Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 62

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

A preguiça dela irritava Ruby.

— Você vai se arrepender se deixar o menino seguir independente — explicou Ruby de uma forma mais simplificada.

O domínio sobre os elementos era conquistado ao experimentar o elemento e se aproximar dele o máximo possível.

O elemento da morte era a mesma coisa.

A alta maestria de Neo sobre ele significava que ele matou milhares, talvez dezenas de milhares, de pessoas.

Provavelmente, seus assassinatos estavam sendo escondidos pelo irmão dele.

Deixar alguém tão perigoso quanto Neo andar solto era pedir para que um desastre acontecesse.

— É isso que você está se preocupando?

— Não preciso ficar de olho nele — disse Ruby.

— A direção e os professores provavelmente estão monitorando-o o tempo todo.

— Ah, será que essa é a ingenuidade da infância ou a complacência dos fortes?

Os suspiros do Espírito irritaram Leonora.

Antes que Leonora pudesse reclamar, Ruby falou:

— Você, mais do que ninguém, deveria saber que dá pra passar a regra para trás.

— É fácil para esse menino ferir os outros sem precisar quebrar as regras.

— Além disso, o irmão dele não é alguém para ser brincada.

— O garoto está por aí como se nada tivesse acontecido, mesmo com toda a confusão no país das Sereias.

— Se quiser, também pode agir como quiser na Academia.

Leonora duvidava que Neo pudesse fazer alguma coisa dentro dos limites da academia.

No entanto, as palavras de Ruby plantaram uma sementinha de dúvida no coração dela.

E se o irmão de Neo realmente pudesse salvá-lo das consequências?

Não significaria que ele ficaria fora de si na academia sempre que quisesse?

— Parece que uma confusão logo vai acontecer.

Leonora falou como se o problema não fosse dela.

— Leonora, o menino já desrespeitou a Clã do Trovão. Não há garantia de que não irá mirar no seu clã a seguir.

— Se ele começar uma tempestade, a responsabilidade pela consequência será sua.

Leonora endureceu.

Como líder de fato do Clã Poseidon, todos os problemas dentro da academia eram coisa dela para resolver.

Ela não gostava de trabalhar e ignorava tudo.

Mas, se Neo fosse realmente um assassino em série e estivesse mirando seus companheiros de clã, ela não teria escolha senão intervir.

Sua mão tremeu com a ideia da carga de trabalho que logo viria.

— N-não. O que eu faço? Eu não quero trabalhar — ela gaguejou.

— Junte-se à equipe dele. Se ficar de olho nele o tempo todo, pode impedi-lo antes que faça qualquer coisa — sugeriu Ruby.

Leonora pensou a respeito.

As palavras de Ruby faziam sentido.

Porém, inconscientemente, Ruby estava mentindo para enganar ela.

Ela queria ficar perto de Neo para…

— A espada dele… o que é? É um Espírito, mas também não é…

— Preciso descobrir e eliminar ambos caso seja algo perigoso.

"C-Cristo, deixe-o vir aqui."

Ao ouvir suas palavras, Christian franziu a testa.

Ele deixou Neo passar.

Mas Neo não se moveu.

— O que foi isso? Com certeza senti uma sede de sangue direcionada a mim — pensou Neo, analisando o ambiente com seus sentidos.

Não conseguiu identificar a origem da sede de sangue.

De repente, uma voz surgiu dentro da sua cabeça.

Espírito… mirando… em nós… ambos… perigoso…

A presença de Obitus ficou forte quando falou.

No entanto, logo voltou ao sono.

Algumas palavras foram o suficiente para Neo entender que Ruby, o Espírito de Leonora, era a origem da sede de sangue.

Espíritos nasciam das sementes elementais.

Eles eram seres autônomos e podiam apoiar seus mestres na rotina diária e também no combate.

A única fraqueza de um Espírito era que ele não podia se afastar muito do seu mestre.

— O-o que é isso? Por que parou?

— …

Neo não sabia por que a sede de sangue de Ruby tinha vazado.

Havia uma chance de que ela quisesse matá-lo.

Por quê?

Ele não tinha resposta.

Seria seguro recrutá-la e ficar perto de Ruby?

Neo ponderou ambas opções antes de tomar uma decisão.

— Acho que já está óbvio, mas vou falar mesmo assim — declarou ele, aproximando-se dela.

— Quero recrutá-la.

— Ok — ela respondeu rapidamente, confirmando suas suspeitas.

'Ruby deve ter aconselhado Leonora a se unir a mim. Parece que esse Espírito está aprontando alguma.'

— Espere, senhora! Você não pode fazer isso!

Christian reagiu.

— O patriarca me mataria se você desobedecer às ordens dele de novo! Por favor, se junte a nós!

— Barulho, cale a boca — ela retrucou, fixando o olhar nele.

Preso entre a cruz e a espada, ele queria chorar de verdade.

Neo olhou para ele com um olhar de compreensão.

'Coitado. Não é como se ele pudesse forçar a Leonora, já que é mais fraco que ela.'

Após receber a confirmação, Neo enviou o Formulário de Equipe para Leonora.

Ela precisaria assiná-lo com o nome dela.

O processo de verificação levaria um dia.

Após isso, ela se tornaria oficialmente sua companheira de equipe.

— Certo, me passe seu número também.

— P-por quê?

Ela olhou com desconfiança.

— Preciso te contatar para missões. Por que mais eu iria querer seu número?

— O-ora.

Ela quase deu o número, mas lembrou de algo.

— Tenho uma condição para que você aceite se juntar à minha equipe.

— Não farei nenhum trabalho. Você que tem que cuidar de tudo sozinho.

Neo já esperava por isso dela, mais ou menos.

Seu plano original era se juntar à equipe dos membros do Clã Poseidon e deixar que eles fizessem todo o trabalho.

Ele assentiu.

— Tudo bem, até que está de bom tamanho. Só quero seu nome para missões de classificação S. Pode entrar ou não na equipe.

— Espera, também quero entrar na sua equipe! — interrompeu Christian com uma expressão desesperada.

— Se o patriarca descobrir que deixei a senhorita juntar-se à sua equipe, vai me decapitar.

— Talvez eu consiga sobreviver se disser que entrei com a senhorita e que vou protegê-la nas missões — disse ele, quase chorando.

— Pode deixar. Vou cumprir todas as minhas obrigações como membro da equipe — prometeu Christian.

— Eu… estou no Rank 25, e sou bem forte. Por favor, me deixe ser seu companheiro!

Era estranho ver alguém com um corpo tão grande como Christian prestes a chorar.

Aliás, a verdadeira força dele estava no Top 10.

Ele tinha a 25ª colocação, pois Leonora originalmente planejava ficar na 24ª, e ele não podia ultrapassar o líder do seu círculo.

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