Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 124

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Todos podem voltar às suas posições.

Neo Hargraves, venha comigo, — disse Charlotte.

Ela invocou sua fênix.

Neo subiu em suas costas com ela.

O corpo da criatura, apesar de estar coberto por chamas, não queimava Neo.

Estava quente.

Chegaram à mansão no topo das nuvens e entraram na sala de estudos.

A diretora chamou as empregadas-robô.

— Preparem chá para nós.

— Compreendido.

A empregada-robô de olhos prateados trouxe o chá.

Neo bebeu quietamente.

— Vamos resolver o assunto mais importante primeiro.

— Quanto tempo te sobra? — perguntou Charlotte.

— No máximo, alguns minutos.

Neo levantou a palma da mão.

Raivos de relâmpagos vermelhos condensados piscaram ao redor do seu corpo.

Embora estivesse morto, a Morte não podia envolvê-lo.

Ele estava manifestando a própria Morte, que vinha buscá-lo, externamente, tentando impedir que ela o puxasse para o Submundo.

Charlotte abriu a boca.

— Elemento de vida e elemento sagrado não podem te curar, já que você está tecnicamente morto.

— Os elixires também não funcionam.

— Precisaríamos reverter o tempo do seu corpo físico e devolvê-lo ao estado anterior à morte. Só assim poderíamos te curar.

— O que vocês querem dizer, diretor? — questionou Neo.

— Posso recomendar um curandeiro com elemento de tempo para te curar.

— Mas o que eu ganho em troca? — Charlotte perguntou enquanto saboreava o chá.

— Tenho certeza de que a Academia é responsável por fornecer curandeiros aos estudantes que retornam de missões S-rank?

— É. Mas o que você faria se eu recusasse? — respondeu Neo com um sorriso.

Ele podia ver de onde Elizabeth tinha herdado seus vícios.

— O que preciso pagar para ser curado? — perguntou Neo.

— Não conte nada sobre o que aconteceu dentro da Janela.

— Desculpe, mas não entendi o que você quer dizer, diretor. — ela franziu a testa.

— É possível que você tenha visto algo antiético e agora esteja tentando esconder a notícia? — questionou Charlotte, com expressão fechada.

Neo sabia exatamente o que ela queria e tentava parecer indiferente.

— O ataque de Lucas. Quero que você fique em silêncio sobre isso. — disse Neo.

— Ah, você quer dizer como ele me traiu às costas? — ela respondeu.

Neo fingiu uma expressão triste.

— Preciso dizer, fiquei bem assustado na época.

— Você sabe como me senti quando o herdeiro do Clã Zeus tentou me matar? — questionou Neo.

A sobrancelha de Charlotte deu uma leve trepada.

Ela tinha visto como Neo forçou Lucas a fugir de rabo entre as pernas.

Assustado?

Seria como dizer que um leão tinha medo de uma hienas.

Impossível.

'Ele sabe que tem vantagem na negociação,' pensou Charlotte.

Se Neo fosse um semi-deus comum, ela poderia ameaçá-lo.

Infelizmente, ele era o irmão mais novo de Henry Hargraves, e parecia que sua discípula tinha uma quedinha por ele.

Charlotte não poderia deixá-lo morrer.

Ou haveria consequências.

Neo entendeu isso.

Um suspiro saiu dos lábios de Charlotte.

— Vou ser direta.

— Se você revelar a traição de Lucas, a Academia terá que tomar medidas severas contra ele.

— A Clã Zeus não vai aceitar calada.

— No máximo, vão destruir a Hargraves Corporation para se vingar.

— No pior cenário, vão declarar a Academia inimiga deles e exigir que façamos vista grossa ao Lucas para evitar uma guerra.

— Haverá um prejuízo enorme de ambos os lados.

— Mas podemos evitar isso se você permanecer em silêncio, — afirmou Charlotte.

'Duvido que uma guerra aconteça,' pensou Neo.

O Clã Zeus não dava muita importância ao Lucas, mesmo sendo seu herdeiro.

Havia uma pequena chance de que o Clã Zeus protegesse Lucas para preservar sua imagem.

No entanto, não importava.

Henry protegeria Neo.

Sabendo o quão forte Henry realmente era, Neo não se preocupava com qualquer Clã de Deuses.

Além disso, havia grande possibilidade de Elizabeth também tomar seu partido.

— E se eu recusar sua proposta, diretor? — perguntou Neo.

— Sou imortal. Posso simplesmente ressuscitar depois de morrer.

— Então você não aceitaria o acordo—

— Ah, eu aceito. Só quero mudar os termos da negociação.

Charlotte ficou em silêncio ao ouvir suas palavras.

Neo sorriu ao ver sua expressão confusa.

Ele não queria que a academia punisse Lucas.

Também não queria matar Lucas.

Depois de várias mortes, Neo percebeu que a morte não era assustadora para todo mundo.

Viver, mesmo em tempos difíceis, era mais doloroso para algumas pessoas.

Lucas era uma dessas pessoas.

Neo iria transformar a vida de Lucas num inferno.

Vingança com as próprias mãos, e não através de alguém.

Ele faria Lucas se arrepender por ter feito inimigos dele.

— Se você não quer ser curado, então o que deseja? — perguntou Charlotte.

— Quero os corpos daqueles que morreram na missão. — disse Neo.

O rosto de Charlotte ficou rígido.

Cada estudante que morreu tinha uma origem de destaque.

Especialmente Leonora. Ela foi uma gênia de um século. O Clã Poseidon tinha altas expectativas nela.

As famílias dos falecidos exigiram os corpos de seus filhos.

— É praticamente impossível negar às famílias, já que já sabem que seus corpos foram trazidos de volta.

— Isso não é problema meu, e você cumprirá seu lado do acordo, e eu cumprirei o meu.

As sobrancelhas de Charlotte se franziram.

Ela estava entre a cruz e a caldeirinha.

No final, escolheu o menor dos males.

— Tudo bem. Vou fazer o que você quer.

— Mas preciso saber por que você quer os corpos.

Uma pesada pressão atingiu Neo.

Charlotte falou com uma voz fria.

— Se você planeja devorar esses corpos, vou te matar com minhas próprias mãos. — ameaçou.

— Não farei isso.

— Então, o que é? — perguntou Neo.

— Necromancia? — mencionou Charlotte.

Charlotte achava que tinha razão ao perceber que Neo não reagiu.

Por outro lado, Neo deixou que ela interpretasse mal suas intenções.

Ele não tinha planos de revelar a existência do ritual de ressurreição.

— Já que decidimos avançar com o acordo, por favor, deixe Nathan guardar os corpos por enquanto.

— Eu os pegarei dele.

Neo se levantou.

— Estou indo embora.

— Espere, leve isto. — Charlotte jogou uma insígnia na direção dele. — Vá até o professor Daniel na sala de mediação e se cure.

Neo assentiu.

Estava prestes a partir quando Charlotte falou novamente.

— E mantenha nossa conversa em segredo. Especialmente com Eliz.

— Entendido.

— Mande as empregadas embora, — disse Charlotte às empregadas.

Um portal apareceu sob Neo.

Ele sorriu pouco antes de ser teleportado embora.

— Foi bom fazer negócios contigo, diretora. — disse Neo.

Charlotte franziu a testa ao ouvir essas palavras.

Ela tinha concretizado um acordo bem-sucedido com Neo. Era a verdade.

No entanto, o sorriso de Neo a deixava desconfortável.

Ela sentia como se tivesse, de alguma forma, perdido alguma coisa.

Comentários