Poder das Runas

Capítulo 19

Poder das Runas

Elva deixou o silêncio pairar por um momento antes de soltar um suspiro suave, com um brilho brincalhão nos olhos afiados enquanto escaneava a multidão.

"Agora, antes de continuarmos… tenho um anúncio importante," ela disse.

Os murmúrios cessaram quando todos focaram nela.

"Vocês estão aqui hoje porque escolheram o caminho da força," ela continuou, com um tom de provocação no ritmo da voz.

"Mas vamos ser sinceros — isto aqui não é uma simples academia chique onde vocês podem se passar por heróis e parecer descolados. A Academia Estrelaluz é um campo de batalha. Um lugar onde os fracos prosperam… ou ficam no esquecimento."

"E ao entrarem nesse teste, vocês oficialmente disseram adeus à vida segura e confortável de cidadãos comuns. Parabéns!"

Ela bateu palmas, o sorriso se alargando ao ver alguns estudantes ficarem rígidos com suas palavras. Outros demonstraram entusiasmo, enquanto alguns engoliam em seco, nervosos.

"Agora, agora, não fiquem tão sérios! Não é tão ruim assim," ela disse, acenando com a mão.

"Se sobreviverem—ops, quero dizer, prosperarem—vocês serão moldados em guerreiros, líderes, e talvez até lendas. Parece interessante, né?"

Alguns estudantes soltaram risadinhas desconfortáveis.

"Mas!" ela de repente interveio, o tom ficando mais afiado, ainda que com traços de diversão.

"Nem todo mundo tem perfil para essa caminhada."

Ela levantou a mão, e num instante, o espaço ao redor do estádio começou a ondular.

Uma força espacial envolveu aqueles que falharam no teste.

"Esse é o fim da linha para quem não passou," ela anunciou com uma falsa empatia.

"Sei, sei—é ruim. Mas, olha, não leve tão a sério. Estrelaluz não é o único lugar onde dá pra conquistar sucesso! Talvez vocês possam virar um comerciante brilhante, um estudioso, ou, sei lá, abrir uma padaria? Ouvi dizer que fazer doces virou um negócio bem lucrativo hoje em dia!"

Os estudantes que haviam falhado começaram a brilhar fravemente com uma luz dourada sutil.

Alguns pareciam devastados, outros resignados, enquanto outros seguraram os punhos, frustrados.

"Não percam a esperança," Elva acrescentou com um piscar de olhos. "O mundo é vasto, e existem muitos caminhos para moldar seu destino. Mas! A Academia Estrelaluz? Só entra quem prova seu valor."

Com um movimento dramático da mão, os estudantes desapareceram num instante, teleportados em um brilho dourado.

O estádio parecia mais vazio agora, mais silencioso.

Elva virou-se para os estudantes que restaram — aqueles que passaram — e sorriu lentamente, satisfeito.

"E agora… para vocês que ficaram," ela disse, a voz repleta de diversão.

Deixou o momento se alongar antes de, finalmente, sorrir de lado.

"Parabéns!"

"Vocês conquistaram seu lugar na Academia Estrelaluz. Mas não se acomodem demais!" ela brincou, balançando o dedo.

Seu olhar se tornou mais sério, o tom brincalhão ainda presente, mas carregado de uma ponta de perigo.

"Isso? Isso foi só o teste de entrada. A sua verdadeira jornada? Começa amanhã."

Alguns estudantes ficaram mais erguidos, outros tremeram de ansiedade, e alguns sorrisos se abriram por causa da empolgação.

"Ah, que alegria! Tão ansiosos, cheios de esperança!" ela exclamou dramaticamente.

"Eu adoro essa parte. Mas confiem, a diversão mesmo está só começando!"

Então, com um sorriso malicioso, ela abriu os braços largos.

"A partir de agora, vocês não são mais apenas candidatos. São estudantes da Academia Estrelaluz — a instituição mais prestigiada, mais perigosa e mais empolgante do mundo!"

A multidão explodiu em aplausos, a empolgação correndo por eles como uma corrente elétrica.

Elva deu risada leve. "Certo, certo, vamos acalmar! Ainda não precisa exagerar. Afinal…"

Ela estalou os dedos, e o espaço ao redor deles se torceu de forma estranha.

"Essa próxima parte pode deixar vocês um pouco tontos!"

Um clarão intenso engoliu a todos—

E, num instante, eles se foram.


O mundo de Akumia é um lugar vasto e diverso, moldado por cinco continentes poderosos, cada um com sua identidade única.

O Continente Humano, o maior e mais desenvolvido, prospera graças à adaptabilidade.

Os humanos têm uma habilidade peculiar de dominar várias áreas—alquimia, ferreiro, combate e magia—sem parar de evoluir em tecnologia e estratégia.

Além das terras humanas, o Continente Élfico é um reino de tirar o fôlego, com florestas imensas, bosques antigos e lagos cintilantes. Os elfos, profundamente ligados à natureza, dominam magia elemental e a arte delicada de fazer poções, sua sabedoria se estendendo por milênios.

Diferente das cidades humanas vibrantes, os assentamentos élficos se misturam harmoniosamente ao ambiente, uma prova eterna de sua conexão com o mundo.

Ao norte, o Continente Anão é uma terra de montanhas, cavernas profundas e rios de metal derretido.

Os anões, famosos por sua habilidade artesanal, forjam armas e artefatos que duram séculos, com uma maestria incomparável na fundição.

Por outro lado, o Continente Neutro é uma verdadeira fera selvagem. Sem lei e imprevisível, é uma terra onde frequentamente acontecem quebras de calabouço, a ponto de nenhum reino se arriscar a conquistá-la.

Ao contrário, criminosos, exilados e guerreiros renegados estabeleceram ali uma existência caótica, lutando tanto contra monstros quanto entre si para sobreviver.

Diz-se que quem entra lá encontra sorte — ou nunca mais retorna.

E, por fim, o Continente Dragão. Menor, mas de longe o mais temido.

Os dragões, embora poucos por causa da baixa fertilidade, são calamidades vivas. Cada um é uma força de destruição, capaz de virar o ritmo de uma guerra só com sua presença.

Agora, no coração do Continente Humano, onde fica a Academia Estrelaluz,

Cerca de milhares de estudantes foram teleportados...

Quando a luz cegante desapareceu, milhares de jovens estavam boquiabertos,

A vista diante deles era de tirar o fôlego.

Torres enormes de pedra encantada erguiam-se no alto, misturando-se a edifícios modernos reluzentes com magia.

Ilhas flutuantes pairavam acima, conectadas por pontes de luz cintilante.

Barreiras poderosas cercavam a academia, deixando claro—este era um lugar de magia, força e conhecimento.

"Caramba… que lindo," alguém sussurrou, impressionado.

"Pois é… por fora parecia incrível… mas por dentro é diferente," murmurou outra pessoa.

"Claro, bobo. O que você esperava da Academia Estrelaluz?" zombou um estudante.

"Afinal… toda a cidade é o terreno da academia," alguém apontou.

Apesar da empolgação, o cansaço finalmente os dominou.

Muitos estavam acordados há mais de 24 horas, com o corpo quase desfalecido depois do teste exaustivo de entrada.

A energia, antes impulsionada pela adrenalina, agora vacilava, enquanto o sono e o esgotamento dominavam suas forças.

Uhh... preciso dormir, minha cabeça está piorando, pensou Ash, segurando as têmporas enquanto olhava ao redor. Sua visão escurecia levemente, uma dor pulsando atrás dos olhos.

Como se sentisse seu cansaço, seus distintivos começaram a vibrar de repente. A sensação inesperada fez alguns engolir em seco, enquanto outros, tão exaustos, mal reagiram, nem ligando.

Uma voz saiu do aparelho—calma, formal, mas não do Vice-Diretor.

"Olá, estudantes. Parabéns por passarem no teste de entrada. Por favor, dirijam-se à coleta do uniforme, do relógio, dos livros e das chaves do dormitório."

Após uma breve pausa, a voz prosseguiu, "A cerimônia de abertura será amanhã. Não se atrasem."

E, como quem não quer nada, a mensagem terminou, deixando apenas silêncio.

Alguns estudantes piscaram, lutando para processar as palavras na névoa da exaustão. Então, murmúrios começaram a se espalhar.

"Ei… você sabe pra onde temos que ir?" murmurou um, bocejando.

"Sem ideia," admitiu outro, esfregando os olhos.

"Vamos perguntar a alguém."

"Sim… bora lá."

Apesar do cansaço, a multidão começou a se movimentar lentamente, alguns puxando os pés, outros suspirando, mas seguindo em frente.

Porém, Ash se afastou deles. Num grupo de mil estudantes, ninguém perceberia se uma pessoa se escapasse.

Ele já sabia para onde ir. O romance tinha detalhado tudo. Sem hesitar, escolheu um caminho diferente, caminhando sozinho pelos terrenos da academia.

Levaria cerca de trinta minutos até chegar ao prédio.

Acho que ninguém achou ainda, pensou Ash, notando a ausência de pessoas ao redor.

Entrando, aproximou-se do recepcionista, um homem de meia-idade que mal levantou os olhos dos papéis.

"Mostre seu distintivo," ele falou com voz entediada.

Ash entregou sem dizer uma palavra.

O recepcionista escaneou, murmurrando, "Ash Burn… Rank 1001… turma atribuída…"

De repente, sua voz se interrompeu. "Huh… espera um instante."

Sua expressão mudou ao pegar rapidamente o telefone e discar alguém.

"Sim, senhora… certinho, senhora… sim, senhora." Ele encerrou a ligação com um suspiro longo.

Sobrancelhas de Ash franziram.

O que foi agora?

Um pressentimento ruim começou a subir por sua coluna, será que… Não, isso não pode ser possível… Eu sou o estudante de menor rank," ele tentou se convencer, achando que ia ficar tudo bem.

O recepcionista colocou uma camisa preta bem dobrada com detalhes dourados na mesa e um relógio encantado elegante ao lado.

"Aqui está, jovem. Este é seu uniforme e seu relógio. Sua turma designada é… 1S."

Ash parou, o ar preso.

Droga!… Não me diga que aconteceu mesmo.

Seu corpo tremeu levemente antes de tentar manter a calma.

"Uhm…" ele engoliu em seco, controlando a irritação. "Não acha que minha turma deveria ser 1E, não 1S?"

Por favor, que seja um engano. Que seja um engano.

O recepcionista tossiu, desconfortável. "Até eu fiquei confuso, então chequei com meu superior. Mas, pelo que me disseram, é uma ordem da própria Vice-Diretora."

O estômago de Ash virou. Claro… eu sabia. Eu tinha um pressentimento ruim desde o começo… Será que ela me viu? Mas não fiz nada que chamasse atenção. Onde foi que errei?

Ele cerrava a mandíbula, respirando fundo. "Pelo menos, pode trocar minha turma para 1A? 1S é para estudantes com potencial S-rank ou superior. Eu só tenho potencial A."

O recepcionista balançou a cabeça. "Não posso fazer nada agora. A decisão é final. Agora, vá embora, tenho trabalho a fazer."

Sua mente gritava. Droga. Droga. Droga. Droga. DROGA!"

Mas, externamente, nada falou. Girou nos calcanhares e saiu em silêncio.

Ao pisar na manhã fresca, seu rosto ficou sombrio.

Maldição!! vadia… Nada está dando certo pra mim. Primeiro, uma menina rica mimada me arrasta para seu rolo e faz de mim seu serviçal… Depois, o noivo dela me bate por viajar com ela… E agora isso? Estão me jogando numa toca de predadores.

Eu—não sei o que fazer, suspirou Ash, esfregando as têmporas enquanto caminhava em direção aos dormitórios, o peso do cansaço se instalando nos ossos.

Seu cérebro ainda girava com a colocação inesperada.

1S… A turma para monstros. Que diabos eu estou fazendo lá?

Ele sabia como as coisas funcionavam nesse mundo. A academia dividia os estudantes do primeiro ano em classes com base no potencial e outros fatores—1S, 1A, 1B, 1C, 1D e 1E.

Quanto mais forte, maior a classe.

1S não era só para os melhores—era para os intocáveis.

Cada estudante dessa turma tinha potencial para alcançar S-rank ou mais.

Alguns vinham de linhagens prestigiosas.

Outros eram prodígios puros.

Os poucos escolhidos.

Os futuros governantes dos campos de batalha.

O mais importante, toda a narrativa girava ao redor da classe 1S.

E então, tinha ele.

Fiz questão de ficar por último na avaliação e…, eu também tenho potencial A, no máximo. Então, por que diabos estou nessa turma?!

Seus pensamentos frustrados foram interrompidos quando o enorme prédio do dormitório surgiu à sua frente.

Diferente dos dormitórios das classes inferiores, que lembravam habitações estudantis padrão, o dormitório de 1S parecia um hotel de luxo.

Altíssimo, elegante, com padrões dourados intricados, o prédio pulsava levemente com encantamentos de proteção.

Vidros com magia refletiam sob o feixe suave de luzes de cristais flutuantes, e os portões automáticos se abriram assim que Ash se aproximou.

Apesar do cansaço, um pequeno sorriso escapou de seus lábios.

"Acho que tem um lado positivo… Os dormitórios são bons."

O interior era ainda mais luxuoso. Pisos de mármore polido refletiam a luz acolhedora, e quadros encantados decoravam as paredes, mudando entre paisagens deslumbrantes.

Um suave zunido de magia preenchia o ar, criando uma atmosfera de calma.

Caminhou pelo corredor, olhando nas portas até encontrar seu quarto.

"Cinquenta e um," murmurou, olhando a placa.

Se dirigiu até ele e, com um suspiro cansado, abriu a porta.

O quarto era maior do que esperava.

Uma cama grande ficava perto da janela, coberta com lençóis azul escuro e ricamente decorados.

O piso tinha um tapete macio, e as paredes eram equipadas com estantes cheias de livros bem arrumados.

À direita, uma escrivaninha elegante com uma lâmpada de cristal flutuante encostada na parede, e na outra ponta, um armário alto com uma superfície encantada que refletia sua imagem como um espelho.

Um banheiro privativo visível pela porta aberta, com chuveiro de vidro e runas brilhantes nas paredes.

O quarto era um sonho para qualquer estudante.

Mas Ash mal percebeu o que tinha ao seu redor.

Seu corpo parecia pesado demais. O peso de tudo—a exaustão, a frustração, a dor de cabeça—pressionava sobre ele.

Jogou seu uniforme e relógio na escrivaninha sem olhar e jogou-se na cama.

Um suspiro profundo e aliviado escapou enquanto afundava no colchão macio.

As folhas frias contra sua pele, seus músculos relaxando instantaneamente.

Ele queria pensar, analisar, descobrir o que estava acontecendo…

Mas seu corpo se recusava.

Vou lidar com isso amanhã…

Seus olhos começaram a pesar.

Seus pensamentos ficaram embaçados.

E, antes que pudesse proferir outra ameaça de maldição na cabeça—

Ele dormiu.