Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 35

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Hotel Dover, Mundo do Viver

Amélia olhava para o teto com um olhar cansado.

Ela se virou na cama novamente.

Por mais que tentasse, não conseguia dormir.

Virando-se, fixou o olhar em Neo.

"Ei, você já dormiu?"

…Ele estava dormindo como um tronco.

Ela levantou a cabeça e o encarou com uma expressão carrancuda.

Sinceramente, ela não queria pensar assim, mas tinha suspeitas em relação a Neo.

Em termos de aparência, Amélia era superior às demais, tinha a mesma idade de Neo, e estavam deitados lado a lado.

Como um garoto na flor da juventude conseguiria dormir tranquilamente ao lado dela, daquele jeito?

"Ele pode ser gay."

Amélia piscou, surpresa.

Seu rosto se iluminou.

Ela ficou mais convencida de seus pensamentos.

As investidas de sua mãe estavam condenadas ao fracasso!

Os pensamentos que ela nutria contra Neo dissiparam-se. Ela não precisava mais tomar precauções.

Ao olhar novamente, o rosto de Neo dormindo parecia até um pouco fofo.

Ela tocou suavemente sua bochecha com o dedo e riu baixinho.

Ele dormia tão profundamente que nem acordou quando ela beliscou suas bochechas.

Sua postura permaneceu a mesma.

Nem o peito dele se mexia.

Quase como se estivesse morto.

"…"

Amélia gelou de repente.

…Como se ele estivesse morto?

"Não… isso não é possível."

Ela pressionou rapidamente a palma da mão contra o peito dele e….

"Não háBatimento cardíaco."

Neo também não tinha pulso.

Ele não estava dormindo.

Ele estava morto.

A face de Amélia endureceu.

Mas ela rapidamente recuperou o controle.

Neo era imortal.

Ele tinha provado isso.

"Por que ele morreu de repente? Ainda estaria vivo. Foi um assassinato ou…"

Foi o preço de enganar a morte?

Ela não terminou de falar, com medo de que isso se tornasse realidade.

Ninguém pode morrer e voltar à vida sem pagar um preço.

Neo nunca contou o que sacrificou.

E se o estado atual dele fosse consequência disso?

Ela se lembrou de sua aura pesada de Morte.

Era algo que só quem visitava o Submundo poderia ter.

Será que ele precisava continuar visitando aquele lugar horrível como preço pelo poder dele?

Toda a história era um segredo bem guardado: os Semideuses Exaltados desejavam descobrir métodos de imortalidade.

Eles conheciam o Submundo melhor que ninguém, e tinham medo de morrer e ir para lá.

Amélia mordiscou os lábios.

Duas vezes.

Neo morreu duas vezes para ajudar sua mãe e ela.

Duad vezes, ele deve ter ido ao Submundo, e mesmo assim, nunca contou nada a eles.

"Será que ele tenta garantir que a gente não se sinta culpada?"

Que tipo de pesadelos ele teria visto naquele mundo?

O que faria se não pudesse voltar novamente?

Amélia não sabia como Neo conseguia permanecer são.

Quanto coragem era necessária para visitar o mundo temido pelos chamados semideuses mais poderosos?

Não havia nada que ela pudesse fazer.

Ela só podia rezar para que ele não se perdesse.

Que, não importando o horror que enfrentasse, ele permanecesse firme.

Mesmo que estivesse sozinho…

Mesmo que não tivesse ninguém para apoiá-lo…

"Por favor, fique seguro."

Floresta de Todos os Começos

Terra Além da Névoa, Submundo

"Finalmente terminei."

Neo olhou para o trabalho que lhe levou horas para concluir.

Dezenas de Gremlins estavam penduradas nas árvores.

Parecia coisa de psicopata.

Ele sorriu de lado.

"Talvez exagerei."

Balanceando a cabeça, ele subiu por uma trepadeira e esperou por outro grupo de Gremlins.

Os monstros chegaram.

Esmurreceram ao ver os corpos pendurados.

Um dos Gremlins gritou, tentou pular e puxar os corpos para baixo.

Neo permaneceu escondido.

Percebeu os Gremlins ficando frenéticos, por raiva ou choque, antes de voltarem correndo para o acampamento.

Eles se reuniram ao redor de uma fogueira que pegara fogo.

Em pouco tempo, centenas de Gremlins se juntaram a eles.

Eles gritavam e faziam barulhos ininteligíveis por minutos.

Um pequeno grupo de 15 a 20 Gremlins saiu na direção dos corpos pendurados.

"Estão verificando se é verdade que Gremlins estão pendurados, né?"

O grupo voltou após alguns minutos, visivelmente furioso.

Seus gritos confirmaram a morte de seus companheiros.

A multidão de Gremlins estava prestes a partir e procurar o responsável quando, de repente, outro grupo de Gremlins voltou gritando e roncando.

"Eles acharam os outros lados."

Neo tinha pendurado os corpos em vários locais.

Como cada grupo de Gremlins seguia em direções diferentes, ele conseguiu pendurá-los sem ser visto.

Centenas de monstros saíram do acampamento.

Pegaram armas e varreram a floresta.

Os Gremlins olhavam nos galhos das árvores, procurando se o assassino estaria escondido lá.

Infelizmente para eles, Neo estava nas árvores próximas à base.

Já que os corpos estavam longe do acampamento, os monstros nunca pensaram que ele estaria por lá escondido.

"Agora, eu posso começar."

A base tinha apenas alguns Gremlins restantes.

A ação de Neo deixou-os furiosos.

Ele cuidadosamente se moveu pelas árvores acima da base.

Essas árvores tinham galhos finos.

Se não fosse cauteloso, o barulho alertaria os Gremlins ou os galhos poderiam quebrar.

Ele não percebeu os fios finos cobrindo a área.

Quando passou por eles, os fios se romperam.

…!

Campainhas escondidas nas árvores soaram.

A posição de Neo foi revelada.

'Droga!'

Os Gremlins, que não estavam atentos ao inimigo nas árvores, garantiram proteger a área acima de seu acampamento.

Neo pensou rápido.

Deveria fugir ou tentar concluir a missão?

O tempo estava quase acabando até que os Gremlins retornassem após ouvirem as campainhas.

Mas, se fosse rápido, poderia escapar.

"Deveria—"

Um galho quebrou quando um Gremlin, de repente, bateu nele com uma pedra.

Neo mal teve tempo de usar o Abraço do Oceano antes de seu corpo atingir o chão.

Ele gemeu de dor.

"Acho… que quebrei algo…"

Como se não fosse ruim o suficiente, ouviu o som de chifres.

Os Gremlins começaram a cercá-lo.

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