Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 113

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

O portal nunca se materializou.

Desconhecido para a Sombra de Arthur, Neo acabara de eliminar a Sombra de Lucas.

A Sombra não conseguiu escapar.

Arthur não hesitou.

Ele avançou com toda a força.

Num movimento rápido, enfia a adaga no peito da Sombra e quebra o frasco de Tinta de Sombra dentro de sua boca.

A Sombra arfou.

Seus olhos se arregalaram e ela tentou vomitar a Tinta de Sombra.

O veneno percorreu suas veias e ela morreu lentamente, incapaz de fazer qualquer coisa.

Arthur quase desabou.

Estava exausto além do limite depois de se esforçar para lutar contra a Sombra.

Apesar de parecer uma batalha simples, teve que bloquear múltiplos ataques da Sombra que fora fortalecida pelo Invencível.

Ele correu até Leonora.

"Espere um segundo, vou usar um elixir. Use sua Afinidade Sagrada também."

"Isso com certeza vai te curar."

Ele tentou pegar outra vasilha e derramou sobre o ferimento dela com mãos trêmulas.

Seu corpo estava mole.

Sangue ainda escorria do ferimento no pescoço dela, mas seus olhos, embora enfraquecendo, permaneciam ferozes.

"Q-quê-"

Leonora tentou falar e se engasgou com seu próprio sangue.

Ela não tentou usar sua Afinidade Sagrada para se curar.

Ela não podia.

O último ataque havia acabado com tudo nela.

A velocidade de cura do elixir era muito lenta.

Leonora não poderia ser salva.

Justamente naquele momento, Arthur percebeu alguém se aproximando sorrateiramente.

A Sombra de Clara pulou sobre os dois antes que ele pudesse reagir.

Arthur tentou proteger Leonora com seu corpo.

A Sombra de Clara não atacou eles.

Ela apanhou a semente elemental de Arthur Shadow do cadáver e fugiu.

Arthur quis impedir a Sombra.

Mas ele teria que deixar Leonora sozinha nos últimos momentos dela.

Ele ficou dividido entre as opções.

"N-não." Leonora tentou empurrá-lo. "Vá—"

A expressão de Arthur piorou.

De repente, ele percebeu Sean na trajetória da Sombra de Clara.

Uma ideia surgiu na sua cabeça.

"Sean, pare a Sombra!"

Sean parecia machucado.

Embora tivesse sido teleportado por Lucas e não precisasse enfrentar Sombras, ainda tinha que lutar contra monstros sombrios para voltar.

Seu corpo estava contaminado.

"Pare a Sombra, Sean!"

Sean levantou a espada em direção à Sombra de Clara.

A Sombra parou.

Ela tentou procurar uma saída, mas, antes que pudesse dar mais passos, Arthur vaporizou seu sangue e lançou um Feitiço de Bala de Ar.

O ataque, embora simples, foi potente.

Ele atravessou o ar como um canhão.

A Sombra de Clara, ferida na batalha com Lucas, não conseguiu desviar.

No entanto, Sean bloqueou o ataque com sua espada.

Arthur congelou.

"O que você está fazendo…?"

"Ela é minha irmã! Eu-irei protegê-la! Não posso perdê-la de novo!"

Sean protegeu a Sombra de Clara com seu corpo.

Suas palavras fizeram a face da Sombra se contorcer de fúria.

Ela se lembrou de como a Sombra de Sean, sua 'irmã', morreu às mãos do amigo de Sean.

A Sombra de Clara levantou a espada.

"Sorte!" gritou Arthur.

Sean se mexeu instintivamente ao ouvir sua voz e a lâmina tocou levemente suas costas.

Ele se virou, surpreso.

"Por que você está me atacando, Cla-Clara? Sou seu irmão."

A Sombra abriu a boca.

Sua aparência mudou.

De uma figura sombria de Clara, passou para uma mais realista.

A transformação era a prova do aumento da sincronização.

"Eunão sou sua irmã!"

A Sombra olhou fixamente para Sean.

"Você matou meu irmão!"

Ela tentou atacar novamente, mas sabia que o tempo estava acabando.

Neo, Lucas e os outros logo retornariam.

A Sombra de Clara precisava garantir que a Sombra de Arthur sobrevivesse, se quisesse vingança.

Porque ela sabia que a Sombra de Sean havia sido consumida.

Ela saiu correndo.

Sean não tentou impedir.

Arthur estava fraco demais para se mover após o último ataque.

"Gargalhada! Gargalhada!"

A voz de Leonora tirou Arthur do transe.

Ele tentou pensar em uma maneira de salvá-la.

"Sim, Neo! Ele tinha um elixir poderoso que usou para colar sua mão."

"Podemos salvá-la com isso!"

Ele apressou-se e ativou o comunicador.

"Neo, eu—preciso da sua ajuda! Venha rápido!"

"O que aconteceu—"

"Não há tempo para explicar! Por favor, seja rápido!"

Houve um breve silêncio antes de Neo responder.

"Entendido."

Após cortar a conexão, Arthur deu um leve soco na face de Leonora.

Ele não queria ver mais mortes.

"Não durma. Simplesmente não durma."

"Leonora, se você está me ouvindo, use sua Afinidade Sagrada."

Ele percebeu rapidamente que ela estava sem Energia Divina.

Antes que pudesse colocar o frasco nos lábios dela, alguém segurou sua mão.

"Pare. Ela vai overdosear e morrer de forma dolorosa se beber mais elixires."

Arthur virou-se ao ouvir a voz.

Neo segurava sua mão enquanto Nathan, Lucas e Harrison atravessavam um portal.

O estado deles deixava claro que enfrentaram dificuldades contra o que quer que tivessem lutado.

"Neo…? O que você está dizendo?"

"O elixir que usei para reatar seu braço era forte. Ela precisa esperar um dia antes de tomar mais."

"C-certo! O elixir! Você tem um elixir forte, certo? Use-o!"

"…"

Neo respirou fundo.

"Eu tinha só um."

O rosto de Arthur ficou rígido.

"E-então?"

Ele olhou para Leonora.

Neo seguiu seu olhar.

A presença da Morte ao redor dela era intensa.

"Já é tarde para ela."

Neo sabia que era culpa dele.

Se ao menos tivesse insistido em deixar Leonora na Profundidade Nível 2.

Se ao menos tivesse guardado o elixir de cura ao invés de usá-lo para reatar seu braço.

Se ao menos…

Havia tantas coisas que ele poderia fazer melhor.

Ela morreu por causa de suas decisões erradas.

Não só ela.

Cristian, Clara, Kendrick, Gwen.

A morte deles era responsabilidade dele.

Ele era o líder da missão.

Deveria ter feito melhor.

Mas.

Já era tarde demais.

Neo não ia fugir de suas responsabilidades, nem negá-las.

Ele respirou fundo.

'Vou revivê-los.'

Por mais que demorasse ou fosse difícil.

'Não vai ser fácil fazer isso.'

'Não posso deixar que o segredo do ritual de ressurreição vaze, preciso encontrar sacrifícios perfeitos e garantir que os corpos não apodreçam até conseguir trazê-los de volta.'

Ele cerrava os punhos.

Conseguiria fazer isso com sucesso?

Quanto tempo levaria para preparar tudo?

A responsabilidade pelo fracasso o esmagava—

"Neo! O-o que podemos fazer?"

A voz de Arthur o trouxe de volta à realidade.

Ele olhou para Leonora e tomou sua decisão.

Ela estava em dor.

Neo se agachou.

Raio vermelho crepitava ao redor de sua mão.

"Vou acabar com essa dor de forma indolor para você."

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