
Capítulo 3
Filho de Hades: A Linhagem do Monarca da Morte
O sacrifício tinha que ser um semideus, com o sangue de um deus poderoso, se possível.
Água Divina era mais difícil de conseguir do que um sacrifício vivo.
Era um segredo nacionalmente guardado e apenas os semideuses mais fortes tinham acesso a ela.
Conseguir era impossível para semideuses normais, a menos que lessem a novel como Neo.
Ele checou o mapa no Registro Akáshico (Internet).
"Droga, por que a Praia de Okahama é tão longe?"
Neo pegou um trem-bala.
Levou oito horas para chegar à cidade onde a Praia de Okahama estava localizada.
Depois de descer na estação, ele visitou a praia e comprou equipamento de mergulho em uma loja de aluguel.
Antes de mergulhar, ele fez uma pequena pausa.
"Estou me sentindo uma bosta."
Ele estava cansado.
Seu corpo era fraco demais.
Apenas viajar já era o suficiente para fazê-lo se sentir como se tivesse corrido uma maratona de 100 km.
Ele desejou que pudesse pedir para outra pessoa trazer a Água Divina para ele.
Mas o lugar onde ele ia pegá-la era um segredo que, se vazasse, poderia iniciar uma guerra entre nações.
Água Divina era preciosa demais.
Todos queriam conseguir o máximo possível dela.
"Ok, estou pronto."
Neo pegou o barco para o local que ele se lembrava.
Ele colocou a máscara de oxigênio e mergulhou na água.
O mar não estava nem frio nem quente.
Ele podia ver cardumes de peixes.
Alguns peixes tinham cores vibrantes, alguns tinham listras, enquanto outros eram grandes e se moviam sozinhos.
Como ele estava perto da praia, ele alcançou o leito marinho bem rápido.
Ele começou sua busca pela caverna marinha.
No momento em que encontrou a entrada da caverna marinha, ele sentiu que estava prestes a morrer de exaustão.
Depois de se certificar de que a entrada não estava marcada, ele entrou no espaço estreito entre os recifes de coral.
Era apertado.
Se ele fosse um pouco menos magro, não teria conseguido entrar.
Neo chegou dentro de uma caverna aquática.
Havia ar dentro da caverna. Ele removeu o respirador e inspirou.
A caverna estava fracamente iluminada, graças aos fungos brilhantes. Havia um pequeno lago no centro.
"Parece que as sereias ainda não encontraram este lugar."
Ele soube disso quando viu a entrada da caverna desprotegida, mas ver a caverna vazia confirmou suas suspeitas.
Na novel, esta caverna teria sido encontrada pelo reino das sereias e se tornado parte de sua propriedade.
Ele não sabia quando isso deveria acontecer.
Este lugar entrou em cena quando um vilão, gravemente ferido pelo protagonista, se deparou com ele por sorte e matou as sereias guardas para usar a Água Divina para se curar e fortalecer.
O vilão causou estragos no país das sereias e foi mais tarde derrotado pelo protagonista.
Devido ao incidente, o protagonista foi capaz de se aproximar da princesa do país das sereias.
"Agora toda essa Água Divina é minha."
Neo não se sentiu culpado por roubar a Água Divina.
Sem Água Divina = Sem maneira do vilão se salvar = O reino das sereias não é destruído.
Ele estava resolvendo o problema na sua origem ao pegar a Água Divina.
Movido por seu próprio espírito heroico, ele derramou o licor Braham no lago e jogou as ervas dentro também.
As ervas derreteram rapidamente, e um aroma doce, contendo traços do licor, pairou na caverna.
Ele tirou suas roupas e entrou no lago com sabor de álcool.
A única coisa que faltava era um sacrifício.
Bem, o sacrifício era….
Neo.
O plano era simples.
Neo se sacrificaria para se reviver.
Era uma brecha no ritual.
Mas Neo acreditava que ele, o filho de Hades, o Deus que governava a Morte, deveria ter pelo menos essa margem de manobra.
Os Ceifadores não seriam chatos. Provavelmente.
"Se não der certo, estou morto."
Ele respirou fundo para se acalmar.
Na verdade, ele não estava usando a si mesmo como um sacrifício porque ele não tinha um semideus para sacrificar.
Não faltavam bastardos que mereciam a morte.
No entanto, para aumentar as chances de sucesso do ritual de ressurreição, o sacrifício tinha que ser o mais próximo possível, fisicamente, emocionalmente e espiritualmente, da alma alvo a ser revivida.
Quem era a pessoa que era semelhante a ele na aparência, tinha valores semelhantes e viveu uma vida semelhante?
O próprio Neo era essa pessoa.
Portanto, sacrificar a si mesmo era a melhor escolha.
Depois de se submergir no lago, Neo completou todos os passos.
Agora, ele tinha que se matar, negociar com o Ceifador e retornar.
"Lá vou eu."
Ele fechou os olhos e ativou sua Habilidade Única.
Morte.
Estava frio.
Neo sentiu que de repente apareceu em uma região de inverno.
Ao mesmo tempo, suas entranhas estavam queimando.
As ondas o puxaram.
Ele abriu os olhos quando sentiu algo tocar suas costas e se viu em uma praia.
O céu estava completamente preto com três olhos vermelhos gigantes olhando de cima.
A areia era preta, pegajosa e rançosa.
O ar era pesado. Cada vez que ele respirava, parecia que estava empurrando pedras sólidas pelos pulmões.
Este lugar era o Submundo.
O lugar onde as almas iam depois da morte.
Não havia céu ou inferno, apenas dor sem fim neste lugar infernal depois que o tempo de vida de alguém chegava ao fim.
Neo olhou para si mesmo.
Por alguma razão, ele tinha um corpo.
Enquanto ele estava se perguntando por que ele tinha um corpo, uma voz estridente gritou contra seus tímpanos.
"Você está aqui, ó Filho do Monarca."
Uma figura envolta em escuridão remou em sua direção.
Seu corpo estava escondido na escuridão da capa; apenas as duas esferas de chamas azuis eram visíveis, que Neo pensou serem seus olhos.
"Venha conosco, ó Filho do Monarca. Nós o ajudaremos a atravessar o Rio."
A figura levantou a mão para trazer Neo quando de repente parou.
"Este cheiro…. Ó Filho do Monarca, por que você carrega o cheiro de sacrifício?"
Sua voz se tornou caótica, como o grito de uma banshee.