Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

Capítulo 29

Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte

— Hum, isso parece razoável.

Ao seu lado, Amelia rangia os dentes de pura fúria.

Ela encarava Neo como se fosse matá-lo.

Neo ignorou a calafria nas costas e perguntou a Henry,

— Podemos partir para a Academia? Preciso chegar lá até amanhã para receber meu nível.

Henry franziu os lábios.

— Valeu por me lembrar, safado. Quer explicar o que aconteceu pra você se inscrever no curso mais difícil da Academia de Semideuses?

— ...

Neo Hargraves estava no curso de Templário.

Após completar dois anos na Academia, ele se tornaria um Templário Júnior.

Templários eram os cavaleiros oficiais de um templo.

Entre bilhões de pessoas que vivem no continente, apenas cem recebem o certificado de Templário Júnior por ano.

O reconhecimento, o dinheiro e o poder que um Templário tinha eram inimagináveis.

Os 25 melhores Templários de cada ano podiam frequentar a faculdade e tentar o curso de Templário Sênior.

Se aprovassem, poderiam desafiar um Templário Sênior.

Nem preciso dizer que cada Templário Sênior era um monstro absoluto.

Era raro um Templário Sênior perder seu posto para um Júnior.

Os oitenta e um Templários Sêniores atuais estavam na posição há cem anos.

— Você descanse hoje. O registro de nível só começa amanhã.

Henry não deixou espaço para negociação.

Após reservar dois quartos perto da Academia, Neo decidiu dormir às 17h.

— Você quer dormir agora? — perguntou Henry.

— Sim, estou exausto pelos últimos dias.

O motivo era simples.

O Imortal tinha três cargas neste momento.

Outra carga aparecerá à meia-noite, mas seria desperdiçada, já que a habilidade estaria no máximo de pilha.

Se ele dormisse às 18h e passasse seis horas no Submundo, recuperaria a carga perdida assim que acordasse à meia-noite.

Ele precisava do Imortal no máximo para a batalha de classificação da academia que aconteceria amanhã.

Porque 20% dos estudantes morrem durante ela.

Henry o lançou um olhar desconfiado e permitiu que ele dormisse cedo.

Por algum motivo, enviou Amelia com ele.

Amelia fechou a porta com um estrondo e se sentou na cama king size.

— Por que mentiu assim? — ela perguntou com tom calmo.

— Você não parece irritada — Neo percebeu. — Achei que atacaria assim que ficássemos sozinhos.

— Suspiro, deve haver uma razão para você fazer o que fez. Pode até termos passado pouco tempo juntos, mas sei que você não é de agir por impulso.

Para alguém que parecia relaxado, ela olhava com força há poucos minutos.

Amelia sempre tentou agir com postura e cortesia diante dos outros.

E, mesmo assim, de alguma forma, ela sempre estava gritando com ele.

'Será que sou tão babaca que ela não suporta minhas ações?' — pensou.

Ele conteve esses pensamentos e respondeu,

— Meu irmão deve ter achado que você me sequestrou. Não adiantaria tentar convencê-lo do contrário. Se eu não tivesse mentido naquela hora, ele já teria matado você.

— Por que ele mataria alguém sem motivo… — ela começou a falar, mas parou.

Amelia cobriu o rosto.

— Minha mãe faria isso. Se achasse que alguém me sequestrou, acabaria com os sequestradores, mesmo que tivessem razões legítimas.

Será que seu irmão era igual?

Amelia olhou para Neo com pena.

Ela conseguia se identificar com ele.

Apesar disso, achava Henry um bom irmão.

Henry, após assegurar a segurança de Neo, não tentou descobrir seus segredos.

Nunca perguntou sobre sua linhagem ou tentou forçá-lo a responder perguntas que ele claramente evitava.

Depois de responder, Neo se preparou para dormir — ou seja, se matar de cansaço.

— Você realmente vai dormir agora? — ela perguntou.

— Tenho constituição fraca. Preciso descansar bastante antes da competição de amanhã.

Ele se deitou na cama e a olhou fixamente.

— O quê? — ela questionou.

— Você não vai sair? Não me diga que quer dormir junto?

— Que-!? — ela exclamou surpresa.

Amelia respirou fundo e se acalmou.

— A gente 'precisa' dormir junto se não quiser que seu irmão descubra sua mentira.

— Então é isso — Neo bocejou. — Só não toque em mim enquanto estiver dormindo, igual da última vez.

— Disse que foi um mal-entendido!

Neo ativou a habilidade Morte para se matar sem dor.

'Será que que tipo de treino o Barbatos preparou pra mim?' — pensou.

Ele tentou manter a mente aberta para aceitar qualquer surpresa.

No entanto, o treino espartano conseguiu acabar com suas forças.


Último andar, Hotel Dover

Henry deu uma bufada com a fumaça.

Ele ficou de pé ao lado da janela, os olhos fixos no pôr do sol.

Um velho de uniforme de mordomo entrou na sala.

— Mestre, é verdade que o jovem mestre engravidou a filha da Rainha das Sereias?

— O que acha? — respondeu Henry, com um sorriso de canto.

Ele deu mais uma tragada na cigarro.

— O jovem mestre mentiu. Ele tem o hábito de tentar sorrir sempre que minta.

Henry soltou uma risada baixa.

— Aquele bundão achou que nos enganar. Seu idiota, ele está um século adiantado demais para tentar mentir pra mim.

— Mestre, se me permite a ousadia, por que deixou o jovem mestre sair impune? Você nunca gostou que ele mentisse pra você antes.

— Por quê, hein? — ele questionou, entre dentes.

Henry arrumou o cigarro na cinzeira e pegou um novo no maço.

— Porque nos olhos dele, ao tentar proteger aquela garota.

Neo era covarde.

Depois que os pais dele morreram, Neo se tornou um recluso que tremia só de pensar em encontrar outras pessoas.

Ele era patético.

Quando Henry descobriu que Neo se inscreveu no curso de Templário e passou na prova escrita, achou que era impulso.

Neo só queria descontar porque Henry o tratava como criança.

Henry achava que era uma boa oportunidade para Neo conhecer mais pessoas, por isso não atrapalhou a tentativa dele de entrar na Academia de Semideuses.

Mas, para seu horror, Neo sumiu de repente.

A notícia de que Neo apareceu na Terra das Sereias trouxe alívio e preocupação.

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