinidade cresceu bastante.

Ele não podia mais reprimi-la, a não ser que focasse toda atenção nisso, o que era impossível enquanto estivesse dormindo.

Neo não sabia o que teria feito sem o Obitus.

A espada aumentava seu controle sobre os elementos.

Ele tinha que dormir com a espada na mão, se quisesse evitar as alucinações novamente.

Pela manhã, Neo recebeu uma notificação da academia.

[Todos os participantes da missão de nível S recente devem se dirigir à sala de assembleias em 1 hora.]

[O Relatório de Avaliação da Missão será distribuído.]

[Por favor, compareçam ao encontro.]

Ele pediu comida no quarto.

Depois de matar a fome, partiu para o local.

No caminho, encontrou Jack.

—Oi, bocejo, como você está?

—Mais ou menos, acho. E você? Ficou acordado a noite toda?

—Estive dormindo desde que voltamos.

—Estou cansado pelos efeitos colaterais da revivificação.» respondeu Jack, bocejando.

Os dois chegaram à sala de assembleias.

Encontraram Arthur, Felix, Mars, Sean e Nathan.

Ao perceberem sua expressão abatida, Neo falou:

—Por que vocês parecem tão mal?

Arthur ergueu a cabeça ao ouvir a voz de Neo.

Ele olhou fixamente para Neo.

—É que muitos morreram durante a missão. Leonora, Clara, você…

De repente, Arthur calou-se.

Olhou para Neo, virou a cabeça, olhou para Jack, virou a cabeça novamente e olhou para Neo outra vez.

—Felix, pode me beliscar?

—Claro, mas me belisque também.

Felix, em seu corpo feminino, olhou para Neo e Jack com uma expressão de surpresa.

Os demais não eram diferentes.

Arthur fez uma careta quando Felix o beliscou.

—Neo… realmente está vivo?

—Sim, estou, e por favor, pare de agir como se tivesse visto um fantasma—

—Você está vivo!

Arthur pulou de sua cadeira.

Ele abraçou Neo e Jack numa velocidade que fez parecer que tinham sido atingidos por um caminhão.

—Você está vivo! Você está vivo!

Lágrimas escorreram pelo rosto de Arthur.

Sua voz quebrou.

—Muito obrigado por estarem vivos.

Jack olhou para Neo com uma expressão constrangida, sem saber o que fazer.

Antes que Neo pudesse fazer algo, Felix, seguindo o exemplo de Arthur, também os abraçou apertado.

Após um minuto de choro, Arthur se acalmou.

Enxugou as próprias lágrimas e olhou para Neo.

—Como você conseguiu sobreviver? O Lucas nos contou que você ficou para trás para ganhar tempo para a gente.

—O Lucas disse isso?

—Sim? Não foi isso que aconteceu?

Neo sorriu.

Ele percebeu Lucas, Harrison e Cassandra entrando na sala pelo canto do olho.

—Na verdade, sim, foi isso que aconteceu na época.

—Então, como você voltou—

Comentários