
Capítulo 23
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
Neo pediu desculpas.
"Se eu soubesse disso, teria revivido depois—"
"Eu te avisei que era um mal-entendido!"
Amélia se levantou e se afastou.
Ela não conseguia decidir se devia se sentir insultada, irritada ou constrangida.
"Suas roupas ficaram rasgadas. Não queria te deixar daquele jeito, e você demorava demais pra reviver, então decidi… para… para…"
"Dar uma espiadinha?"
"Não! Como eu disse, é um mal-entendido! Eu não estava fazendo nada de errado!"
As orelhas de Amélia ficaram avermelhadas de vergonha.
Suas reações eram engraçadas.
Ele queria provocá-la mais, mas sentia uma sensação de vento lá embaixo.
Neo olhou para suas roupas.
Chamá-las de rasgadas era pouco. Era um exagero.
Depois que Clara deu uma surra nele, suas roupas tinham mais buracos do que carteira de criança mimada.
"Vou pegar a roupa que você preparou," disse ele. "Obrigadão."
Ele trocou-se na roupa nova que Amélia havia preparado.
Enquanto trocava de roupa, Amélia virou-se de costas.
"Então, obrigada por nos ajudar," ela falou solenemente.
"Que isso, não fiz de graça."
Silêncio caiu.
Ambos ficaram em silêncio, sem falar nada.
Neo tentava pensar nos planos futuros dele.
Ele não se incomodou em iniciar uma conversa.
O silêncio incomodou Amélia, que então falou:
"Você é mesmo Imortal?"
"Sim."
"Isso é possível? Na Academia, nos ensinaram outra coisa."
"Hm?"
Só agora Neo se lembrou que Amélia estudava no segundo ano da Academia dos Semi-Deuses.
No romance, ela saiu da academia porque precisou assumir o trono após a morte da mãe.
"Academia dos Semi-Deuses?"
"Sim. Os professores nos ensinaram sobre o Grande Deus da Morte, Hades. Ele não parecia ser um deus que deixaria até os filhos escaparem da morte."
Coisas, hein.
Neo nem se importou em perguntar detalhes.
Ele sabia exatamente como Hades era visto entre os semi-deuses e deuses.
Eles temiam seus poderes, e ninguém realmente o respeitava de verdade.
A única razão de Hades estar entre os Três Grandes Deuses era por causa de seu poder esmagador.
"Você está acordada."
"Mãe!"
Elizabeth voltou.
Ela olhou para Neo silenciosamente.
Ele retribuiu o olhar.
"Por que vocês dois estão se olhando desse jeito?"
Amélia se colocou entre eles.
"Nada," respondeu Elizabeth. "Precisamos ir. Já finalizei os preparativos."
Ela deu uma bolsa para Amélia.
Os três desceram da colina e seguiram na direção da praia.
Eles caminharam por florestas a pé, para garantir que ninguém os encontrasse.
Levaram algumas horas até chegar ao destino.
Ambos, Elizabeth e Neo, estavam exaustos ao final.
"Deveríamos descansar?" perguntou Amélia. "Ainda não jantamos também."
"Podemos fazer uma pausa depois. Vamos comer enquanto estamos andando," respondeu Neo.
Elizabeth concordou com ele.
Ela assobiou ao ficar na beira do mar.
Neo olhava para o mar procurando pelo Dragão Azul que se aproximava, quando de repente as nuvens se abriram.
A luz do luar atravessou as lacunas e um Dragão do Mar Azul desceu do céu.
Ele tinha escamas prateadas e era pelo menos cinco vezes maior que o dragão que Neo conhecera antes.
O Dragão pousou na praia.
Ele fez um mugido satisfatório ao ver Elizabeth e Amélia, e deixou que elas acariciassem seu corpo.
"Você pode tocá-lo," disse Amélia para Neo.
Justo quando Neo ia colocar a mão nas escamas prateadas do dragão, ele bufou e uma força invisível o empurrou para trás.
Neo ouviu Amélia rindo ao seu lado.
"Gerna não gosta que ninguém além de nós toque nele," ela sorriu de forma marota e passou a mão na barriga do dragão para se exibir.
Ele olhou de volta para o dragão.
Por alguma razão, podia perceber pelo olhar do Dragão.
Se tentasse tocá-lo novamente, seria esmagado.
"Pare de ser teimoso, Gerna. Precisamos partir," disse Elizabeth.
O Dragão deu um miado de protesto, como se estivesse reclamando, mas ao ver que Elizabeth não estava brincando, se conformou.
Agora que podia tocar no dragão, Neo subiu em suas costas com a ajuda de Elizabeth.
Ela carregou Amélia e a ele com Energia Divina.
"Partam," ordenou Elizabeth.
O dragão levantou voo rumo ao céu.
Voou acima das nuvens do mar e voou livremente pelo ar.
A viagem foi tranquila.
Eles passaram sobre as nuvens e os furacões, então não havia muito pra ver.
Depois de deixar as águas do País das Sereias, Neo finalmente relaxou.
"Para onde vamos?" perguntou.
"Amélia vai voltar para a Academia dos Semi-Deuses. Quanto a mim, ainda preciso tomar uma decisão," respondeu Elizabeth. "Onde devemos deixar você?"
Neo fez uma pausa deliberada para parecer indeciso.
"Eu também tenho que ir para a Academia—"
Por algum motivo, Amélia e Elizabeth não pareceram surpresas.
Ele continuou.
"—Mas que tal irmos primeiro à caverna da Água Divina? Assim podemos acelerar nossa recuperação."
"Boa ideia. Eu deixarei as coisas que você pediu lá dentro."
Elizabeth aceitou a sugestão dele.
"Espera, o quê…?"
De repente, Amélia olhou para eles com os olhos bem abertos.
"O que você vai dar pra ele!? Eu não vou deixar você se casar com ele!"
Elizabeth balançou a cabeça e falou com voz triste:
"Mas esse foi o combinado. Como posso, Elizabeth de Beaufort, recuar nas minhas palavras?"
Apesar da expressão séria, Neo pôde perceber malícia escondida em seus olhos.
Ele entendeu por que ela estava brincando com Amélia.
Suas reações eram simplesmente muito fofas.
O bate-boca entre mãe e filha continuou até chegarem à caverna da Água Divina.
Antes que o Dragão mergulhasse na água do mar, Neo franziu as sobrancelhas.
Esqueceu de trazer o equipamento de mergulho.
Um sorriso surgiu no rosto de Amélia.
"O que aconteceu? Não consegue respirar debaixo d'água, Sr. Semi-Deus Exaltado?"
Neo deu de ombros.
Ele não se sentia mal por tê-la enganado na hora.
No final, era uma questão de vida ou morte para ele.
"Fique perto de mim."
Elizabeth criou uma esfera de ar antes do dragão mergulhar no mar.
A bolha de ar permitiu que ele respirasse.
Eles flutuaram em direção à entrada da caverna subaquática.
"Eu entro primeiro. Sigam logo atrás de mim," disse Elizabeth, mudando a forma da bolha de ar para cobrir apenas Neo.
Justo quando ela nadava entre os corais, surgiu um problema.
…Seu peito ficou preso na entrada estreita.