Poder das Runas

Capítulo 17

Poder das Runas

[Tempo presente…]

"Caramba... Não tinha dito que não se mata?", a voz divertida da vice-diretora Elva cortou o silêncio.

"E olha só vocês dois, tentando se arrancar em pedaços."

Ela levantou levemente os lábios, mas seus olhos continuaram afiados. "Agora, que punição devo dar aos infratores?"

Ambos permaneceram em silêncio.

Nem falaram.

Elva suspirou. "Bem, pelo menos a sua luta foi divertida. A plateia lá fora está pirando com isso."

Ela fez uma pausa, inclinando a cabeça. "Vocês já estão se enfrentando há horas. Sua resistência é fora do comum."

Ela os soltou ambos,

E trocaram um olhar antes de abaixar as armas, recuando em sincronia.

"Ainda assim, vocês quebraram as regras. E não posso simplesmente deixar passar."

Ela coçou o queixo pensativa.

Um leve clima de tensão passou entre eles.

"Ambos têm talento, e seria uma pena desqualificar os dois, mas não há como fugir da punição."

"Então, aqui está a sua punição", ela finalmente declarou. "Vou confiscá-las todas as bandeiras que vocês coletaram." Seu sorriso se alargou.

"Faltam quatro horas para o fim do exame. Se ainda tiverem bandeiras, melhor procurar por elas."

Com isso, ela desapareceu—levando as bandeiras com ela.

O silêncio voltou a reinar ao redor.

"Tsk", Ethan comentou, guardando suas adagas.

Ray exalou pesadamente,

Nem um deles falou mais.

Ambos se viraram e foram embora, seus corpos gritando de exaustão.

Nenhum deles tinha vencido.

Mas alguém, com certeza, tinha.

***

Horas antes, quando a batalha começou...

Ethan surgiu da névoa, seus olhos vermelhos brilhando com diversão.

Ash apertou os punhos, forçando-se a manter a firmeza.

'Criação de habilidades', pensou em sua mente.

"Você não acha que deveria usar algum tipo de vantagem?" ele perguntou, mantendo a voz controlada. "Você é claramente mais forte que eu."

Ele precisava de tempo, então decidiu falar.

Então, uma tela apareceu diante dele—preta como a noite, com letras brancas.

**

<Código da Criação>

Nome da habilidade - N/A

Chances de criar habilidade - 01

Probabilidade de sucesso na criação - N/A

**

Ethan bufou. "Acredito que alguém deve lutar com tudo que tem. E não sou um tolo cavalheiro que se preocupa com honra."

Ash permaneceu calado, sua atenção totalmente voltada para a tela.

"Então por que você está até agora lutando comigo? Você já disse que sou fraco. Não há motivo para se preocupar", disse em voz alta,

Mas em sua mente, comandou:

'Crie uma habilidade que aumente minha velocidade de raciocínio, sufoque a dor e emoções, e que não consuma mana.'

[Processando...]

**

<Código da Criação>

Nome da habilidade - Pensamento omni

Chances de criar habilidade - 0

Probabilidade de sucesso na criação - 98%

[Criando habilidade...]

**

'Tsk. Pelo menos me mostre a descrição.' Ash torceu para dentro, irritado.

Seu corpo gritava, pedindo atenção.

Ele se sentia fraco.

Cada músculo queimava, sua força se esvaía, a visão turva.

'Acho que não tenho escolha... só posso enrolar até que a habilidade seja criada.'

Então—ele rangeu os dentes e usou sua mana para forçar energia em seu corpo.

Seus membros estremeceram ao sentir o fluxo de energia. A trepidação em sua postura diminuiu.

A força retornou, sua respiração ficou mais firme.

'Posso me mover por pelo menos mais dez minutos antes de acabar minha mana. Depois disso, não conseguirei mais lutar.'

O olhar de Ethan escureceu. "Você já sabe por quê."

Ash sentiu um lampejo de irritação.

'Ele está me deixando nervoso...'

'Agora? Agora, não me importo com o que aconteça.'

Ash assumiu uma postura defensiva, o olhar frio.

Depois—ele sorriu de lado.

"Pelo que me lembro," disse casualmente, "não toquei na sua mãe depois daquela noite fatídica."

Um instante.

Era tudo que precisava.

A expressão de Ethan mudou instantaneamente.

Seu corpo se turvou—movendo-se num piscar de olhos—uma mão indo direto ao rosto de Ash.

Mas desta vez—Ash estava preparado.

Ele bloqueou o ataque com ambas as mãos.

Os olhos de Ethan se arregalaram de surpresa.

"Surpresa, filho da puta", cuspiu.

Ash avançou, levando o joelho em direção à virilha de Ethan. Mas Ethan sumiu de novo.

"Tsk, deveria ter acertado", murmurou Ash baixinho.

[Habilidade Criada com Sucesso]

'Finalmente. Vamos ver o que isso faz.'

Ele ativou sem pensar duas vezes.

'Pensamento Omni.'

No momento em que Ash ativou o Pensamento Omni, a realidade mudou.

O mundo perdeu toda cor, tudo virou tons de cinza—sem emoções, sem sentido.

Para ele, os humanos deixaram de ser pessoas.

Eram ferramentas, variáveis, recursos a serem usados.

Até sua própria existência se tornou mecânica, lógica, desprovida de sentimento.

Antes, Ash nunca teria percebido isso.

Ele não era do tipo de pessoa que se dava conta do ambiente em um nível tão profundo. Mas agora? Agora, seu cérebro operava numa velocidade inumana, além do limite normal.

Sua percepção aprimorada captou o menor sinal da presença de Ray, escondido à distância, observando e vigilante.

Ele nem deveria ter conseguido notar Ray. Não com a confusão toda da situação.

Não com a rapidez com que tudo acontecia e sua força diminuta.

Mas ele percebeu.

Então—nós pensamentos se formaram em sua mente.

Seu objetivo principal era chegar à montanha.

Nada mais importava.

Inúmeras ideias invadiram sua mente num instante, formando-se e dissolvendo-se rapidamente.

Certos pensamentos eram implacáveis, outros imprudentes, e alguns friamente calculados, fazendo-o sentir um calafrio distante.

Porém, sua mente nunca parou. Seus pensamentos aceleraram, mais rápidos do que ele podia compreender conscientemente.

Então, ele encontrou a solução.

O plano perfeito—que não só o levaria até a montanha, mas também o faria desaparecer na sombra.

Faria parecer fraco, indesejável para atenção.

Ele perderia, mas assim também se esconderia do foco.

E, melhor ainda—ele transferiria esse foco para o verdadeiro protagonista.

Ray.

Tudo ao redor dele desacelerou até quase parar.

Para o mundo exterior, passou apenas um segundo.

Para Ash, pareceu uma eternidade.

Mas tinha um problema.

Seu corpo não conseguia acompanhar.

Seu cérebro, agora funcionando numa velocidade sem precedentes, superava sua capacidade física.

Uma onda repentina de sobrecarga o atingiu—como fogo queimando seu crânio. Ele engoliu em seco.

Até seus músculos energizados pela mana tremiam.

A visão dele ficou turva, oscilando entre hiperalerta e escuridão.

Seus pensamentos correram mais rápido do que sua carne podia suportar.

Seus nervos queimavam, seus pulmões se esforçavam, seus músculos gritavam sob a pressão.

E então—Ethan falou.

"Você—" a voz de Ethan cortou o silêncio, distorcida e lenta. "Seu filho da puta—como ousa atacar alguém nesta região?! Você não tem vergonha?"

A mente de Ash travou.

Levou um segundo inteiro para as palavras serem assimiladas.

Seu idiota.

Ele abriu os lábios.

Tentou falar, mas sua língua parecia dormente.

As palavras—onde estavam?

Os cálculos na cabeça dele eram demais.

'Não posso cancelar a habilidade agora, preciso que tudo aconteça como planejei'

Sua mente se consumia, desviando toda energia para estratégia e precisão.

Conversar era quase como se arrastar pelo cimento molhado.

Mas ele precisava dizer algo.

A respiração de Ash ficou difícil ao forçar uma resposta.

"Eu... acredito...", engoliu em seco, o esforço o drenando. "Que… alguém deve lutar… com tudo que tem."

Suas próprias palavras soavam distantes, lentas. Sua garganta ardia, e sua voz mais fraca do que esperava.

"E…", ele exalou trêmulo, seu corpo tremendo sob o peso da habilidade. "Eu… não sou um tolo cavaleiro… que se preocupa com vergonha…"

Dor.

Uma dor de cabeça cortante partiu seu crânio como uma lâmina, mas ele tinha que seguir em frente.

O rosto de Ethan se contorceu de raiva. Seus olhos vermelhos ardiam de fúria, todo seu corpo tremendo de raiva incontrolável.

Ash mal conseguiu processar.

Sua mente lutava para acompanhar, afogada na enxurrada de informações do ambiente.

A voz de Ethan estalou de fúria. "Esse— esse filho da puta! Primeiro, ele viajava com a Melissa, minha noiva, e agora pergunta o que fez de errado?!"

O quê?

Por um segundo, o cérebro de Ash deu um curto-circuito.

Então—clique.

'Ah'

'Então é por isso que esse cara tava atrás de mim.'

Na luta sufocante na cabeça dele, Ash mal conseguiu pensar.

Ahh… certo. Essa vadia era noiva da Melissa.

Ethan estava furioso. Ash via as veias inchando na testa dele. Precisava responder, mas seu corpo falhava.

Sua visão ficou turva, a escuridão se infiltrando nas bordas.

Mesmo assim, forçou um sorriso de lado.

"Ah, aquilo?" Suas palavras escorregaram um pouco. "Eu… só estava pegando um transporte… se é que você entende isso."

Seus joelhos vacilaram.

Ele insistiu, passando por cima.

"E além disso…" Ele respirou fundo, ofegante. "Eu… fui raptado por eles. Aquela vadia—ops, quero dizer, Melissa— É uma insana."

Sua cabeça pulsava.

Ethan apertou os punhos, sua fúria chegando ao limite.

Ele viu tudo—os músculos de Ethan se preparando para atacar, as partículas de poeira levantando do chão, as folhas balançando ao vento.

Cada quadro da realidade desacelerou, transformando-se em dados para que ele analisasse, processasse e calculasse a resposta ideal.

Ethan, incapaz de se segurar mais, desapareceu de vista.

'Ótimo, ele está atacando com raiva, exatamente como planejei'

Ele forçou seu corpo a avançar, preparando-se para o ataque de Ethan.

Desesperança.

Era isso que precisava mostrar.

Ele tinha que perder de forma convincente.

Fazer parecer que era apenas um fracote lutando para não cair.

Se conseguisse fazer Ray intervir, tudo seguiria como planejado.

Ele escaparia impune.

Seria curado.

Escaparia do holofote.

Então—

o punho de Ethan atingiu—um impacto brutal direto no rosto dele.

A visão de Ash se rachou, sangue jorrando da boca, um choque agudo percorrendo seu crânio.

Um dente voou para fora.

'Fico feliz que até a dor foi aniquilada pela habilidade.'

Seu corpo ficou leve, lançado para trás como uma marionete.

Ele colidiu contra uma árvore, a força destruindo o tronco atrás dele. Casca e estilhaços chovendo ao redor de sua forma imóvel.

Depois—

Trevas.

Seu corpo cedeu antes que pudesse vê-lo acontecer.

O efeito colateral da habilidade o atingiu de repente, e assim—

Perdeu a consciência.

***

Nota do autor:

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